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5 de mar. de 2012

Você sabe a diferença entre uma muda de rosa e uma de baobá?

No clássico da literatura infantil de Antoine de Saint-Exupéry, o Pequeno Príncipe se vê às voltas com esse dilema – encontrar uma maneira de diferenciar uma muda de uma inocente rosa de uma muda da imponente árvore baobá. A solução encontrada foi a de arrumar um carneirinho, que pudesse comer as mudas de baobá antes que elas crescessem demais, tomassem todo o limitado espaço e, por fim, acabassem destrindo o pequeno asteróide B612, onde o principezinho vivia com sua linda rosa.

A analogia criada pelo autor é aplicada na nossa vida de diversas formas. Quando falamos de amizades, é muito difícil saber diferenciar logo no início quem são nossos amigos de verdade e quem, com o tempo, se tornará um grande problema. Infelizmente, não temos um carneirinho para nos ajudar nessa tarefa. Se não percebemos em tempo, o baobá pode crescer e tomar o lugar que poderia ser ocupado por inúmeras rosas e pode acabar rachando nosso asteróide, que aqui simboliza o nosso círculo de amizades.

Em um mundo onde cultivamos nossas amizades muito mais no mundo virtual do que no real, precisamos estar atentos aos baobás que crescem nas redes sociais. Quando não adotamos nenhum critério para adicionar amigos à nossa rede, inevitavelmente estamos ocupando o espaço das muitas rosas com apenas uma enorme árvore. Quando você vive em um planeta tão pequeno quanto o asteróide B612 do Pequeno Príncipe, esse espaço faz muita falta. O mesmo acontece com nossas amizades. Quando você tenta manter muitas pessoas por perto, acaba pecando na atenção que dá para cada uma delas. E a falta de cuidado e atenção pode levar as lindas rosas à morte.

Outro risco para quem mantém muitas amizades é tratar todos como iguais. Para que isso não aconteça, você precisa cativar seus amigos. Mas o que é cativar? A resposta está em outra passagem marcante do livro, quando o principezinho se encontra pela primeira vez com a raposa. Ela o ensina que cativar é criar laços. A raposa então explica: “Tu não és ainda para mim senão um garoto igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...”

Por isso, se você criar o hábito de “limpar seu planeta” e arrancar as mudas de baobá, terá mais tempo e espaço para cativar as suas rosas, as pessoas que realmente importam para você. Mas se você não tem um carneirinho para reconhecer a diferença das duas mudas, como pode saber quem é rosa e quem é baobá? Esse é o segredo da raposa – “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos!” No seu mundo real e virtual você deve ver as pessoas pelo que elas te fazem sentir. É com o coração que sabemos quem são as pessoas que se importam conosco e aqueles com quem nos importamos. Quem não for essencial, não merece estar no seu planeta.

Uma vez que você arrancou as mudas de baobá, poderá dedicar mais tempo para um amigo de verdade. Dedique tempo para a sua rosa. Como nos ensina a sábia raposa – “Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante... Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa!” 

11 de jan. de 2011

É possível fazer 500 milhões de amigos sem fazer um inimigo?

Essa pergunta é a chamada do filme “A Rede Social”, ainda em cartaz nos cinemas brasileiros. O filme, inspirado no livro “Bilionários por Acaso”, conta os bastidores da criação do Facebook, o maior site de relacionamento do mundo que recentemente ultrapassou a incrível marca de meio bilhão de usuários. Quem, assim como eu, leu o livro e assistiu o filme vai concordar que, mais uma vez, a versão cinematográfica não retrata tão bem a trama quanto o livro, além de enaltecer muito mais as qualidades negativas do personagem central – o mentor intelectual e fundador do site Mark Zuckerberg.

Apesar de ser a peça central da trama, Zuckerberg não contribuiu nem para o livro nem para o filme. Ambos foram elaborados com os testemunhos das pessoas que, de alguma forma, interagiram com Mark desde antes da criação do site até recentemente. Como toda estória tem sempre três lados, com apenas uma versão fica difícil julgar se Mark Zuckerberg é um herói ou um vilão. O que todos concordam é que Mark já vinha colecionando inimigos muito antes de ter a inspiração para criar o site que o levaria ao estrelato.

