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5 de out. de 2012

Sabia que o principal critério para a escolha do vereador é o network?

NOTA: Esse texto NÃO promove nenhum candidato e nem tem o objetivo de direcionar votos.


Há 6 meses você soube aqui pelo blog Network-4-Sales qual é o motor que move a política e os políticos (http://network4sales.blogspot.com.br/2012/04/voce-sabe-qual-e-o-motor-que-move.html). Agora, faltando poucos dias para a eleição municipal, é importante ressaltar a importância que o network tem nesse processo democrático.

No próximo domingo, dia 07/10, quase 140 milhões de eleitores terão o importante papel de eleger nossos representantes nos poderes Executivo e Legislativo.  Só para vereador, no Brasil, são aproximadamente meio milhão de candidatos que disputam uma cadeira nas 5.500 câmaras municipais desse país. São 57 mil vagas a vereador para defender os interesses da população; tais como  fiscalizar os gastos da prefeitura, desenvolver leis e projetos que atendam as necessidades da população.

Talvez você não saiba, mas as cidades com mais de 8 milhões de habitantes poderão ter até 55 vagas para esse emprego dos sonhos. É uma profissão tão interessante que só na cidade de São Paulo, 53 dos 55 vereadores atuais tentarão a reeleição no pleito desse final de semana. Para bancar todas as mordomias que esse representante do povo tem, todos nós gastamos com um único parlamentar municipal até R$ 360 mil em apenas um ano. 

Agora que você já sabe que esse emprego é tão bom, que a concorrência por uma dessas cadeiras é tão alta, e que esses políticos dependem do seu voto para chegar lá; você não acha importante pensar bem para quem você vai dar esse empregão no parlamento municipal? Quais são os critérios que você vai utilizar para escolher o seu candidato à vereador? Se você não sabe por onde começar, aqui está o principal critério – o Network!

Uma das principais funções desses políticos é a de ser o intermediário entre o poder Executivo e o povo. O primeiro é representado pela figura do prefeito. Já o povo é representado pelas entidades de classe, associações, comunidades, organizações não-governamentais, entre outros grupos de pessoas que defendem os interesses de uma coletividade. Você, enquanto cidadão, mesmo sem se dar conta, está inserido em pelo menos um desses grupos.

Esse é, portanto, o primeiro network que você deve identificar antes de decidir em quem votar. Afinal, a força que esses grupos têm para eleger um vereador é o que fará com que esse funcionário público zele pelos interesses coletivos de quem o nomeou. Pensando em termos práticos, se você mora em uma comunidade e espera por melhorias viárias ou de saneamento, você precisa saber quais candidatos olharão para essa comunidade depois de eleitos.

Só que uma andorinha só não faz verão! Votando sozinho, você não conseguirá cobrar essas melhorias do seu vereador. Entretanto, se você estiver alinhado com a decisão de um grupo de pessoas que estará apoiando tal candidato, todos terão representatividade política. Cabe a você, então, descobrir quem são as pessoas da rede de relacionamento da sua região, bairro, vizinhança ou condomínio. Uma vez identificado esse network, você deve entender o que levou esse grupo a apoiar esse ou aquele candidato.

O segundo e mais importante network a ser considerado em uma eleição é a rede de relacionamento do próprio candidato. Quem está patrocinando a campanha dele? A quem ele deve fidelidade partidária? Você deve tomar cuidado especialmente com aqueles candidatos  famosos, caricatos ou engraçados. Pelo seu carisma, recebem votos como o reconhecimento pela sua carreira fora da política ou mesmo como forma de protesto dos eleitores. Esse tipo de candidato é conhecido como “coelho-eleitoral”, pois traz na sua cola outros políticos sem o mesmo gás.

Como você leu aqui no blog Network-4-Sales, esse foi o caso do palhaço Tiririca, que foi um dos Deputados Federais mais votados na última eleição para a Câmara Federal  (http://network4sales.blogspot.com.br/2010/10/o-que-esta-por-tras-do-fenomeno.html). Votando no “coelho-eleitoral” de uma determinada legenda ou grupo partidário, você poderá eleger outros vereadores em que você jamais votaria. Isso ocorre por causa do chamado coeficiente eleitoral, onde se reúne todos os votos dos vereadores de cada partido e faz-se uma divisão de vagas para cada legenda.

