Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens

22 de mai. de 2016

A corrupção no Brasil tem fim? (Ou só tem meios?)

Não é a primeira vez que escrevo sobre corrupção no blog, apesar desse canal ser focado em networking. O que percebemos, entretanto, é que todos os escândalos de falta de ética descobertos recentemente nas Estatais Brasileiras foram originados por redes de corruptos muito bem estruturadas.

É óbvio que o “networking da corrupção” investigado na Operação Lava Jato pela Polícia Federal não foi inventado por um ou outro partido político e muito menos foi introduzido nos últimos anos. Não é de hoje que empresas privadas contam com a ajuda de funcionários públicos para moldar licitações com o objetivo de desqualificar os concorrentes e superfaturar seus produtos e serviços. Essa “gordura” é então compartilhada com o agente do Governo. Também não é novidade que cartéis se formam em comum acordo com seus clientes públicos. Todos unidos combinam preços e decidem os vencedores de cada edital para sustentar um esquema público-privado.

A novidade aqui é a sofisticação da rede de corrupção que se instalou na Petrobrás, uma das mais prósperas empresas brasileiras. Esse esquema poderia durar muito mais tempo, porque é muito difícil arruinar um negócio baseado em petróleo! Como bem observou no início do século passado o magnata John Rockefeller, fundador da primeira companhia petrolífera americana: "O melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada. O segundo melhor negócio é uma empresa de petróleo mal administrada".

O loteamento feito por políticos nas Diretorias da Petrobrás só foi descoberto por uma mera casualidade. Desde 2009 a Polícia Federal do Paraná investigava crimes de lavagem de recursos relacionados ao ex-deputado federal José Janene em Londrina/PR. O monitoramento das comunicações do doleiro Carlos Habib Chater, entre outros lugares, em sua casa de câmbio que operava ao lado de um lava jato (o que batizou a operação) identificou quatro organizações criminosas que se relacionavam entre si, todas lideradas por doleiros. Em uma delas, descobriu-se que o doleiro Alberto Youssef “doou” um veículo de luxo para o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Quando a Polícia Federal, Ministério Público Federal e à equipe do Juiz Federal Sérgio Moro, todos sediados no Paraná, começaram a puxar esse “pelo”, jamais poderiam imaginar o tamanho do gorila que descobririam. Desde 17 de março de 2014, quando foi deflagrada a primeira fase da Operação Lava Jato, uma das mais bem estruturadas organizações criminosas vem sendo descoberta.  Doleiros, lobistas, executivos de empreiteiras, executivos da Estatal e finalmente inúmeros políticos vêm sendo arrolados no esquema de desvio de bilhões de Reais.

Toda essa rede de corruptores e corrompidos não seria descoberta não fossem as homologações de acordos de delações premiadas dos acusados e de leniência das empresas envolvidas. O que mais surpreende é que esses escândalos não se limitam apenas a Petrobrás. Já se sabe que outras tantas estatais e obras públicas faraônicas estão sendo corroídas pela ambição de políticos de diversos partidos. As investigações na Eletrobrás, Furnas e Belo Monte, por exemplo, ainda vão revelar muito mais podridão no cenário político já degradado. Quando as gavetas do BNDES forem abertas, então, não vai sobrar pedra sobre pedra, tanto no Brasil como no exterior.

É fato que ainda serão necessários muitos anos de investigações e independência total da Polícia Federal em todo País. Mesmo com tanto esforço das entidades e com o apoio popular, a corrupção no nosso País, infelizmente, não deve ter fim! Os meios se renovam, se reciclam, e se restabelecem através de novas redes de corrupção. Enquanto essa Nação não formar pessoas éticas, dependeremos das leis feitas por quem está envolvido nesse lodo!

25 de jun. de 2013

Você sabe contra o que está protestando ou está somente seguindo a multidão?

Poucos acreditavam que as manifestações populares durariam tanto tempo e tomariam as proporções alcançadas. Todos os dias, milhões de pessoas vão para as ruas marchar contra a corrupção, falta de segurança, baixa qualidade da saúde e da educação, entre diversos outros males que afligem a população brasileira por anos. Há de se ressaltar a importância das redes sociais na mobilização dessas multidões.

A exemplo do que ocorreu na revoluções no Egito, Líbia e outros países contra os regimes autoritários do Oriente Médio e do norte da África (ver texto http://network4sales.blogspot.com.br/2011/03/o-que-as-redes-sociais-tem-ver-com-os.html), as manifestações foram articuladas principalmente pelo Facebook, inicialmente em torno do Movimento Passe Livre, que pedia a revogação dos 0,20 centavos de aumento nas tarifas do transporte público em São Paulo. Logo elas tomaram o País e o mundo, graças à presença da imprensa internacional que cobre a Copa das Confederações.

Mas será que essas manifestações terão algum resultado prático? Além dos R$0,20, existe uma reinvindicação concreta da população? Contra quem essas pessoas estão se rebelando? Ao que parece, são muitos pedidos sem um objetivo claro, sem ter uma pessoa ou instituição para negociar. Muito se ouve nos protestos a frase “Não sei o que eu quero, mas sei o que eu não quero!”. Isso acontece porque várias pessoas estão nas ruas somente para acompanhar os amigos. Um indivíduo, usando as redes sociais, convida as pessoas próximas da sua rede de relacionamentos. Esses convidam outros e mais outros e todos combinam de se encontrar no mesmo local e hora para participar de um encontro de jovens eufóricos, como se fosse uma grande “rave”.

Estudos sobre o comportamento humano mostram que todas as pessoas têm um determinado nível de tolerância ou aderência aos movimentos coletivos. Por exemplo, se você vê uma pessoa correndo nua pela rua, vai pensar que ela está maluca. Se presenciar 100 pessoas protestando totalmente sem roupa, vai pensar no motivo que está levando esses indivíduos a essa condição. Talvez uma pessoa ao seu lado se sensibilize com esse ato de 100 manifestantes despidos e decida tirar a roupa e se juntar à multidão. Se outras 900 pessoas tiverem nesse mesmo nível de aderência, o protesto já vai ter mais de 1.000 “peladões e peladonas” nas vias públicas. Se esse for o seu nível de tolerância, você vai finalmente se despir e correr nú “pra galera”. 

O ponto positivo desses encontros é que esses jovens, que chegam nas manifestações sem maiores pretensões, acabam se contaminando com a energia positiva de quem está lá realmente com um propósito. Com isso, jovens que antes eram totalmente alienados, passam a ser um pouco mais politizado. Ainda assim, se você abraça uma causa única não significa que todos ao seu redor esteja em torno da mesma causa. No meio das passeatas existem pessoas partidárias do PT e dos programas sociais do Governo. Existem também pessoas totalmente contrárias ao partido da Presidente e às suas medidas populistas. Há manifestantes contra a qualidade do transporte público e há quem nunca tenha entrado em um ônibus. Tem gente que é contra a corrupção, mas vive se dando bem com o “jeitinho brasileiro”. Portanto, em termos práticos, não há como atender à todos os pedidos vindo das ruas. A satisfação de muitos representa a insatisfação de outros tantos.

Para que a população seja ouvida, todos devem se juntar contra a causa-raiz de todos os maus. A falta de qualidade do serviços públicos, seja eles na saúde, segurança, educação, transportes, em geral, ocorrem por falta de investimentos maciços por parte dos Governos Federal, Estadual e Municipal. A falta de investimento não acontece por falta de arrecadação e sim por má alocação de recursos. Se dinheiro há, o problema é onde ele vai parar. Chegamos então à corrupção, que é o desvio do dinheiro público em benefício de poucos que estão no comando. Já falamos muito sobre isso aqui no Network-4-Sales, como no textoSe a ocasião faz o ladrão, o que é preciso para fazer a corrupção?” (link http://network4sales.blogspot.com.br/2011/08/se-ocasiao-faz-o-ladrao-o-que-e-preciso.html)

Se essa verba fosse integralmente investida no setor público, com certeza teríamos melhor qualidade de atendimento. Mas não é essa a causa-raiz de todos os problemas que estão levando o povo a se rebelar. O “câncer” do Brasil é chamado IMPUNIDADE! Sim, a falta de punições exemplares a quem não cumpre as Leis é o maior de todos os problemas da nação! A falta de punição é que leva à falta de segurança, afinal quem comete o crime pode ser pego, até pode ser julgado, mas dificilmente será punido a ponto de se arrepender pelo que fez. A impunidade é o que estimula corrupção, ao desvio de recursos, ao super-faturamento, não apenas no setor público, mas também no privado. Também é a falta de penalizações duras que estimula o “jeitinho brasileiro”, seja o “café do guarda”, o “gato-net”, o “fura-fila”, entre muitas outras maneiras de levar vantagem sobre os outros menos favorecidos.