Analisando a trama da criação do site encontramos diversos pontos relacionados ao networking. Um deles foi mostrado pela interconectividade da rede de computadores da Universidade de Harvard, que permitiram que o hacker Zuckerberg invadisse facilmente os bancos de dados de cada alojamento e criasse o site Facesmash.com. Outro ponto relatado com mais detalhes no livro é a forma com que empresas de renome da internet estão interligadas por seus principais executivos. Sean Parker, responsável por impulsionar o Facebook, é co-fundador do Napster e do Plaxo. Peter Thiel, fundador da firma de investimentos que fez o primeiro grande aporte de capital no Facebook, também é co-fundador do PayPal. Esse mesmo fundo contava ainda com a participação do criador do LinkedIn.

Os dois pontos mais emblemáticos relacionados ao networking, entretanto, são os Clubes Finais (final club) de Harvard e o efeito viral do Facebook.

Os Clubes Finais são instituições centenárias presentes nas mais importantes universidades do mundo e reúnem alunos que atendam alguns critérios do clube. A essência dos Clubes Finais é o relacionamento promovido entre os seus participantes. Muitos deles, depois de formados, se tornaram políticos poderosos, bem-sucedidos executivos, artistas cultuados ou atletas renomados. Como mostra o filme, fazer parte de uma dessas instituições é garantia de sucesso pessoal e profissional.

Por isso, os alunos de Harvard estavam sempre trabalhando em alguma iniciativa que os projetassem dentro da universidade, e assim, fossem convidados para participar do disputadíssimo processo de seleção de um dos Clubes Finais. O filme destaca dois desses clubes – o Porcellian e o Phoenix SK. O primeiro tinha como membros os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, que se consideram os verdadeiros mentores intelectuais do Facebook e processaram Zuckerberg por ter lhes roubado a ideia. Já o Phoenix SK foi o clube em que o brasileiro Eduardo Severin foi admitido. Eduardo era amigo de Mark e co-fundador do site quando ainda era chamado de thefacebook.com. Por ter sido excluído do Facebook, Eduardo também processou Mark.

O último e mais relevante ponto é o efeito viral que fez com que o site ganhasse projeção global em tão pouco tempo. O Facebook não foi o primeiro site de relacionamentos na internet. Antes dele, o Friendster e o MySpace já eram bem conhecidos, mas nunca chegaram nem perto do êxito da rede social criada por Zuckerberg. E o que explica esse sucesso?

É muito difícil encontrar somente uma explicação, mas seguramente a habilidade de Mark como hacker e programador fizeram muita diferença. A interface amigável do site faz com que os usuários consigam acompanhar as atividades de seus amigos de forma simples e intuitiva. Herói ou vilão, só ele teve a destreza de colocar em prática várias ideias coletadas com as pessoas que o cercavam, inclusive daquelas que o acusaram de roubo ou de falta de ética. Isso só prova que “são de atos e não de ideias que as pessoas vivem”! (citação de Anatole France)

26 de dez. de 2010

Retrospectiva 2010: Como todos estão conectados: Tiririca -> Dilma -> Elias Maluco -> Capitão Nascimento -> Tiririca

Desde a criação do blog Network-4-Sales há poucos meses, já abordei os mais diversos temas, tais como política, cinema, crime organizado, etc. Nesses artigos sempre enfatizei como as pessoas estão conectadas entre si. Nesse artigo o desafio é fazer uma retrospectiva mostrando como todos esses temas também estão conectados entre eles. Para demonstrar isso, escolhi alguns personagens que se destacaram ao longo de 2010. Aqui você vai saber como o palhaço Tiririca está ligado à Presidente eleita Dilma Roussef; como esta pode ser ligada ao traficante Elias Maluco; como este ao Capitão Nascimento do BOPE e como este último se conecta novamente com Tiririca.

Começamos com Tiririca, o Deputado Federal eleito com maior número de votos nas últimas eleições. No artigo publicado aqui neste blog no dia 05/10 (O que está por trás do fenômeno Tiririca?) é explicado como funciona o chamado networking político. O candidato recebeu mais de 1,3 milhão de votos e, graças ao quociente eleitoral, levou para a Câmara dos Deputados outros três candidatos que faziam parte da coligação liderada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) com vários partidos nanicos.

Agora que você já sabe como o partido fundado pelo Presidente Lula usou essas manobras políticas para fortalecer sua base aliada, fica fácil entender como Tiririca está conectado à Presidente eleita Dilma Roussef. No artigo do dia 26/10 (Você já escolheu em quem votar para Presidente?) existe uma ilustração que mostra vários personagens do cenário político nacional e internacional que estão ligados ao presidente atual e à sua sucessora. O Deputado mais votado do país, claro, também está lá.