Fica a dica! Nesse domingo, pense primeiro no network e depois no network. Primeiro o do grupo que o representa e depois naquele que apoia o seu candidato. Por isso, pesquise, estude e pondere. Esse emprego vale por 4 anos e custa muito, não só no bolso como no futuro de todos nós. Vote consciente!

3 de abr. de 2012

Você sabe qual é o motor que move a política e os políticos?

Os resultados das últimas eleições não deixam dúvidas. No Brasil, um candidato que almeja ingressar na vida pública não precisa de experiência anterior comprovada, de um currículo profissional impecável, e muito menos de bagagem acadêmica privilegiada. Entretanto, se este candidato quiser ser bem sucedido na carreira política, uma habilidade em especial deverá ser bem desenvolvida - o networking.

O que vai determinar o futuro de um político é a maneira como ele trabalha sua rede de relacionamentos. Em nenhum outro ambiente profissional a máxima "você é quem você conhece" é tão verdadeira. Mas "conhecer" apenas não basta. O político precisa entrar no círculo de confiança dos seus colegas de profissão. E essa tarefa é tão importante que muitos acabam dedicando mais tempo para construir alianças do que efetivamente trabalhando em projetos que defendam os interesses dos seus eleitores. Isso se justifica já que, se ele não conseguir montar rapidamente uma rede efetiva de contatos, dificilmente conseguirá levar adiante seus projetos no Legislativo. Se o político não conseguir apoio dos seus aliados, não vai conseguir mostrar serviço para quem o levou até lá, e consequentemente, jamais será eleito novamente e terá decretado o fim prematuro da sua trajetória política.

Que fique claro que não existe problema algum no exercício do networking entre os colegas de trabalho. O problema está no que vem com o tempo. Quando os políticos percebem que eles valem tanto quanto sua rede de "amigos", esse Valor se converte em Poder. E o Poder pode acabar corrompendo o político. Percebendo sua importância dentro dessa teia política, ele pode cobrar "pedágio" para ajudar outros companheiros a chegar aonde precisam. Mas vamos pensar que essa prática é a exceção e vamos explorar alguns exemplos para mostrar o poder que o networking tem dentro da política.

Um Vereador com boas conexões em seu município pode ser ajudado pela base aliada para se tornar Deputado Estadual. Fazendo conexões ainda melhores nessa esfera, pode logo ser catapultado para o Planalto Central. Nesse nível do Poder, o networking passa a ser ainda mais estratégico. Dependendo com quem ele se associa, pode chegar até a diretoria de uma agência reguladora ou de uma estatal, à uma posição de destaque em uma Secretaria, ou até mesmo em um Ministério. (saiba mais no texto "O que é preciso para ser Ministro de Estado no Brasil?" em http://network4sales.blogspot.com.br/2011/01/o-que-e-preciso-para-ser-ministro-de.html)  

Para deixar ainda mais claro o peso que o networking tem dentro da carreira política, vamos comparar um executivo de uma empresa privada e um homem público quando ambos têm a oportunidade de subir um nível dentro da estrutura organizacional a que estão inseridos. Em uma corporação, um executivo precisa participar de um processo seletivo rigoroso, onde são avaliadas não só suas conquistas passadas como sua capacidade e competência para enfrentar o novo desafio. Já o político que está prestes a ser nomeado a um cargo público precisa ter, antes de mais nada, um padrinho bem influente, que ele certamente conquistou ao longo de anos de networking. Quando assumi tal cargo, o nomeado pode até se mostrar competente para exercer o posto, mas jamais terá plena autonomia sob suas decisões uma vez que sempre terá que atender em primeiro plano os interesses do seu padrinho político.

Se você ainda duvida que o networking é o motor que move a política no nosso País, comece a observar a partir de hoje como ocorrem as sucessões nos cargos públicos mais estratégicos. Da próxima vez que um político desocupar uma posição, seja por ter sido afastado por corrupção ou seja por vontade própria, observe quem assumirá sua vaga. Em geral será alguém do mesmo partido que tenha sido indicado e previamente aprovado pelas lideranças dos partidos aliados.