Para compensar todos esses desvios, de recursos e de caráter, é que pagamos mais impostos, pagamos por produtos e serviços mais caros do que em qualquer parte do mundo. Tudo isso gera prejuízo à nação. Tudo isso aumenta o custo-Brasil. Tudo isso tira recursos dos serviços públicos. Ninguém tem dúvida que somos um País rico. Agora só nos falta ser um País do Bem! É contra isso que todos nós devemos lutar. Punindo quem faz mal, teremos tudo que nos faz bem! Junte os amigos da sua rede de relacionamentos em torno do que realmente vale a pena lutar!

5 de out. de 2012

Sabia que o principal critério para a escolha do vereador é o network?

NOTA: Esse texto NÃO promove nenhum candidato e nem tem o objetivo de direcionar votos.


Há 6 meses você soube aqui pelo blog Network-4-Sales qual é o motor que move a política e os políticos (http://network4sales.blogspot.com.br/2012/04/voce-sabe-qual-e-o-motor-que-move.html). Agora, faltando poucos dias para a eleição municipal, é importante ressaltar a importância que o network tem nesse processo democrático.

No próximo domingo, dia 07/10, quase 140 milhões de eleitores terão o importante papel de eleger nossos representantes nos poderes Executivo e Legislativo.  Só para vereador, no Brasil, são aproximadamente meio milhão de candidatos que disputam uma cadeira nas 5.500 câmaras municipais desse país. São 57 mil vagas a vereador para defender os interesses da população; tais como  fiscalizar os gastos da prefeitura, desenvolver leis e projetos que atendam as necessidades da população.

Talvez você não saiba, mas as cidades com mais de 8 milhões de habitantes poderão ter até 55 vagas para esse emprego dos sonhos. É uma profissão tão interessante que só na cidade de São Paulo, 53 dos 55 vereadores atuais tentarão a reeleição no pleito desse final de semana. Para bancar todas as mordomias que esse representante do povo tem, todos nós gastamos com um único parlamentar municipal até R$ 360 mil em apenas um ano. 

Agora que você já sabe que esse emprego é tão bom, que a concorrência por uma dessas cadeiras é tão alta, e que esses políticos dependem do seu voto para chegar lá; você não acha importante pensar bem para quem você vai dar esse empregão no parlamento municipal? Quais são os critérios que você vai utilizar para escolher o seu candidato à vereador? Se você não sabe por onde começar, aqui está o principal critério – o Network!

Uma das principais funções desses políticos é a de ser o intermediário entre o poder Executivo e o povo. O primeiro é representado pela figura do prefeito. Já o povo é representado pelas entidades de classe, associações, comunidades, organizações não-governamentais, entre outros grupos de pessoas que defendem os interesses de uma coletividade. Você, enquanto cidadão, mesmo sem se dar conta, está inserido em pelo menos um desses grupos.

Esse é, portanto, o primeiro network que você deve identificar antes de decidir em quem votar. Afinal, a força que esses grupos têm para eleger um vereador é o que fará com que esse funcionário público zele pelos interesses coletivos de quem o nomeou. Pensando em termos práticos, se você mora em uma comunidade e espera por melhorias viárias ou de saneamento, você precisa saber quais candidatos olharão para essa comunidade depois de eleitos.

Só que uma andorinha só não faz verão! Votando sozinho, você não conseguirá cobrar essas melhorias do seu vereador. Entretanto, se você estiver alinhado com a decisão de um grupo de pessoas que estará apoiando tal candidato, todos terão representatividade política. Cabe a você, então, descobrir quem são as pessoas da rede de relacionamento da sua região, bairro, vizinhança ou condomínio. Uma vez identificado esse network, você deve entender o que levou esse grupo a apoiar esse ou aquele candidato.

O segundo e mais importante network a ser considerado em uma eleição é a rede de relacionamento do próprio candidato. Quem está patrocinando a campanha dele? A quem ele deve fidelidade partidária? Você deve tomar cuidado especialmente com aqueles candidatos  famosos, caricatos ou engraçados. Pelo seu carisma, recebem votos como o reconhecimento pela sua carreira fora da política ou mesmo como forma de protesto dos eleitores. Esse tipo de candidato é conhecido como “coelho-eleitoral”, pois traz na sua cola outros políticos sem o mesmo gás.

Como você leu aqui no blog Network-4-Sales, esse foi o caso do palhaço Tiririca, que foi um dos Deputados Federais mais votados na última eleição para a Câmara Federal  (http://network4sales.blogspot.com.br/2010/10/o-que-esta-por-tras-do-fenomeno.html). Votando no “coelho-eleitoral” de uma determinada legenda ou grupo partidário, você poderá eleger outros vereadores em que você jamais votaria. Isso ocorre por causa do chamado coeficiente eleitoral, onde se reúne todos os votos dos vereadores de cada partido e faz-se uma divisão de vagas para cada legenda.

Fica a dica! Nesse domingo, pense primeiro no network e depois no network. Primeiro o do grupo que o representa e depois naquele que apoia o seu candidato. Por isso, pesquise, estude e pondere. Esse emprego vale por 4 anos e custa muito, não só no bolso como no futuro de todos nós. Vote consciente!

3 de abr. de 2012

Você sabe qual é o motor que move a política e os políticos?

Os resultados das últimas eleições não deixam dúvidas. No Brasil, um candidato que almeja ingressar na vida pública não precisa de experiência anterior comprovada, de um currículo profissional impecável, e muito menos de bagagem acadêmica privilegiada. Entretanto, se este candidato quiser ser bem sucedido na carreira política, uma habilidade em especial deverá ser bem desenvolvida - o networking.

O que vai determinar o futuro de um político é a maneira como ele trabalha sua rede de relacionamentos. Em nenhum outro ambiente profissional a máxima "você é quem você conhece" é tão verdadeira. Mas "conhecer" apenas não basta. O político precisa entrar no círculo de confiança dos seus colegas de profissão. E essa tarefa é tão importante que muitos acabam dedicando mais tempo para construir alianças do que efetivamente trabalhando em projetos que defendam os interesses dos seus eleitores. Isso se justifica já que, se ele não conseguir montar rapidamente uma rede efetiva de contatos, dificilmente conseguirá levar adiante seus projetos no Legislativo. Se o político não conseguir apoio dos seus aliados, não vai conseguir mostrar serviço para quem o levou até lá, e consequentemente, jamais será eleito novamente e terá decretado o fim prematuro da sua trajetória política.

Que fique claro que não existe problema algum no exercício do networking entre os colegas de trabalho. O problema está no que vem com o tempo. Quando os políticos percebem que eles valem tanto quanto sua rede de "amigos", esse Valor se converte em Poder. E o Poder pode acabar corrompendo o político. Percebendo sua importância dentro dessa teia política, ele pode cobrar "pedágio" para ajudar outros companheiros a chegar aonde precisam. Mas vamos pensar que essa prática é a exceção e vamos explorar alguns exemplos para mostrar o poder que o networking tem dentro da política.

Um Vereador com boas conexões em seu município pode ser ajudado pela base aliada para se tornar Deputado Estadual. Fazendo conexões ainda melhores nessa esfera, pode logo ser catapultado para o Planalto Central. Nesse nível do Poder, o networking passa a ser ainda mais estratégico. Dependendo com quem ele se associa, pode chegar até a diretoria de uma agência reguladora ou de uma estatal, à uma posição de destaque em uma Secretaria, ou até mesmo em um Ministério. (saiba mais no texto "O que é preciso para ser Ministro de Estado no Brasil?" em http://network4sales.blogspot.com.br/2011/01/o-que-e-preciso-para-ser-ministro-de.html)  

Para deixar ainda mais claro o peso que o networking tem dentro da carreira política, vamos comparar um executivo de uma empresa privada e um homem público quando ambos têm a oportunidade de subir um nível dentro da estrutura organizacional a que estão inseridos. Em uma corporação, um executivo precisa participar de um processo seletivo rigoroso, onde são avaliadas não só suas conquistas passadas como sua capacidade e competência para enfrentar o novo desafio. Já o político que está prestes a ser nomeado a um cargo público precisa ter, antes de mais nada, um padrinho bem influente, que ele certamente conquistou ao longo de anos de networking. Quando assumi tal cargo, o nomeado pode até se mostrar competente para exercer o posto, mas jamais terá plena autonomia sob suas decisões uma vez que sempre terá que atender em primeiro plano os interesses do seu padrinho político.

Se você ainda duvida que o networking é o motor que move a política no nosso País, comece a observar a partir de hoje como ocorrem as sucessões nos cargos públicos mais estratégicos. Da próxima vez que um político desocupar uma posição, seja por ter sido afastado por corrupção ou seja por vontade própria, observe quem assumirá sua vaga. Em geral será alguém do mesmo partido que tenha sido indicado e previamente aprovado pelas lideranças dos partidos aliados.