Assim como a presidente eleita Dilma, muitos dos seus aliados foram presos na luta contra a ditadura militar. Em 1979, alguns presos políticos da ditadura formaram a Falange Vermelha enquanto estavam encarceirados no presídio da Ilha Grande em Angra dos Reis/RJ. A Falange Vermelha foi a responsável pela criação do Comando Vermelho, uma das organizações criminosas mais poderosas do Rio de Janeiro. Entre os integrantes mais conhecidos desta facção estão Fernandinho Beira-Mar, Marcinho VP e Elias Maluco.

Elias Maluco é considerado ainda hoje um dos maiores traficantes de drogas e armas do Rio de Janeiro e do Brasil. Ele recebeu esse apelido pela crueldade com que assassinava seus desafetos. Ele é o principal acusado de seqüestrar, torturar e assassinar o jornalista Tim Lopes da Rede Globo. Antes de ser preso, Elias Maluco comandava o tráfico nas favelas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, ambas invadidas recentemente pelo Batalhão de Operações Especiais – o BOPE. Nessa mega-operação conjunta com as Forças Armadas, o BOPE prendeu, entre vários criminosos, a esposa de Elias Maluco e o traficante Elizeu Felício de Souza, o Zeu, seu braço-direito.

No artigo publicado em 19/10 (Você já assistiu ao filme Tropa de Elite 2?) essa ligação entre criminosos e políticos é abordada usando como referência a sequência do filme do diretor José Padilha. Em ‘Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro’ é mostrada de forma clara como funciona networking do crime, a estrutura de poder chamada de “o Sistema”. O Capitão Nascimento, agora promovido a Tenente-Coronel, está bem no meio de um duelo político. Ao mesmo tempo que ele usa o BOPE para livrar a população dos traficantes, ele cria sem saber o poder paralelo das milícias, que controla as favelas e financia campanhas políticas com as arrecadações do moradores e comerciantes das comunidades no Rio de Janeiro.

Apesar do Capitão Nascimento ser um personagem fictício, o ator Wagner Moura se inspirou em um personagem real – o ex-comandante do BOPE Ronaldo Pinto, que em meados dos anos 90 estava cansado do Batalhão e procurava um substituto. Para o cargo elegeu Rodrigo Pimentel, que conhecera anos antes durante o Curso de Operações Especiais. Rodrigo Pimentel foi um dos roteiristas da cinesérie Tropa de Elite e hoje é consultor de segurança e comentarista social da Rede Globo.

E por falar em Rede Globo, quem leu o artigo publicado em 21/09 (Qual é a distância entre você e qualquer outro profissional que atua no seu mercado?) já sabe que poucos graus de distância separam pessoas que atuam no mesmo mercado. Esse seguramente é o caso do ator Wagner Moura, do comentarista Rodrigo Pimentel e do cantor e humorísta Francisco Everardo Oliveira Silva, mais conhecido como o palhaço Tiririca.

Para quem duvida, vamos usar como ponto de partida o ilustre humorista Chico Anysio, que comandou por várias décadas na Rede Globo o programa humorístico ‘A Escolinha do Professor Raimundo’. A Escolinha reuniu alguns dos maiores nomes do gênero, entre eles Tom Cavalcante, que interpretava o bebum João Canabrava. Depois de sair da Globo, o humorista ganhou um programa próprio na Rede Record – o Show do Tom, que conta com a participação de Tiririca. E assim voltamos onde começamos!

Como me disse certa vez uma amiga: “O mundo é pequeno, redondo e gira todos os dias. As pessoas vão passar na sua porta mais de uma vez”. Espero que em 2011 eu consiga continuar compartilhando com você como todos estão conectados nesse mundo!

13 de dez. de 2010

Você sabe como exercitar seu networking nas festas de confraternização?

Finalmente o ano está terminando! O fôlego está quase no final e todos precisam de uma pausa para recuperar as energias e encarar mais um ano cheio de desafios. Mas antes do merecido descanso você tem ainda que encarar aquela sequência de festas de confraternização – seja um almoço com clientes, um happy-hour com os colegas da faculdade, amigo secreto com a galera da empresa, entre outras tantas celebrações de final de ano.