Engana-se quem pensa que isso é uma exclusividade do Poder Legislativo. O networking também é o que move todos os políticos no Poder Executivo. Um político que almeja chegar à Prefeito, Governador e até mesmo Presidente só conseguirá se candidatar e concorrer às eleições se contar com o apoio de uma enorme rede de "patrocinadores", que precisam estar seguros que este candidato atenderá seus interesses políticos e eventualmente privados. Não importa se o político é de direita ou de esquerda. Todos eles têm a chamada "agenda política".

Por isso, antes de votar nas próximas eleições, procure saber quem está enchendo de combustível e lubrificando o motor do seu candidato. É você quem vai pagar essa conta depois! 

23 de jan. de 2011

O que é preciso para ser Ministro de Estado no Brasil?

Uma das primeiras atribuições de Dilma Rousseff no seu primeiro dia útil na Presidência da República foi empossar os 37 Ministros de Estado que formam o Poder Executivo e que a ajudarão a governar o Brasil nos próximos quatro anos. Ocupar um desses ministérios é uma das funções mais importantes do país.


Como acontece quando procuramos emprego, para conseguir uma boa posição precisamos apresentar um bom currículo educacional, qualificação técnica e experiência comprovada. É de se esperar então que os profissionais escolhidos para os cargos de Ministros de Estado sejam os mais preparados para ocupar suas pastas, certo? Infelizmente não! Então, o que é preciso para ser Ministro no Brasil? A resposta, via de regra, é o networking!

Prova de que o networking é o critério mais utilizado nas nomeações é a quantidade de Ministros filiados aos partidos que compõem a base aliada do Governo. Dos 37 ministros, 17 são filiados ao PT, 6 ao PMDB e 2 ao PSB. Os aliados nanicos PP, PDT, PR e PCdoB ficaram com uma pasta cada um. É sabido que as alianças partidárias, os conchavos políticos, são feitos antes das eleições com a contrapartida de nomeações futuras em diversos níveis do Poder Executivo.

Vamos citar alguns exemplos evidentes de networking nas nomeações para chefiar os ministérios de Dilma. O novo Ministro da Casa Civil Antônio Palocci (PT) é um antigo conhecido no cenário político brasileiro. Ele foi Ministro da Fazenda do governo Lula e deixou a pasta por causa do escândalo do "Mensalão". Palocci volta ao governo no mesmo posto ocupado por Dilma antes de ser eleita Presidente. Ele foi um dos coordenadores da campanha e sempre esteve próximo de Lula e do PT mesmo depois do seu afastamento.

Outro político que participou ativamente da campanha de Dilma foi o secretário-geral do PT José Eduardo Cardozo. Advogado e Deputado Federal por dois mandatos, Cardozo foi nomeado para ser o Ministro da Justiça. O novo Ministro de Ciência e Tecnologia também não tem as qualificações ideais para ocupar essa pasta. Aloizio Mercadante (PT) é economista e ganhou o cargo como prêmio de consolação depois de ser derrotado nas eleições para o governo paulista em 2010.  

Competência também não é um dos critérios utilizados na escolha de Ministros de Estado. Fernando Haddad (PT), que assumiu o Ministério da Educação em 2005 foi mantido no posto mesmo após dois episódios de má gestão relacionados ao Enem. O programa Prouni (Universidade Para Todos) perdeu credibilidade e milhares de estudantes foram prejudicados com esses eventos.

Mesmo chegando ao poder através do networking, existem casos de Ministros não técnicos que mostram competência a frente de suas pastas em gestões anteriores. Esses são os casos de Guido Mantega (PT), que foi mantido no cargo de Ministro da Fazenda que ocupa há cinco anos. Sob sua gestão, a economia brasileira cresceu de forma consistente. O Ministro dos Esportes Orlando Silva (PCdoB) também foi mantido na pasta e traz no seu currículo a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, e a conquista dos direitos para sediar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil e os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

Como toda regra tem exceção, pelo menos quatro Ministros possuem sim qualificação para ocupar esses cargos importantes. Esse é o caso do novo Presidente do Banco Central, Ministro Alexandre Tombini, que é funcionário dessa instituição desde 1995, onde trabalhou na formulação do regime de metas de inflação. A Ministra da Cultura Ana de Hollanda é irmã do compositor Chico Buarque de Hollanda e foi diretora do centro de música da Funarte. Izabella Teixeira, nova Ministra do Meio Ambiente, é bióloga com doutorado em Planejamento Ambiental e funcionária de carreira do Ibama desde 1984. O Ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota foi embaixador do Brasil em Washington, e por isso tem boas relações com autoridades norte-americanas.