Engana-se quem pensa que isso é uma exclusividade do Poder Legislativo. O networking também é o que move todos os políticos no Poder Executivo. Um político que almeja chegar à Prefeito, Governador e até mesmo Presidente só conseguirá se candidatar e concorrer às eleições se contar com o apoio de uma enorme rede de "patrocinadores", que precisam estar seguros que este candidato atenderá seus interesses políticos e eventualmente privados. Não importa se o político é de direita ou de esquerda. Todos eles têm a chamada "agenda política".

Por isso, antes de votar nas próximas eleições, procure saber quem está enchendo de combustível e lubrificando o motor do seu candidato. É você quem vai pagar essa conta depois! 

8 de ago. de 2011

Se a ocasião faz o ladrão, o que é preciso para fazer a corrupção?

Se você mora em uma grande cidade, já aprendeu algumas lições sobre como diminuir os riscos de ser roubado. Se esse não é seu caso, aqui vão algumas dicas. Não deixe em cima da mesa do bar objetos de valor, tais como celular, carteira ou câmera. Não coloque sua bolsa ou mochila no banco do passageiro, principalmente enquanto estiver em um congestionamento. Quando estiver no aeroporto ou em um hotel, fique atento à sua bagagem. No banco, evite contar e guardar o dinheiro sacado na frente dos outros clientes.

Aprendemos essas lições por experiência própria ou com pessoas que tiveram a infelicidade de se tornarem vítimas. Por isso, é muito melhor evitar a ocasião que facilita a vida dos ladrões. Eles sempre preferem agir na surpresa e atacar aquelas vítimas menos precavidas. Não é à toa que os turistas são as principais presas desses criminosos. Como vimos nos exemplos acima, a ocasião faz mesmo o ladrão. Mas o que teremos se, junto com a ocasião, houver poder, ou mais especificamente o desequilíbrio de poder? Nesse caso teremos a extorsão.

Aqui estão algumas situações típicas de ocasião somada a poder. Você é parado por um policial na estrada ou recebe a visita de um fiscal na sua empresa. A probabilidade deles encontrarem algo errado é enorme, principalmente porque esses profissionais tem o “dedo pobre”, ou seja, são treinados para tocar justamente naquele ponto que está irregular. Quando eles encontram a ocasião, eles passam a exercer o poder. Essa mistura inflamável resulta em uma multa exorbitante ou em um acerto de contas informal, também chamado de extorsão.

E o que temos quando somamos o networking à essa equação? Ai temos a corrupção! Basta analisar qualquer um dos escândalos que aparecem todos os dias nos noticiários, principalmente aqueles envolvendo políticos. Eles possuem sempre a mesma fórmula: ocasião + poder + networking = corrupção. Para que alguém seja corrompido, é imprescindível que exista o corrupto. Mas essas duas partes não se encontram por acaso. É preciso que exista uma rede de relacionamento que os interligue. Todo esse networking acaba sendo beneficiado quando algum “esquema” é colocado em prática.

Para entender como a equação da corrupção funciona na prática, vamos a alguns exemplos hipotéticos, meramente ilustrativos. Vamos supor que o Ministro dos Transportes não tem nenhum relacionamento com o proprietário da empreiteira que será contratada para construir uma estrada que ligará nada à lugar-nenhum. Entre os dois existem diversas pessoas. Do lado da contratante podem estar o Diretor do DNIT (Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes) e seus assessores. Do lado da contratada estão os executivos da empreiteira, além de seus fornecedores de insumos e de mão-de-obra. Não é preciso que todas as pessoas nessa estrutura sejam corruptas. Só é necessário encontrar as pessoas certas (não no sentido de pessoas direitas, honestas) que façam as duas pontas se encontrarem. 

Nos próximos anos o Brasil estará sediando os principais eventos esportivos do mundo. Para essas ocasiões serão necessários bilhões de reais de investimentos em obras públicas de infraestrutura, tais como ampliação de aeroportos, recuperação de rodovias, construção de ferrovias, como o trem-bala. As instituições, sejam públicas ou privadas, envolvidas com essas obras possuem o poder para realizar a contratação, coordenação, aprovação, implementação ou administração desses empreendimentos farônicos. Para que a corrupção surja basta que o networking dos envolvidos funcione com eficiência nos bastidores escuros do nosso País.

Como cidadão, todos nós temos o dever de fiscalizar àqueles que estão no Poder e a obrigação de denunciar, de tornar público, qualquer rede de relacionamento corrupta. Tirando essas duas incógnitas da equação da corrupção, resta apenas a ocasião, que só fará o ladrão. E se gritar “pega ladrão... não fica um, meu irmão!”

30 de mar. de 2011

O que as Redes Sociais têm a ver com os ataques à Líbia de Kadhafi?

No dia 14 de março de 2011 o Twitter completou cinco anos de vida com marcas históricas. Com pouco mais de 3 anos, essa rede social já tinha publicado um bilhão de mensagens (tweets). Mas desde que a empresa começou suas operações, ela não teve um papel tão relevante quanto na divulgação dos protestos contra os regimes autoritários do Oriente Médio e do norte da África.

Um mês antes de apagar as 5 velinhas, o Twitter, em conjunto com o Facebook, ajudaram a derrubar o presidente do Egito, Hosni Mubarak. Muitos analistas e ativistas locais garantem que o político ainda estaria no poder se não fosse pela força dessas redes sociais. A queda de Mubarak, entretanto, não foi a primeira e felizmente nem será a última manifestação popular na região. Antes da crise no Egito, as redes sociais conseguiram derrubar o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali. Depois destes dois marcos históricos, os protestos se espalharam também por Jordânia, Iêmen, Argélia, Mauritânia, Síria, Arábia Saudita, Bahrein, Marrocos, Sudão e Omã.

Mas para entender como esses levantes populares contaram com a força da Internet, vamos analisar especificamente o caso do Egito. Há cerca de três anos, um ativista egípcio iniciou uma página no Facebook para apoiar os trabalhadores em greve no país. Desde então, a página já reuniu mais de 60 mil membros preocupados com problemas comuns à população egípcia. Outra página foi criada no Facebook em homenagem ao ativista e blogueiro Khaled Said, que teria sido espancado até a morte pela polícia local em 2010. Essas páginas tiveram a capacidade de mobilizar a população conectada à Internet a discutir publicamente, no mundo virtual, problemas que os afetavam na vida real, tais como liberdade de expressão, problemas econômicos do país e frustração com o regime de governo de Hosni Mubarak, que ocupava o poder havia cerca de 30 anos.

Esses manifestantes virtuais se uniram a pessoas reais das suas redes de contatos e no dia 25 de Janeiro de 2011 marcharam em direção à Praça Tahrir, no centro da capital Cairo e não sairam de lá por 18 dias. A Revolução no Egito, também conhecida como Dias de Fúria, Revolução de Lótus e Revolução do Nilo, não teve precedentes na história do mundo árabe. Quando o governo percebeu que a mobilização egípicia era promovida pelas redes sociais, o então presidente mandou desconectar o Egito da Internet por vários dias, principalmente dos sites de relacionamento Facebook e Twitter. Mas a série de manifestações de rua, protestos e atos de desobediência civil continuaram no Egito até 11 de fevereiro de 2011, quando o vice-presidente egípcio Omar Suleiman anunciou pela emissora estatal de televisão a renúncia do presidente Hosni Mubarak.

O êxito do povo egípicio estimulou os países vizinhos e chegou à Líbia, país controlado pelo ditador Muammar Kadhafi há quase 42 anos. O terceiro país do mundo árabe a enfrentar uma onda de revolta popular, a Líbia teve os protestos iniciados no leste do país, onde a popularidade do ditador historicamente sempre foi mais baixa, mas precisamente na cidade de Benghazi, segunda maior do país. Da mesma forma como ocorreu no Egito, o governo líbio também ordenou o bloqueio da Internet tentando impedir os manifestantes de organizar novos protestos e também de mandar para o exterior notícias sobre os ataques violentos de Kadhafi contra a população local. Foram essas notícias disseminadas pelo Twitter e Facebook que influenciaram a opinião pública internacional.

Em 17 de março, o Conselho de Segurança da ONU exigiu um cessar-fogo imediato e autorizou o uso de forças militares contra o regime líbio. As operações militares, com EUA, Reino Unido, França, Itália e Canadá à frente, começaram dois dias depois. A dura repressão às manifestações provocou milhares de mortes, e a situação evoluiu praticamente para uma guerra civil. Diversos países, liderados pelos EUA, começaram a protestar e a exigir a saída imediata de Kadhafi. Os conflitos continuam e o ditador á disse que só sai do poder morto.