Para muitas pessoas, o mês de Dezembro é sinômino de festa. Mas, na realidade, esse mês deveria ser sinônimo de networking! Afinal de contas, o que todas essas festas têm em comum é a oportunidade que você tem de exercitar seu networking. São nesses eventos que você tem a chance de dar um upgrade na sua rede de relacionamentos. Mas antes que você saia atirando para todos os lados, saiba como aproveitar melhor cada tipo de celebração:
  • Almoço: se você for o organizador do evento, saiba escolher o local. Evite ao máximo churrascaria rodízio. Quem já teve essa experiência, sabe que aquele papo interessante é interrompido a cada 15 segundos pelo garçon. Prefira organizar eventos com poucas pessoas e em restaurantes com boa infra-estrutura. A combinação inversa é desastrosa! Em uma ocasião, eu e cerca de 30 colegas de trabalho fomos ao restaurante mais requintado de uma cidadezinha no interior. O problema é que esse estabelecimento nunca tinha atendido um grupo tão grande. Enquanto alguns colegas ainda estavam comendo a entrada (croquete frito por fora e congelado por dentro), outros já estavam na sobremesa. Se isso acontecesse em um almoço com clientes, sua chance de fazer um bom networking seria nula. Outra situação desfavorável é acomodar o grupo em um mesa quilométrica. O encontro acaba virando um sem-fim de conversas paralelas entre grupos que já se conhecem bem. Ou seja, o objetivo de promover uma festa de integração vai por água abaixo. Sem falar nas brigas ao final do almoço para dividir a conta. Se o grupo for grande, prefira uma festa de confraternização.

  • Happy-hour: é a melhor alternativa para encontros informais de grupos pequenos. Excelente para rever amigos(as) de longa data. O melhor é que você mesmo pode organizar quantos e quando quiser. Que tal marcar um com os amigos do inglês, outro com o pessoal da academia, mais um com a galera do clube e mais outro com a turma que se formou contigo no colégio? É garantia de bom divertimento. Ao contrário, evite marcar um happy-hour com seu chefe ou com aquelas pessoas que você não suporta. Esses eventos são regados de bebidas alcoólicas e, por isso, o final do encontro não é tão feliz quanto sugere o nome. Também evite marcar um happy-hour com clientes. O ambiente normalmente é barulhento e ficar gritando com seu cliente não é uma boa prática. Além do que, falar de trabalho em lugares tão cheios nunca é recomendado. Nesse caso, prefira um evento privado.

  • Amigo secreto: também conhecido como amigo oculto, esse tipo de evento ganhou variações ao longo do tempo. No inimigo secreto, por exemplo, o sorteado recebe um presente depreciativo. Se o seu objetivo é fazer networking, fuja desses encontros. O mais provável é que você presencie um festival de “queimação de filme”. Em contra-partida, as festas de amigo secreto bem organizadas são ótimas para se aproximar daqueles colegas que você não teve muito contato durante o ano. Não fique apenas com aquele grupinho de sempre. Aproveite para conhecer novas pessoas e falar de qualquer assunto que não seja trabalho.

  • Evento privado: é muito comum em grandes empresas para reunir clientes especiais. Pode ser um jantar na casa de um executivo, uma degustação de vinhos, ou um curso de culinária em um espaço gourmet. Esses eventos tem o networking como objetivo principal e nem por isso são enfadonhos. Não é uma boa ideia promover eventos privados relacionados a esportes. Uma “pelada” contra o time do seu cliente pode machucar muito mais os relacionamentos do que as canelas dos adversários.

  • Festa de confraternização: também é comum em grandes empresas. Esse tipo de evento é uma verdadeira bomba-relógio, pois coloca no mesmo local pessoas de diversos níveis organizacionais da empresa e com culturas muito distintas. Essa mistura é potencializada com muita comida, bebida, esporte e lazer. O que começa como uma festa civilizada, com conversas agradáveis e muita diversão, termina inevitavelmente em baixaria. Se você quiser exercitar seu networking nesses encontros, chegue cedo e procure conversar preferencialmente com as pessoas com quem você não tem contato no dia-a-dia. É muito legal jogar tênis de mesa com a diretora de RH ou bater uma bola com o supervisor da produção. Essas atividades derrubam barreiras invisíveis e te ajudarão muito profissionalmente.
Independente da festa que você vai participar, tão importante quanto saber o que fazer é saber quando sair. Como ensinou o filósofo alemão Friedrich Nietzsche: “Em indivíduos, a insanidade é rara; mas em grupos, ela é a regra”. Então, saia enquanto a celebração não se transforma em papelão!