Qualificados ou não, merecedores ou não, ser Ministro de Estado é um emprego importante e muito bem pago. Eles recebem o teto salarial do Executivo (R$ 26.723,13) e ainda têm todas as despesas bancadas pelo governo, tais como moradia, alimentação, transporte, serviços médicos, segurança, escritórios regionais, etc. Além disso, os Ministros podem aumentar a remuneração mensal com a participação em conselhos de empresas estatais. Quando chefiava a Casa Civil, por exemplo, Dilma Rousseff dobrava o seu salário por participar dos conselhos da Petrobrás e da BR Distribuidora.

Então, se um dia você quiser uma “boquinha” dessas, é bom começar a trabalhar seu networking hoje mesmo!

26 de dez. de 2010

Retrospectiva 2010: Como todos estão conectados: Tiririca -> Dilma -> Elias Maluco -> Capitão Nascimento -> Tiririca

Desde a criação do blog Network-4-Sales há poucos meses, já abordei os mais diversos temas, tais como política, cinema, crime organizado, etc. Nesses artigos sempre enfatizei como as pessoas estão conectadas entre si. Nesse artigo o desafio é fazer uma retrospectiva mostrando como todos esses temas também estão conectados entre eles. Para demonstrar isso, escolhi alguns personagens que se destacaram ao longo de 2010. Aqui você vai saber como o palhaço Tiririca está ligado à Presidente eleita Dilma Roussef; como esta pode ser ligada ao traficante Elias Maluco; como este ao Capitão Nascimento do BOPE e como este último se conecta novamente com Tiririca.

Começamos com Tiririca, o Deputado Federal eleito com maior número de votos nas últimas eleições. No artigo publicado aqui neste blog no dia 05/10 (O que está por trás do fenômeno Tiririca?) é explicado como funciona o chamado networking político. O candidato recebeu mais de 1,3 milhão de votos e, graças ao quociente eleitoral, levou para a Câmara dos Deputados outros três candidatos que faziam parte da coligação liderada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) com vários partidos nanicos.

Agora que você já sabe como o partido fundado pelo Presidente Lula usou essas manobras políticas para fortalecer sua base aliada, fica fácil entender como Tiririca está conectado à Presidente eleita Dilma Roussef. No artigo do dia 26/10 (Você já escolheu em quem votar para Presidente?) existe uma ilustração que mostra vários personagens do cenário político nacional e internacional que estão ligados ao presidente atual e à sua sucessora. O Deputado mais votado do país, claro, também está lá.

Assim como a presidente eleita Dilma, muitos dos seus aliados foram presos na luta contra a ditadura militar. Em 1979, alguns presos políticos da ditadura formaram a Falange Vermelha enquanto estavam encarceirados no presídio da Ilha Grande em Angra dos Reis/RJ. A Falange Vermelha foi a responsável pela criação do Comando Vermelho, uma das organizações criminosas mais poderosas do Rio de Janeiro. Entre os integrantes mais conhecidos desta facção estão Fernandinho Beira-Mar, Marcinho VP e Elias Maluco.

Elias Maluco é considerado ainda hoje um dos maiores traficantes de drogas e armas do Rio de Janeiro e do Brasil. Ele recebeu esse apelido pela crueldade com que assassinava seus desafetos. Ele é o principal acusado de seqüestrar, torturar e assassinar o jornalista Tim Lopes da Rede Globo. Antes de ser preso, Elias Maluco comandava o tráfico nas favelas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, ambas invadidas recentemente pelo Batalhão de Operações Especiais – o BOPE. Nessa mega-operação conjunta com as Forças Armadas, o BOPE prendeu, entre vários criminosos, a esposa de Elias Maluco e o traficante Elizeu Felício de Souza, o Zeu, seu braço-direito.