Apesar das redes sociais não serem as únicas responsáveis pelas revoluções, foram o instrumento de conexão e mobilização de pessoas com interesses em comum. Essas pessoas não teriam a mesma capacidade de informar, compartilhar e divulgar a insatisfação de um mundo reprimido. Como diz o ditado, “um pássaro só não faz verão”. E tem sido os cantos (tweets, em inglês) desses passáros todos juntos que têm escrito novos e revolucionários capítulos na história recente.

23 de jan. de 2011

O que é preciso para ser Ministro de Estado no Brasil?

Uma das primeiras atribuições de Dilma Rousseff no seu primeiro dia útil na Presidência da República foi empossar os 37 Ministros de Estado que formam o Poder Executivo e que a ajudarão a governar o Brasil nos próximos quatro anos. Ocupar um desses ministérios é uma das funções mais importantes do país.


Como acontece quando procuramos emprego, para conseguir uma boa posição precisamos apresentar um bom currículo educacional, qualificação técnica e experiência comprovada. É de se esperar então que os profissionais escolhidos para os cargos de Ministros de Estado sejam os mais preparados para ocupar suas pastas, certo? Infelizmente não! Então, o que é preciso para ser Ministro no Brasil? A resposta, via de regra, é o networking!

Prova de que o networking é o critério mais utilizado nas nomeações é a quantidade de Ministros filiados aos partidos que compõem a base aliada do Governo. Dos 37 ministros, 17 são filiados ao PT, 6 ao PMDB e 2 ao PSB. Os aliados nanicos PP, PDT, PR e PCdoB ficaram com uma pasta cada um. É sabido que as alianças partidárias, os conchavos políticos, são feitos antes das eleições com a contrapartida de nomeações futuras em diversos níveis do Poder Executivo.

Vamos citar alguns exemplos evidentes de networking nas nomeações para chefiar os ministérios de Dilma. O novo Ministro da Casa Civil Antônio Palocci (PT) é um antigo conhecido no cenário político brasileiro. Ele foi Ministro da Fazenda do governo Lula e deixou a pasta por causa do escândalo do "Mensalão". Palocci volta ao governo no mesmo posto ocupado por Dilma antes de ser eleita Presidente. Ele foi um dos coordenadores da campanha e sempre esteve próximo de Lula e do PT mesmo depois do seu afastamento.

Outro político que participou ativamente da campanha de Dilma foi o secretário-geral do PT José Eduardo Cardozo. Advogado e Deputado Federal por dois mandatos, Cardozo foi nomeado para ser o Ministro da Justiça. O novo Ministro de Ciência e Tecnologia também não tem as qualificações ideais para ocupar essa pasta. Aloizio Mercadante (PT) é economista e ganhou o cargo como prêmio de consolação depois de ser derrotado nas eleições para o governo paulista em 2010.  

Competência também não é um dos critérios utilizados na escolha de Ministros de Estado. Fernando Haddad (PT), que assumiu o Ministério da Educação em 2005 foi mantido no posto mesmo após dois episódios de má gestão relacionados ao Enem. O programa Prouni (Universidade Para Todos) perdeu credibilidade e milhares de estudantes foram prejudicados com esses eventos.

Mesmo chegando ao poder através do networking, existem casos de Ministros não técnicos que mostram competência a frente de suas pastas em gestões anteriores. Esses são os casos de Guido Mantega (PT), que foi mantido no cargo de Ministro da Fazenda que ocupa há cinco anos. Sob sua gestão, a economia brasileira cresceu de forma consistente. O Ministro dos Esportes Orlando Silva (PCdoB) também foi mantido na pasta e traz no seu currículo a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, e a conquista dos direitos para sediar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil e os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

Como toda regra tem exceção, pelo menos quatro Ministros possuem sim qualificação para ocupar esses cargos importantes. Esse é o caso do novo Presidente do Banco Central, Ministro Alexandre Tombini, que é funcionário dessa instituição desde 1995, onde trabalhou na formulação do regime de metas de inflação. A Ministra da Cultura Ana de Hollanda é irmã do compositor Chico Buarque de Hollanda e foi diretora do centro de música da Funarte. Izabella Teixeira, nova Ministra do Meio Ambiente, é bióloga com doutorado em Planejamento Ambiental e funcionária de carreira do Ibama desde 1984. O Ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota foi embaixador do Brasil em Washington, e por isso tem boas relações com autoridades norte-americanas.

Qualificados ou não, merecedores ou não, ser Ministro de Estado é um emprego importante e muito bem pago. Eles recebem o teto salarial do Executivo (R$ 26.723,13) e ainda têm todas as despesas bancadas pelo governo, tais como moradia, alimentação, transporte, serviços médicos, segurança, escritórios regionais, etc. Além disso, os Ministros podem aumentar a remuneração mensal com a participação em conselhos de empresas estatais. Quando chefiava a Casa Civil, por exemplo, Dilma Rousseff dobrava o seu salário por participar dos conselhos da Petrobrás e da BR Distribuidora.

Então, se um dia você quiser uma “boquinha” dessas, é bom começar a trabalhar seu networking hoje mesmo!

26 de dez. de 2010

Retrospectiva 2010: Como todos estão conectados: Tiririca -> Dilma -> Elias Maluco -> Capitão Nascimento -> Tiririca

Desde a criação do blog Network-4-Sales há poucos meses, já abordei os mais diversos temas, tais como política, cinema, crime organizado, etc. Nesses artigos sempre enfatizei como as pessoas estão conectadas entre si. Nesse artigo o desafio é fazer uma retrospectiva mostrando como todos esses temas também estão conectados entre eles. Para demonstrar isso, escolhi alguns personagens que se destacaram ao longo de 2010. Aqui você vai saber como o palhaço Tiririca está ligado à Presidente eleita Dilma Roussef; como esta pode ser ligada ao traficante Elias Maluco; como este ao Capitão Nascimento do BOPE e como este último se conecta novamente com Tiririca.

Começamos com Tiririca, o Deputado Federal eleito com maior número de votos nas últimas eleições. No artigo publicado aqui neste blog no dia 05/10 (O que está por trás do fenômeno Tiririca?) é explicado como funciona o chamado networking político. O candidato recebeu mais de 1,3 milhão de votos e, graças ao quociente eleitoral, levou para a Câmara dos Deputados outros três candidatos que faziam parte da coligação liderada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) com vários partidos nanicos.

Agora que você já sabe como o partido fundado pelo Presidente Lula usou essas manobras políticas para fortalecer sua base aliada, fica fácil entender como Tiririca está conectado à Presidente eleita Dilma Roussef. No artigo do dia 26/10 (Você já escolheu em quem votar para Presidente?) existe uma ilustração que mostra vários personagens do cenário político nacional e internacional que estão ligados ao presidente atual e à sua sucessora. O Deputado mais votado do país, claro, também está lá.

Assim como a presidente eleita Dilma, muitos dos seus aliados foram presos na luta contra a ditadura militar. Em 1979, alguns presos políticos da ditadura formaram a Falange Vermelha enquanto estavam encarceirados no presídio da Ilha Grande em Angra dos Reis/RJ. A Falange Vermelha foi a responsável pela criação do Comando Vermelho, uma das organizações criminosas mais poderosas do Rio de Janeiro. Entre os integrantes mais conhecidos desta facção estão Fernandinho Beira-Mar, Marcinho VP e Elias Maluco.

Elias Maluco é considerado ainda hoje um dos maiores traficantes de drogas e armas do Rio de Janeiro e do Brasil. Ele recebeu esse apelido pela crueldade com que assassinava seus desafetos. Ele é o principal acusado de seqüestrar, torturar e assassinar o jornalista Tim Lopes da Rede Globo. Antes de ser preso, Elias Maluco comandava o tráfico nas favelas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, ambas invadidas recentemente pelo Batalhão de Operações Especiais – o BOPE. Nessa mega-operação conjunta com as Forças Armadas, o BOPE prendeu, entre vários criminosos, a esposa de Elias Maluco e o traficante Elizeu Felício de Souza, o Zeu, seu braço-direito.

No artigo publicado em 19/10 (Você já assistiu ao filme Tropa de Elite 2?) essa ligação entre criminosos e políticos é abordada usando como referência a sequência do filme do diretor José Padilha. Em ‘Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro’ é mostrada de forma clara como funciona networking do crime, a estrutura de poder chamada de “o Sistema”. O Capitão Nascimento, agora promovido a Tenente-Coronel, está bem no meio de um duelo político. Ao mesmo tempo que ele usa o BOPE para livrar a população dos traficantes, ele cria sem saber o poder paralelo das milícias, que controla as favelas e financia campanhas políticas com as arrecadações do moradores e comerciantes das comunidades no Rio de Janeiro.

Apesar do Capitão Nascimento ser um personagem fictício, o ator Wagner Moura se inspirou em um personagem real – o ex-comandante do BOPE Ronaldo Pinto, que em meados dos anos 90 estava cansado do Batalhão e procurava um substituto. Para o cargo elegeu Rodrigo Pimentel, que conhecera anos antes durante o Curso de Operações Especiais. Rodrigo Pimentel foi um dos roteiristas da cinesérie Tropa de Elite e hoje é consultor de segurança e comentarista social da Rede Globo.

E por falar em Rede Globo, quem leu o artigo publicado em 21/09 (Qual é a distância entre você e qualquer outro profissional que atua no seu mercado?) já sabe que poucos graus de distância separam pessoas que atuam no mesmo mercado. Esse seguramente é o caso do ator Wagner Moura, do comentarista Rodrigo Pimentel e do cantor e humorísta Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como o palhaço Tiririca.

Para quem duvida, vamos usar como ponto de partida o ilustre humorista Chico Anysio, que comandou por várias décadas na Rede Globo o programa humorístico ‘A Escolinha do Professor Raimundo’. A Escolinha reuniu alguns dos maiores nomes do gênero, entre eles Tom Cavalcante, que interpretava o bebum João Canabrava. Depois de sair da Globo, o humorista ganhou um programa próprio na Rede Record – o Show do Tom, que conta com a participação de Tiririca. E assim voltamos onde começamos!

Como me disse certa vez uma amiga: “O mundo é pequeno, redondo e gira todos os dias. As pessoas vão passar na sua porta mais de uma vez”. Espero que em 2011 eu consiga continuar compartilhando com você como todos estão conectados nesse mundo!

6 de dez. de 2010

Posso te contar um segredo? Você promete que não conta para ninguém?

Quando alguém te faz essas perguntas, você normalmente concorda em guardar o segredo somente para você, mas na prática sua resposta deveria ser: “Depende”! Afinal de contas, vai depender do grau de relacionamento que você tem com quem te contou o tal segredo e o nível de confiança que você tem com as pessoas com quem você poderia compartilhar essa informação posteriormente.

Por exemplo, o seu chefe te confidencia uma informação estratégica da empresa sobre um projeto que você será o principal responsável. Animado com o novo desafio, você não vê problemas em contar a novidade para a sua esposa. Ela, por sua vez, também não vê impedimento algum em comentar, com orgulho, com a irmã no salão de beleza sobre as conquistas profissionais do marido. O problema está na cadeira ao lado, onde está sentada a esposa do presidente da empresa concorrente. Esta não perde tempo e liga na hora para o marido para contar o segredo empresarial que ela descobriu por acaso.

No caso acima, apenas cinco graus de distância separavam os executivos das empresas rivais. E o vazamento de uma informação sensitiva pode ser suficiente para arruinar o negócio de uma corporação de forma irreversível. É justamente para evitar que isso ocorra que grandes empresas possuem políticas e treinamentos para os seus funcionários sobre como lidar com informações confidenciais. Mesmo assim, no mundo corporativo existem diversos casos de segredos industriais que chegaram às mãos da concorrência, sendo grande parte deles por descuido de quem deveria guardar esses segredos acima de tudo.

Por definição, segredo é: uma informação valiosa, mas que se for tornada pública pode comprometer algo ou alguém, geralmente não podendo ser revelada a determinadas pessoas. A revelação de um segredo pode até ser confundida com fofoca ou intriga. Mas quando o conteúdo dessa informação é realmente importante, sua divulgação pode colocar uma pessoa, uma empresa ou até mesmo uma nação em risco. Esse é o caso dos documentos confidenciais que vêm sendo divulgados pelo WikiLeaks.

Para quem não conhece, o WikiLeaks é uma organização sem fins lucrativos, formada por intelectuais, ativistas, jornalistas, programadores, dissidentes políticos, matemáticos e tecnólogos de várias partes do mundo. Essa organização publica documentos, fotos e vídeos de fontes anônimas com informações confidenciais vazadas (daí o nome Leaks) de governos ou empresas. O site foi lançado em dezembro de 2006 e menos de um ano depois já continha 1,2 milhões de documentos.

Apesar do nome, o WikiLeaks não tem o mesmo conceito de um wiki, como o dicionário online Wikipedia, onde seus leitores podem editar o seu conteúdo do site. No caso do WikiLeaks, para postar algo, o usuário deve utilizar um software de comunicação especial, que embaralha os dados antes do envio visando preservar a privacidade dos seus colaboradores.

Entre os segredos já divulgados pela organização está um vídeo feito em julho de 2007 que mostrava civis iraquianos sendo mortos durante um ataque aéreo das forças militares dos Estados Unidos. Em julho do mesmo ano, o WikiLeaks divulgou uma compilação de quase 77 mil documentos secretos do governo americano sobre a Guerra do Afeganistão. Na semana passada começou a publicar uma série de telegramas secretos de embaixadas e do Governo norte-americano. Todos esses documentos divulgados causaram desde pequenos constrangimentos até crises políticas internacionais.

O mais interessante do WikiLeaks é o networking oculto que só forma em torno dele. A organização foi fundada pelo australiano Julian Assange, que, em teoria, é o único nome conhecido dessa instituição. Mesmo tendo apenas um ponto de contato nominal, segredos de toda parte do mundo chegam até às mãos dessa entidade, seja por mensagens encriptadas ou por contato pessoal com um dos membros ocultos dessa organização espalhados pelo mundo. Também de forma oculta, se forma uma rede de espiões, colaboradores anônimos que quebram os sigilos de orgãos governamentais. Acredita-se que muitos deles sejam “insiders”, funcionários dessas próprias instituições.

Por isso, antes de contar um segredo, saiba que dificilmente ele não será passado adiante. Como disse certa vez o inventor Benjamin Franklin – “Três pessoas podem guardar um segredo somente se duas delas estiverem mortas”.

26 de out. de 2010

Você já escolheu em quem votar para Presidente? Você sabe quem faz parte do networking do seu candidato?

A corrida pela sucessão presidencial chegou a sua reta final. As eleições do próximo Domingo definirão uma nova etapa da democracia brasileira. O novo Presidente escolhido pelo voto popular iniciará já na próxima semana a montar sua equipe, não só no Planalto, mas também nos Estados para acomodar todos aqueles que o apoiaram durante a campanha. Independente de quem for eleito, há muito o que ser retribuido. Não se ganha uma eleição sem alianças, acordos, apoios, conchavos, etc. Por isso, é muito importante saber quem são as pessoas que fazem parte do networking político do seu candidato. Serão essas pessoas, e consequentemente seus apadrinhados, que farão parte do novo governo.

O candidato José Serra do Partido Social da Democracia Brasileira (PSDB) tem uma carreira política bastante extensa e por isso já se aliou à várias lideranças partidárias enquanto cumpriu mandatos como prefeito, governador, deputado e senador. Também teve diversos aliados durante suas campanhas anteriores e atual. Dentro do próprio partido, as ligações mais fortes são com o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, o Governador reeleito do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, o Senador eleito por São Paulo Aloysio Nunes e, no passado, também com o ex-Governador do Estado Mário Covas. Serra e esses políticos estavam no grupo de dissidentes do PMDB que criou o PSDB como reação à insatisfação com o governo Sarney.

Em outros Estados, Serra conta com o apoio de lideranças importantes do País que também estão no PSDB desde a sua fundação, tais como Aécio Neves, Tasso Jereissati, Pimenta da Veiga e Teotônio Vilela Filho. Das alianças com outros partidos, a mais duradoura é com o Democratas (DEM), antigo Partido da Frente Liberal (PFL). O DEM possui raízes na política nordestina, de onde provém a maior parte de sua bancada, dentre eles o ex-vice-presidente da República Marco Maciel. Também se pode observar no DEM a presença de uma nova geração de líderes, sucessoras dos caciques do antigo PFL, tais como Rodrigo Maia, filho de César Maia; Antônio Carlos Magalhães Neto, que traz o legado do líder baiano; e Paulo Bornhausen, que dá continuidade à linhagem política paterna. No Democratas também estão o atual candidato à vice de Serra, Índio da Costa, assim como o atual prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab e o vice de Alckmin, eleito ao governo paulista Guilherme Afif Domingos.

Do outro lado da disputa está a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) e apadrinhada do atual Presidente, Dilma Roussef. Após oito anos ocupando o principal cargo do País, o PT costurou alianças fortes com o PMDB, além de coligações com partidos anões, tais como PR, PRB, PC do B e PT do B. Como os elos de Lula, Dilma e o PT não se limitam a poucas organizações políticas, gostaria de utilizar uma foto que recebi hoje de um amigo, que traz as fotos de vários personagens que mereceram destaque na Era Lula por ter algum relacionamento direto ou muito próximo com o Presidente Lula e consequentemente com a sua candidata.