No artigo publicado em 19/10 (Você já assistiu ao filme Tropa de Elite 2?) essa ligação entre criminosos e políticos é abordada usando como referência a sequência do filme do diretor José Padilha. Em ‘Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro’ é mostrada de forma clara como funciona networking do crime, a estrutura de poder chamada de “o Sistema”. O Capitão Nascimento, agora promovido a Tenente-Coronel, está bem no meio de um duelo político. Ao mesmo tempo que ele usa o BOPE para livrar a população dos traficantes, ele cria sem saber o poder paralelo das milícias, que controla as favelas e financia campanhas políticas com as arrecadações do moradores e comerciantes das comunidades no Rio de Janeiro.

Apesar do Capitão Nascimento ser um personagem fictício, o ator Wagner Moura se inspirou em um personagem real – o ex-comandante do BOPE Ronaldo Pinto, que em meados dos anos 90 estava cansado do Batalhão e procurava um substituto. Para o cargo elegeu Rodrigo Pimentel, que conhecera anos antes durante o Curso de Operações Especiais. Rodrigo Pimentel foi um dos roteiristas da cinesérie Tropa de Elite e hoje é consultor de segurança e comentarista social da Rede Globo.

E por falar em Rede Globo, quem leu o artigo publicado em 21/09 (Qual é a distância entre você e qualquer outro profissional que atua no seu mercado?) já sabe que poucos graus de distância separam pessoas que atuam no mesmo mercado. Esse seguramente é o caso do ator Wagner Moura, do comentarista Rodrigo Pimentel e do cantor e humorísta Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como o palhaço Tiririca.

Para quem duvida, vamos usar como ponto de partida o ilustre humorista Chico Anysio, que comandou por várias décadas na Rede Globo o programa humorístico ‘A Escolinha do Professor Raimundo’. A Escolinha reuniu alguns dos maiores nomes do gênero, entre eles Tom Cavalcante, que interpretava o bebum João Canabrava. Depois de sair da Globo, o humorista ganhou um programa próprio na Rede Record – o Show do Tom, que conta com a participação de Tiririca. E assim voltamos onde começamos!

Como me disse certa vez uma amiga: “O mundo é pequeno, redondo e gira todos os dias. As pessoas vão passar na sua porta mais de uma vez”. Espero que em 2011 eu consiga continuar compartilhando com você como todos estão conectados nesse mundo!

26 de out. de 2010

Você já escolheu em quem votar para Presidente? Você sabe quem faz parte do networking do seu candidato?

A corrida pela sucessão presidencial chegou a sua reta final. As eleições do próximo Domingo definirão uma nova etapa da democracia brasileira. O novo Presidente escolhido pelo voto popular iniciará já na próxima semana a montar sua equipe, não só no Planalto, mas também nos Estados para acomodar todos aqueles que o apoiaram durante a campanha. Independente de quem for eleito, há muito o que ser retribuido. Não se ganha uma eleição sem alianças, acordos, apoios, conchavos, etc. Por isso, é muito importante saber quem são as pessoas que fazem parte do networking político do seu candidato. Serão essas pessoas, e consequentemente seus apadrinhados, que farão parte do novo governo.

O candidato José Serra do Partido Social da Democracia Brasileira (PSDB) tem uma carreira política bastante extensa e por isso já se aliou à várias lideranças partidárias enquanto cumpriu mandatos como prefeito, governador, deputado e senador. Também teve diversos aliados durante suas campanhas anteriores e atual. Dentro do próprio partido, as ligações mais fortes são com o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, o Governador reeleito do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, o Senador eleito por São Paulo Aloysio Nunes e, no passado, também com o ex-Governador do Estado Mário Covas. Serra e esses políticos estavam no grupo de dissidentes do PMDB que criou o PSDB como reação à insatisfação com o governo Sarney.