Alguns personagens da foto acima são bastante conhecidos. Entre os líderes do PT, além de Lula, estão o ex-presidente nacional do PT José Genoíno, Antônio Palocci e o ex-Ministro-chefe da Casa Civil, que antecedeu Dilma Roussef, José Dirceu. Em destaque na foto também está Erenice Guerra, que sucedeu Dilma na Casa Civil. Das lideranças do PMDB se destacam o presidente do partido e atual vice na chapa de Dilma, Michel Temer, além do ex-Presidente da República José Sarney. Outro ex-Presidente com estreitos relacionamentos com Lula e Dilma é Fernando Collor de Melo.

Essa ilustração também destaca alguns líderes mundiais que passaram a ter relações com o Brasil na Era Lula, mesmo contra todas as pressões internacionais. São eles, Fidel Castro e seu irmão, atual Presidente de Cuba; Hugo Chavez, Presidente da Venezuela; Evo Morales, Presidente da Bolívia; e por último mas não menos amistoso, Mahmoud Ahmadinejad.

Para fechar o quebra-cabeças formado por esse networking político, está a peça que pode ser o fiel da balança nessas eleições – o Partido Verde (PV), liderado pela ex-Ministra do Meio Ambiente Marina Silva, terceira colocada no primeiro turno das eleições presidenciais. Apesar do PV não ter declarado apoio a nenhum dos dois candidatos que disputam o segundo turno, seus integrantes foram liberados a optar individualmente. O fato é que esses conchavos garantirão ao PV e aos seus integrantes cargos importantes no próximo governo, seja de quem for.

O mapa de relacionamentos acima dá uma visão macro de quem estará ao lado do seu candidato caso ele seja eleito. Agora cabe a você tomar a decisão correta e ajudar ao seu networking de amigos e colegas a votar consciente!

19 de out. de 2010

Você já assistiu ao filme Tropa de Elite 2? Sabe como funciona "o Sistema" de poder retratado no filme?

O filme “Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro” é um enorme sucesso! Já bateu recorde de bilheteria nacional com mais de 1,25 milhão de espectadores em seu primeiro final de semana. Você, que já assistiu à essa sequência de Tropa de Elite, percebeu que a estrutura de poder, chamada de “o Sistema”, é o ponto central da trama. Mas você entendeu bem como funciona essa rede de poder? Você que ainda não assistiu, também vai entender melhor aqui como o networking do crime está estruturado. Não se preocupe. Não vou contar que o “mocinho” morre no final (ops!).

Apesar de ser uma obra de ficção, os fatos retratados no filme certamente acontecem nas grandes cidades do país. Os acontecimentos dessa versão ocorrem treze anos após os do primeiro filme e mostra o crescimento do BOPE e os conflitos entre os policiais e milícias do Rio de Janeiro. O agora Tenente-Coronel Nascimento, interpretado mais uma vez brilhantemente por Wagner Moura, exerce uma função administrativa e está bem no meio de um duelo político. Ao mesmo tempo que ele usa a Segurança Pública para livrar a população dos traficantes de drogas e acabar com “o Sistema”, sem saber ele cria um poder paralelo – a milícia, que controla as favelas e financia campanhas políticas em todos os níveis com as arrecadações do moradores e comerciantes dessas comunidades no Rio de Janeiro.

Para que você entenda melhor como funciona “o Sistema”, precisa conhecer como está estruturado o Poder Executivo no Estado do Rio de Janeiro. Reportando ao Governador do Estado, existem diversos Órgãos, entre eles a Secretaria de Estado de Segurança (SESeg). Abaixo dela está a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), que é chefiada pelo Comandante Geral. A fim de descentralizar as ações do Comando-Geral da PMERJ, existem três Comandos subordinados a ele – o de Policiamento de Área (CPA), que coordenam os Batalhões de Polícia Militar; o Comando de Policiamento Pacificador (CPP) e o de Unidades Especializadas, que é o responsável pelo Batalhão de Operações Especiais, mais conhecido como BOPE. Também se reportando ao Comando-Geral está o Chefe de Estado Maior Geral (EMG), que tem entre suas responsabilidades a Seção de Inteligência, onde o Coronel Nascimento atua no filme.

Com uma estrutura organizacional tão complexa, subordinada ao Governo do Estado, fica mais fácil entender como “o Sistema” pode ser sustentado. De acordo com o “mundo fictício” retratado no filme, o Batalhão de Polícia responsável pelo patrulhamento da Zona Oeste, região com grande concentração de favelas na cidade do Rio de Janeiro, é comandada por alguns policiais corruptos. Esses PMs recebem uma parte dos lucros dos traficantes para deixá-los “trabalhar” sem serem incomodados da polícia. Essa arrecadação ilegal é então distribuída para “o Sistema”, ou seja, para todos os níveis da estrutura organizacional, incluindo o Governo do Estado e Deputados Estaduais aliados, que são eleitos por essa população carente.

Quando o BOPE ganha poder, mais equipamentos e armas, consegue praticamente exterminar o tráfico de drogas nas favelas “gerenciadas” por esse Batalhão. Só que, ao invés de quebrar “o Sistema”, esses policiais descobrem que eles podem ganhar muito mais protegendo a população contra os traficantes do que eles já ganhavam protegendo os traficantes da polícia. É então criada a milícia – policiais corruptos, encobertos por seus superiores para que continuem arrecadando dos moradores das favelas, e assim, sustentar os políticos ligados a esse “Sistema”. O Comando-Geral, a pedido do Governador e do Secretário de Segurança Pública, então utiliza sua rede para facilitar o crescimento da milícia. Ele dá ordens ao BOPE para invadir uma favela ainda dominada por traficantes.

É aí que a trama cruza com outra rede, essa do bem, centralizada no personagem Diogo Fraga, interpretado pelo ator Irandhir Santos. Fraga era defensor dos Direitos Humanos e se elegeu Deputado Estadual graças a uma ação mal-sucedida do BOPE, então comandado pelo Capitão Nascimento. Coincidências a parte, Fraga também se casou com Rosane, ex-mulher de Nascimento, e criou Rafael, o filho dela com o ex-Capitão do BOPE. O Deputado Fraga faz oposição ao Governo e investiga o financiamento ilícito das campanhas eleitorais para reeleição do governador e dos seus candidatos aliados. Quando uma jornalista descobre o networking do crime por trás do “Sistema”, Fraga e Nascimento trabalham juntos para desmascarar todos os envolvidos.

Se você ainda não assistiu, vale a pena conferir como essas redes de relacionamento se intercalam e se confundem. Para quem já curtiu Tropa de Elite 2, sabe até onde essa rede de poder já chegou. Isso nos faz pensar muito!

12 de out. de 2010

Você consegue contar quantos amigos você tem? Com quantos você pode contar?

Se você nasceu depois de 1980 deve ter respondido que SIM, você consegue contar quantos amigos você tem. É simples! Basta somar todos os seus contatos que você tem no Facebook, Orkut, Twitter, MySpace, entre outras centenas de redes sociais existentes. Seguindo essa fórmula, é fácil somar 200, 300, ou até 500 amigos na sua rede de relacionamentos.

Mas se você, assim como eu, não pertence a geração Y, vai ter dificuldade para contar a quantidade de amigos que tem. Depois de puxar pela memória todas as pessoas que passaram pela sua vida e as que realmente fizeram a diferença e também, depois de rever o conceito verdadeiro de amizade, é capaz que responda que você não tem mais do que 5 amigos. Mas como explicar que os mais jovens têm muito mais amizades do que aqueles que já tiveram muito mais relacionamentos nessa vida?

A explicação para a diferença entre esses dois grupos está na segunda pergunta. Com quantos amigos você pode contar? Ter 500 amigos no Facebook não significa nada quando você realmente precisa de um amigo de verdade. Experimente divulgar para a sua rede de 500 amigos que você foi demitido e precisa de ajuda para se recolocar. O máximo que vai receber são duas ou três mensagens de solidariedade ou frases motivacionais. Dificilmente um deles vai te ligar, pedir seu currículo e finalmente encaminhar seu CV para as outras centenas de amigos dele.

Como as pessoas mais velhas já passaram por essa dolorosa experiência, muito antes do surgimento do fenômeno das redes sociais, elas sabem com quem podem contar e também sabem que dá para contar o número de amigos na palma das mãos. Mas é claro que quem nunca passou por isso acha que a realidade atual é outra. Os seus “seguidores” te idolatram. Você é o cara mais legal e popular que eles conhecem. Você está seguro de que quase todos os seus amigos estarão lá para o que der e vier. Afinal, uma mão lava a outra. Puro engano!

Infelizmente as redes sociais nos fazem acreditar que estamos cercados de amigos. Afinal de contas eles estão ali, a apenas um clique de distância. Você acompanha de perto e diariamente os passos deles. Sabem do que eles gostam, que lugares frequentam, que time torcem, quais são suas ideologias políticas e opções sexuais. No passado nós não tínhamos tanto acesso à informações como agora, por isso não podíamos contar com esses amigos como podemos hoje. Puro engano 2!

Muita gente se questiona se as redes sociais vieram para ficar. Os que acreditam que sim já quebraram alguns paradigmas e se entregaram a essas comunidades virtuais para aproximar as pessoas. Algumas instituições de ensino nos Estados Unidos, por exemplo, já aposentaram o tradicional álbum de formatura, que trazia apenas a foto e o nome completo do formando, e o substituiram por uma página no Facebook. Algumas empresas já criaram redes sociais internas, onde funcionários podem se conhecer melhor através de perfis e posts dos colegas de trabalho. De quebra, essas redes também tornou obsoleto o uso do email.

As redes sociais estão tão presentes no cotidiano dos jovens que eles, quando se conhecem, não trocam mais números de telefone ou endereços de email. É mais comum você escutar: “Vou te seguir no Twitter” ou “Vou te add no Facebook”. Certamente essas expressões foram muito usadas no SWU Music and Arts Festival – o mega-evento realizado em uma arena de 200 mil metros quadrados na cidade de Itú, no interior de São Paulo. Além de shows de mais de 70 bandas em três dias, o público de mais de 150 mil pessoas pode participar do Fórum Sustentável, onde especialistas, pensadores, políticos, empresários e representantes de ONGs discutiram vários temas relacionados a sustentabilidade.

Interesses em comum pela música e/ou pela sustentabilidade aproximaram essas pessoas. Milhares de novas amizades foram feitas. Daqui a algum tempo você conseguirá contar quantos amigos você fez no SWU. A pergunta que fica é: “Com quantos você poderá realmente contar?!?!”

5 de out. de 2010

O que está por trás do “fenômeno Tiririca”? No que você se tornou por votarem em um palhaço?

A eleição do palhaço Tiririca a uma das vagas à Câmara dos Deputados já era dada como certa pelas pesquisas. A justificativa dada pelos seus eleitores também era conhecida. Fora um voto de protesto! Mas o fato desse candidato ter sido o mais votado em todo o país, superando inclusive o número de votos do candidato à Presidência Plínio de Arruda Sampaio, foi o que causou a maior repercussão negativa. Para os paulistas, ficou a vergonha de ter eleito uma pessoa analfabeta e claramente sem preparo político para uma função tão importante. O problema maior foi a repercussão mundial. Os principais meios de comunicação de todo o mundo divulgaram a vitória do candidato-palhaço e enalteceram com isso a ignorância do povo brasileiro no exercício da democracia.

Mas, afinal de contas, o que está por trás da eleição de Tiririca? Por que ele teve tanta exposição na mídia? De onde veio tanto dinheiro para promover sua campanha? A resposta está no chamado network político. As coligações que são feitas por grandes partidos com os nanicos tem o objetivo de aumentar a representação da bancada aliada na Câmara e no Senado. No caso de Tiririca, a coligação foi formada por PR - PRB / PT / PR / PC do B / PT do B. Desses todos, apenas um partido é grande e tem recursos para arcar com a campanha de Tiririca. Esse partido também tem o que ganhar com essa votação expressiva. Pouca gente sabe, mas o número de candidatos eleitos por um partido ou coligação é determinado pelo quociente eleitoral.

Para calcular os candidatos eleitos por um partido ou coligação, é preciso dividir o número de votos válidos (21.317.327) pelo número de cadeiras disponível (70) para o Estado. O quociente eleitoral, que é uma espécie de nota de corte, foi de 304.533 votos. Divide-se então o número de votos de Tiririca pelo quociente. Como ele recebeu 1.353.820 votos, essa coligação ganhou quatro cadeiras na Câmara, sendo a dele própria e a de outros três candidatos que não conseguiriam chegar lá sozinhos. Portanto, o maior partido da coligação ganhou, as custas de um palhaço, quatro representantes fiéis na base aliada para aprovar, sem questionamentos, os projetos de seu interesse.

O “coelho-eleitoral” Tiririca trouxe junto com ele os candidatos a Deputado Federal Otoniel Lima, do PRB, Protógenes Queiroz, do PC do B, e Vanderlei Siraque, do PT. Esses três não tiveram mais do que 100 mil votos, ou seja, menos de um terço do quociente eleitoral. Portanto, esse network político trouxe ao poder pessoas que não teriam chegado lá por seus próprios méritos. Além disso, eles gozarão de alguns benefícios bastante interessantes, tais como uma verba mensal de R$200.000 (Duzentos mil reais) para pagar o seu salário e de mais 25 assessores parlamentares, nomeados sem concurso e sem qualquer qualificação. Isso sem falar nas ajudas de custo com moradia, alimentação e viagens. O benefício maior, entretanto, é intangível. A famosa imunidade parlamentar, que garante a esses políticos direitos exclusivíssimos, acima do bem e do mal!

Para citar o que esse benefício representa, vamos analisar o perfil de dois candidatos eleitos na cola de Tiririca. O ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz foi o responsável pelas investigações da Operação Satiagraha, que prendeu em 2008 o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas por supostos crimes financeiros. Ele acabou afastado da investigação e virando alvo de inquérito da Polícia Federal. A suspeita é de que ele usou agentes da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) irregularmente. Posteriormente, acabou demitido do cargo e ainda está sob investigação da Polícia Federal.

Contra Vanderlei Siraque pesa a denúncia que, quando era deputado estadual pelo PT de Santo André, utilizou serviços públicos, pagos com dinheiro dos cidadãos, para fins pessoais, o que é considerado ato de improbidade administrativa por especialistas. De acordo com a investigação, o então parlamentar petista pagou a festa do seu aniversário de 50 anos com verba da Assembleia Legislativa. Em 2009, Vanderlei Siraque gastou R$ 236,9 mil com locação e manutenção de imóveis, serviços gráficos, materiais de escritório, combustível e manutenção do veículo oficial, contratação de pesquisas e consultorias, assinatura de revistas e jornais, hospedagem, alimentação, celular, dentre outras coisas. Tudo pago pela Assembleia.

Por mais que as investigações terminem por concluir a culpa desses políticos, a imunidade parlamentar não permite que sejam julgados e condenados pelas Leis aplicadas à cidadãos comuns, como eu e você. Tudo isso, associado à votação em massa para um candidato analfabeto, provoca em nós uma sensação enorme de injustiça. Mas como estamos do lado de fora desse network político, não podemos fazer nada a não ser lamentar pelos milhares que votaram no palhaço e nos fizeram se sentir como um deles!

21 de set. de 2010

Qual é a distância entre você e qualquer outro profissional que atua no seu mercado?

Todo e qualquer mercado profissional é composto por pessoas que não estão tão distantes entre si quanto imaginam. Por maior que um segmento empresarial possa parecer, a quantidade de profissionais que atuam nele é bastante reduzida. Escolha qualquer mercado – o de tecnologia, o do agronegócio, o petroquímico, o da política, o meio artístico. Seja qual for o mercado em que você atua, pode ter certeza que os demais profissionais nele presente estão a poucos apertos de mão de você.

Vamos explorar o futebol brasileiro como exemplo. Qual é a distância entre o Pelé, maior jogador de todos os tempos, e o atacante Leandro Amaral, que já atuou nos principais clubes paulistas e cariocas e joga atualmente no Flamengo? Eles estão separados por apenas uma pessoa, Carlos Alberto Parreira. Preparador físico na Copa de 1970, Parreira trabalhou com os craques que conquistaram o tri-campeonato mundial para a Seleção Brasileira de futebol. Depois de quase 40 anos de profissão, Parreira comandou o Fluminense no ano passado, que tinha Leandro Amaral no ataque.

Se você analisar o currículo profissional de Carlos Alberto Parreira, dá para imaginar a quantidade imensa de profissionais desse esporte com quem ele tem contato direto. Além de preparador físico da seleção brasileira nas Copas de 1970 e 1974, dirigiu em Mundiais as seleções do Kuwait, dos Emirados Árabes, do Brasil e da Arábia Saudita. Em 2003, reassumiu a seleção brasileira. Trabalhando bem próximo à Parreira, por mais de 4 décadas, está Mário Jorge Lobo Zagallo. Como jogador, Zagallo disputou duas Copas do Mundo e como treinador, foi o único a dirigir o Brasil em três Copas. Também foi coordenador da seleção em 1994 e em 2006. Pela bagagem que esses dois profissionais tem nesse mercado, podemos afirmar então que todos as pessoas que trabalham com futebol profissional no Brasil não estão muito distantes entre si.