Em outros Estados, Serra conta com o apoio de lideranças importantes do País que também estão no PSDB desde a sua fundação, tais como Aécio Neves, Tasso Jereissati, Pimenta da Veiga e Teotônio Vilela Filho. Das alianças com outros partidos, a mais duradoura é com o Democratas (DEM), antigo Partido da Frente Liberal (PFL). O DEM possui raízes na política nordestina, de onde provém a maior parte de sua bancada, dentre eles o ex-vice-presidente da República Marco Maciel. Também se pode observar no DEM a presença de uma nova geração de líderes, sucessoras dos caciques do antigo PFL, tais como Rodrigo Maia, filho de César Maia; Antônio Carlos Magalhães Neto, que traz o legado do líder baiano; e Paulo Bornhausen, que dá continuidade à linhagem política paterna. No Democratas também estão o atual candidato à vice de Serra, Índio da Costa, assim como o atual prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab e o vice de Alckmin, eleito ao governo paulista Guilherme Afif Domingos.

Do outro lado da disputa está a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) e apadrinhada do atual Presidente, Dilma Roussef. Após oito anos ocupando o principal cargo do País, o PT costurou alianças fortes com o PMDB, além de coligações com partidos anões, tais como PR, PRB, PC do B e PT do B. Como os elos de Lula, Dilma e o PT não se limitam a poucas organizações políticas, gostaria de utilizar uma foto que recebi hoje de um amigo, que traz as fotos de vários personagens que mereceram destaque na Era Lula por ter algum relacionamento direto ou muito próximo com o Presidente Lula e consequentemente com a sua candidata.


Alguns personagens da foto acima são bastante conhecidos. Entre os líderes do PT, além de Lula, estão o ex-presidente nacional do PT José Genoíno, Antônio Palocci e o ex-Ministro-chefe da Casa Civil, que antecedeu Dilma Roussef, José Dirceu. Em destaque na foto também está Erenice Guerra, que sucedeu Dilma na Casa Civil. Das lideranças do PMDB se destacam o presidente do partido e atual vice na chapa de Dilma, Michel Temer, além do ex-Presidente da República José Sarney. Outro ex-Presidente com estreitos relacionamentos com Lula e Dilma é Fernando Collor de Melo.

Essa ilustração também destaca alguns líderes mundiais que passaram a ter relações com o Brasil na Era Lula, mesmo contra todas as pressões internacionais. São eles, Fidel Castro e seu irmão, atual Presidente de Cuba; Hugo Chavez, Presidente da Venezuela; Evo Morales, Presidente da Bolívia; e por último mas não menos amistoso, Mahmoud Ahmadinejad.

Para fechar o quebra-cabeças formado por esse networking político, está a peça que pode ser o fiel da balança nessas eleições – o Partido Verde (PV), liderado pela ex-Ministra do Meio Ambiente Marina Silva, terceira colocada no primeiro turno das eleições presidenciais. Apesar do PV não ter declarado apoio a nenhum dos dois candidatos que disputam o segundo turno, seus integrantes foram liberados a optar individualmente. O fato é que esses conchavos garantirão ao PV e aos seus integrantes cargos importantes no próximo governo, seja de quem for.

O mapa de relacionamentos acima dá uma visão macro de quem estará ao lado do seu candidato caso ele seja eleito. Agora cabe a você tomar a decisão correta e ajudar ao seu networking de amigos e colegas a votar consciente!

5 de out. de 2010

O que está por trás do “fenômeno Tiririca”? No que você se tornou por votarem em um palhaço?

A eleição do palhaço Tiririca a uma das vagas à Câmara dos Deputados já era dada como certa pelas pesquisas. A justificativa dada pelos seus eleitores também era conhecida. Fora um voto de protesto! Mas o fato desse candidato ter sido o mais votado em todo o país, superando inclusive o número de votos do candidato à Presidência Plínio de Arruda Sampaio, foi o que causou a maior repercussão negativa. Para os paulistas, ficou a vergonha de ter eleito uma pessoa analfabeta e claramente sem preparo político para uma função tão importante. O problema maior foi a repercussão mundial. Os principais meios de comunicação de todo o mundo divulgaram a vitória do candidato-palhaço e enalteceram com isso a ignorância do povo brasileiro no exercício da democracia.

Mas, afinal de contas, o que está por trás da eleição de Tiririca? Por que ele teve tanta exposição na mídia? De onde veio tanto dinheiro para promover sua campanha? A resposta está no chamado network político. As coligações que são feitas por grandes partidos com os nanicos tem o objetivo de aumentar a representação da bancada aliada na Câmara e no Senado. No caso de Tiririca, a coligação foi formada por PR - PRB / PT / PR / PC do B / PT do B. Desses todos, apenas um partido é grande e tem recursos para arcar com a campanha de Tiririca. Esse partido também tem o que ganhar com essa votação expressiva. Pouca gente sabe, mas o número de candidatos eleitos por um partido ou coligação é determinado pelo quociente eleitoral.

Para calcular os candidatos eleitos por um partido ou coligação, é preciso dividir o número de votos válidos (21.317.327) pelo número de cadeiras disponível (70) para o Estado. O quociente eleitoral, que é uma espécie de nota de corte, foi de 304.533 votos. Divide-se então o número de votos de Tiririca pelo quociente. Como ele recebeu 1.353.820 votos, essa coligação ganhou quatro cadeiras na Câmara, sendo a dele própria e a de outros três candidatos que não conseguiriam chegar lá sozinhos. Portanto, o maior partido da coligação ganhou, as custas de um palhaço, quatro representantes fiéis na base aliada para aprovar, sem questionamentos, os projetos de seu interesse.

O “coelho-eleitoral” Tiririca trouxe junto com ele os candidatos a Deputado Federal Otoniel Lima, do PRB, Protógenes Queiroz, do PC do B, e Vanderlei Siraque, do PT. Esses três não tiveram mais do que 100 mil votos, ou seja, menos de um terço do quociente eleitoral. Portanto, esse network político trouxe ao poder pessoas que não teriam chegado lá por seus próprios méritos. Além disso, eles gozarão de alguns benefícios bastante interessantes, tais como uma verba mensal de R$200.000 (Duzentos mil reais) para pagar o seu salário e de mais 25 assessores parlamentares, nomeados sem concurso e sem qualquer qualificação. Isso sem falar nas ajudas de custo com moradia, alimentação e viagens. O benefício maior, entretanto, é intangível. A famosa imunidade parlamentar, que garante a esses políticos direitos exclusivíssimos, acima do bem e do mal!

Para citar o que esse benefício representa, vamos analisar o perfil de dois candidatos eleitos na cola de Tiririca. O ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz foi o responsável pelas investigações da Operação Satiagraha, que prendeu em 2008 o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas por supostos crimes financeiros. Ele acabou afastado da investigação e virando alvo de inquérito da Polícia Federal. A suspeita é de que ele usou agentes da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) irregularmente. Posteriormente, acabou demitido do cargo e ainda está sob investigação da Polícia Federal.

Contra Vanderlei Siraque pesa a denúncia que, quando era deputado estadual pelo PT de Santo André, utilizou serviços públicos, pagos com dinheiro dos cidadãos, para fins pessoais, o que é considerado ato de improbidade administrativa por especialistas. De acordo com a investigação, o então parlamentar petista pagou a festa do seu aniversário de 50 anos com verba da Assembleia Legislativa. Em 2009, Vanderlei Siraque gastou R$ 236,9 mil com locação e manutenção de imóveis, serviços gráficos, materiais de escritório, combustível e manutenção do veículo oficial, contratação de pesquisas e consultorias, assinatura de revistas e jornais, hospedagem, alimentação, celular, dentre outras coisas. Tudo pago pela Assembleia.

Por mais que as investigações terminem por concluir a culpa desses políticos, a imunidade parlamentar não permite que sejam julgados e condenados pelas Leis aplicadas à cidadãos comuns, como eu e você. Tudo isso, associado à votação em massa para um candidato analfabeto, provoca em nós uma sensação enorme de injustiça. Mas como estamos do lado de fora desse network político, não podemos fazer nada a não ser lamentar pelos milhares que votaram no palhaço e nos fizeram se sentir como um deles!

31 de ago. de 2010

O que você sabe sobre quem você vai votar nas próximas eleições?