O mesmo podemos afirmar do mercado da teledramaturgia brasileiro. Nessa semana foi comemorado os 60 anos da TV no Brasil. Uma festa realizada no sábado passado em São Paulo reuniu grandes nomes do meio artístico. Entre eles, o grande ator, diretor e dublador Lima Duarte, que trabalha nessa indústria desde o início. E qual seria a distância desse ícone das telenovelas para o canastrão Márcio Garcia. Essa é fácil. Eles estão diretamente ligados. Márcio interpretou Bahuan na novela global Caminho das Índias em 2009, que era filho de Shankar, personagem de Lima Duarte. Então também podemos afirmar que, virtualmente, todos os profissionais da teledramaturgia estão ligados entre si por apenas poucos apertos de mão. Claro que sim!

No Brasil não temos um banco de dados tão completo e organizado como nos Estados Unidos. O site The Internet Movie Database (www.imdb.com) guarda o histórico de todos os filmes já rodados naquele país e os atores que neles atuaram. Com essas informações, é possível conhecer com exatidão qual é a distância que separa qualquer profissional de Hollywood. Por exemplo, qual seria a ligação do mestre do suspense Alfred Hitchcock e o ator Kevin Bacon? Hitchcock trabalhou em “Show Business at War” em 1943 com Orson Welles. Este atuou no filme “A Safe Place” de 1971 com Jack Nicholson, que contracenou com Kevin Bacon em “A Few Good Men” em 1992.

Kevin Bacon, por sinal, é o melhor exemplo de como todos estão ligados entre si no mundo chamado Hollywood. Em uma brincadeira, três estudantes do Estado Americano da Pennsylvania em 1994 tentaram provar que o ator Kevin Bacon era o centro do universo hollywoodiano. Utilizando o banco de dados do IMDB, eles conseguiram provar que mais de um milhão de atores, de qualquer estilo de filmes e de todos os tempos, estavam de alguma forma ligados a esse ator inexpressivo. Essa brincadeira ganhou projeção nacional e logo virou um site chamado de Oráculo de Bacon (http://oracleofbacon.org). Nesse site você consegue simular todas as ligações possíveis e até as inimagináveis.

Foi então criado o conceito do Número Bacon, que é a média com que cada profissional do cinema se ligava a este ator. O número de Kevin Bacon é 2,970. Isso significa que, na média, ele pode chegar a qualquer um dos mais de um milhão de atores com no máximo três contatos. O Número Bacon demonstra fatos curiosos. Mel Blanc, cujo nome é totalmente desconhecido do grande público, tem muito mais atuações que Bacon. Ele era a voz dos mais conhecidos personagens de desenho animado, tais como Pernalonga, Pica-pau, Patolino, Gaguinho, Tom & Jerry, Barney Rubble, Capitão Caverna, Taz, Hardy, etc. Mel tem o número 3,208, ou seja, está quase a mesma distância de Bacon dentro desse universo. Jenna Jameson, considerada a “Rainha do Pornô” e que já ganhou mais de 20 prêmios da indústria pornográfica, tem o número médio 3,291. Curiosamente, tanto Mel Blanc como Jenna Jameson estão ligados a Kevin Bacon por apenas um amigo em comum.

Vamos aplicar os exemplos de Mel e Jenna a outro mercado, como o de tecnologia. Esse é um mercado imenso, que inclui fabricantes, prestadores/operadoras de serviços, distribuidores, revendedores, seja de hardwares ou de softwares, etc. Aí temos diversas áreas, tais como Tecnologia da Informação, Telefonia Móvel ou Fixa. Supondo então que Kevin Bacon fosse um diretor de TI em um banco, Mel Blanc fosse um técnico de campo de um fabricante de centrais telefônicas e Jenna Jameson uma gerente de uma operadora de telefonia celular. É muito provável que eles estejam distantes entre si através de alguns poucos contatos. Você duvida? É só se lembrar quantas “coincidências” você já encontrou no seu mercado. Amigos em comum que você nem imaginava que eles se conheciam.

A má notícia para você é que qualquer deslize na sua carreira será de conhecimento de todos naquele mercado. Por outro lado bom, se você é um profissional competente, seus méritos também abrirão muitas portas. Exercite seu networking e esteja bem conectado aos principais profissionais do mercado!

31 de ago. de 2010

O que você sabe sobre quem você vai votar nas próximas eleições?

Como já diziam nossos pais: “Diga-me com quem andas e eu te direi quem és”. E é na política, mas do que em qualquer outra área, que esse ditado popular faz mais sentido. Afinal, uma das definições do substantivo “política” é a habilidade de alcançar objetivos através de relações humanas. E para saber o que esperar de um candidato, é muito importante saber quais são as relações interpessoais que marcaram sua vida pública. Em outras palavras, é sabendo com quem um político anda (ou já andou) que podemos dizer quem ele é (ou será)!

Daqui a pouco mais de um mês teremos eleições para Deputado Estadual, Deputado Federal, Senador, Governador e para Presidente. Serão essas pessoas que lutarão por nossos direitos e definirão o nosso futuro. Apesar da importância das funções que esses candidatos ocuparão, nós eleitores não dedicamos a devida atenção para esse assunto. Ao invés de discutir o tema com seriedade, é mais comum ouvir os eleitores achando graça dos candidatos aventureiros e totalmente desqualificados para assumir cargos tão importantes.

O horário político e as propagandas partidárias mostram apenas o que convém para os candidatos. Por outro lado, as campanhas adversárias tendem a exagerar nas críticas aos seus oponentes. Já as mídias de massa, até por falta de espaço, se limitam a noticiar somente os fatos relevantes do presente, omitindo os relacionamentos passados daquele político. Como obter então o histórico do seu candidato? Como saber com quem ele se relacionou na sua vida pública até o momento? Serão esses “amigos” do passado que provavelmente vão o influenciar, assessorar e até ocupar cargos de destaque em seu futuro mandato.

Os meios digitais estão fazendo uma grande diferença nessas eleições. Praticamente todos os candidatos, principalmente aos cargos do Executivo, possuem alguma forma de interação com seus eleitores, seja por redes sociais, blogs ou salas de bate-papo. Além disso, várias ONGs fazem trabalhos investigativos e de acompanhamento da carreira política dos candidatos, tal como a divulgação dos barrados pelo Projeto Ficha Limpa. Da mesma forma que fazíamos na época de escola, devemos nos aprofundar nas pesquisas, se aproveitando do fácil acesso online ao histórico de quem nos representará. Só assim você conhecerá a fundo quem merece seu voto para cada um desses importantes cargos públicos.

Mas você já está muito descrente da política. São tantos escândalos, tantas investigações que não dão em nada. Do que adianta ter tanto trabalho para conhecer melhor seu candidato, se aqueles envolvidos em corrupção vão continuar recebendo votos das pessoas que não farão essa lição de casa? As estatísticas mostram que você é voto vencido! O Brasil tem 136 milhões de eleitores. Menos de 40 milhões de pessoas tem acesso regular à Internet. A Revista Veja, que tem a maior tiragem do país, tem pouco mais de um milhão de assinantes. O jornal impresso com maior tiragem, a Folha de São Paulo, tem um terço dessa tiragem. Portanto, o acesso a informação imparcial e de qualidade é um privilégio de poucos. Entretanto, quem tem informação, tem poder! Nesse caso, o poder do networking é que pode fazer toda diferença.

Se apenas 1.000 pessoas fizeram uma pesquisa detalhada sobre seus candidatos e se comprometerem a divulgar suas descobertas à 50 pessoas, já seriam 50 mil pessoas com o mesmo nível de informação qualificada. Com mais pessoas se empenhando nessa tarefa, é possível chegar facilmente a 300 mil votos. Isso já será suficiente para eleger um Deputado Estadual em São Paulo. Se essas 50 pessoas repassarem a informação adiante para outras 50 e assim por diante, praticamente todos os eleitores do país teriam sido instruídos em apenas três conversas!

Portanto, seu papel como pessoa bem informada, disseminadora de conhecimento e formadora de opinião é a de “vender” sua pesquisa nos próximos 30 dias. É contar àqueles com menos acesso à informação tudo o que você sabe sobre política e sobre quem vive dela. Elas precisam saber o que estão perdendo por eleger o candidato mais engraçado, o mais bonito ou o mais “povão”. Além de falta de qualificação para atuar no Executivo ou no Legislativo do nosso país, esses políticos também podem ter péssimas companhias. Por isso, diga a todos com quem eles andam, para que saibam quem eles realmente são!