Como já diziam nossos pais: “Diga-me com quem andas e eu te direi quem és”. E é na política, mas do que em qualquer outra área, que esse ditado popular faz mais sentido. Afinal, uma das definições do substantivo “política” é a habilidade de alcançar objetivos através de relações humanas. E para saber o que esperar de um candidato, é muito importante saber quais são as relações interpessoais que marcaram sua vida pública. Em outras palavras, é sabendo com quem um político anda (ou já andou) que podemos dizer quem ele é (ou será)!

Daqui a pouco mais de um mês teremos eleições para Deputado Estadual, Deputado Federal, Senador, Governador e para Presidente. Serão essas pessoas que lutarão por nossos direitos e definirão o nosso futuro. Apesar da importância das funções que esses candidatos ocuparão, nós eleitores não dedicamos a devida atenção para esse assunto. Ao invés de discutir o tema com seriedade, é mais comum ouvir os eleitores achando graça dos candidatos aventureiros e totalmente desqualificados para assumir cargos tão importantes.

O horário político e as propagandas partidárias mostram apenas o que convém para os candidatos. Por outro lado, as campanhas adversárias tendem a exagerar nas críticas aos seus oponentes. Já as mídias de massa, até por falta de espaço, se limitam a noticiar somente os fatos relevantes do presente, omitindo os relacionamentos passados daquele político. Como obter então o histórico do seu candidato? Como saber com quem ele se relacionou na sua vida pública até o momento? Serão esses “amigos” do passado que provavelmente vão o influenciar, assessorar e até ocupar cargos de destaque em seu futuro mandato.

Os meios digitais estão fazendo uma grande diferença nessas eleições. Praticamente todos os candidatos, principalmente aos cargos do Executivo, possuem alguma forma de interação com seus eleitores, seja por redes sociais, blogs ou salas de bate-papo. Além disso, várias ONGs fazem trabalhos investigativos e de acompanhamento da carreira política dos candidatos, tal como a divulgação dos barrados pelo Projeto Ficha Limpa. Da mesma forma que fazíamos na época de escola, devemos nos aprofundar nas pesquisas, se aproveitando do fácil acesso online ao histórico de quem nos representará. Só assim você conhecerá a fundo quem merece seu voto para cada um desses importantes cargos públicos.

Mas você já está muito descrente da política. São tantos escândalos, tantas investigações que não dão em nada. Do que adianta ter tanto trabalho para conhecer melhor seu candidato, se aqueles envolvidos em corrupção vão continuar recebendo votos das pessoas que não farão essa lição de casa? As estatísticas mostram que você é voto vencido! O Brasil tem 136 milhões de eleitores. Menos de 40 milhões de pessoas tem acesso regular à Internet. A Revista Veja, que tem a maior tiragem do país, tem pouco mais de um milhão de assinantes. O jornal impresso com maior tiragem, a Folha de São Paulo, tem um terço dessa tiragem. Portanto, o acesso a informação imparcial e de qualidade é um privilégio de poucos. Entretanto, quem tem informação, tem poder! Nesse caso, o poder do networking é que pode fazer toda diferença.

Se apenas 1.000 pessoas fizeram uma pesquisa detalhada sobre seus candidatos e se comprometerem a divulgar suas descobertas à 50 pessoas, já seriam 50 mil pessoas com o mesmo nível de informação qualificada. Com mais pessoas se empenhando nessa tarefa, é possível chegar facilmente a 300 mil votos. Isso já será suficiente para eleger um Deputado Estadual em São Paulo. Se essas 50 pessoas repassarem a informação adiante para outras 50 e assim por diante, praticamente todos os eleitores do país teriam sido instruídos em apenas três conversas!

Portanto, seu papel como pessoa bem informada, disseminadora de conhecimento e formadora de opinião é a de “vender” sua pesquisa nos próximos 30 dias. É contar àqueles com menos acesso à informação tudo o que você sabe sobre política e sobre quem vive dela. Elas precisam saber o que estão perdendo por eleger o candidato mais engraçado, o mais bonito ou o mais “povão”. Além de falta de qualificação para atuar no Executivo ou no Legislativo do nosso país, esses políticos também podem ter péssimas companhias. Por isso, diga a todos com quem eles andam, para que saibam quem eles realmente são!