19 de out. de 2010

Você já assistiu ao filme Tropa de Elite 2? Sabe como funciona "o Sistema" de poder retratado no filme?

O filme “Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro” é um enorme sucesso! Já bateu recorde de bilheteria nacional com mais de 1,25 milhão de espectadores em seu primeiro final de semana. Você, que já assistiu à essa sequência de Tropa de Elite, percebeu que a estrutura de poder, chamada de “o Sistema”, é o ponto central da trama. Mas você entendeu bem como funciona essa rede de poder? Você que ainda não assistiu, também vai entender melhor aqui como o networking do crime está estruturado. Não se preocupe. Não vou contar que o “mocinho” morre no final (ops!).

Apesar de ser uma obra de ficção, os fatos retratados no filme certamente acontecem nas grandes cidades do país. Os acontecimentos dessa versão ocorrem treze anos após os do primeiro filme e mostra o crescimento do BOPE e os conflitos entre os policiais e milícias do Rio de Janeiro. O agora Tenente-Coronel Nascimento, interpretado mais uma vez brilhantemente por Wagner Moura, exerce uma função administrativa e está bem no meio de um duelo político. Ao mesmo tempo que ele usa a Segurança Pública para livrar a população dos traficantes de drogas e acabar com “o Sistema”, sem saber ele cria um poder paralelo – a milícia, que controla as favelas e financia campanhas políticas em todos os níveis com as arrecadações do moradores e comerciantes dessas comunidades no Rio de Janeiro.

Para que você entenda melhor como funciona “o Sistema”, precisa conhecer como está estruturado o Poder Executivo no Estado do Rio de Janeiro. Reportando ao Governador do Estado, existem diversos Órgãos, entre eles a Secretaria de Estado de Segurança (SESeg). Abaixo dela está a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), que é chefiada pelo Comandante Geral. A fim de descentralizar as ações do Comando-Geral da PMERJ, existem três Comandos subordinados a ele – o de Policiamento de Área (CPA), que coordenam os Batalhões de Polícia Militar; o Comando de Policiamento Pacificador (CPP) e o de Unidades Especializadas, que é o responsável pelo Batalhão de Operações Especiais, mais conhecido como BOPE. Também se reportando ao Comando-Geral está o Chefe de Estado Maior Geral (EMG), que tem entre suas responsabilidades a Seção de Inteligência, onde o Coronel Nascimento atua no filme.

Com uma estrutura organizacional tão complexa, subordinada ao Governo do Estado, fica mais fácil entender como “o Sistema” pode ser sustentado. De acordo com o “mundo fictício” retratado no filme, o Batalhão de Polícia responsável pelo patrulhamento da Zona Oeste, região com grande concentração de favelas na cidade do Rio de Janeiro, é comandada por alguns policiais corruptos. Esses PMs recebem uma parte dos lucros dos traficantes para deixá-los “trabalhar” sem serem incomodados da polícia. Essa arrecadação ilegal é então distribuída para “o Sistema”, ou seja, para todos os níveis da estrutura organizacional, incluindo o Governo do Estado e Deputados Estaduais aliados, que são eleitos por essa população carente.

Quando o BOPE ganha poder, mais equipamentos e armas, consegue praticamente exterminar o tráfico de drogas nas favelas “gerenciadas” por esse Batalhão. Só que, ao invés de quebrar “o Sistema”, esses policiais descobrem que eles podem ganhar muito mais protegendo a população contra os traficantes do que eles já ganhavam protegendo os traficantes da polícia. É então criada a milícia – policiais corruptos, encobertos por seus superiores para que continuem arrecadando dos moradores das favelas, e assim, sustentar os políticos ligados a esse “Sistema”. O Comando-Geral, a pedido do Governador e do Secretário de Segurança Pública, então utiliza sua rede para facilitar o crescimento da milícia. Ele dá ordens ao BOPE para invadir uma favela ainda dominada por traficantes.

É aí que a trama cruza com outra rede, essa do bem, centralizada no personagem Diogo Fraga, interpretado pelo ator Irandhir Santos. Fraga era defensor dos Direitos Humanos e se elegeu Deputado Estadual graças a uma ação mal-sucedida do BOPE, então comandado pelo Capitão Nascimento. Coincidências a parte, Fraga também se casou com Rosane, ex-mulher de Nascimento, e criou Rafael, o filho dela com o ex-Capitão do BOPE. O Deputado Fraga faz oposição ao Governo e investiga o financiamento ilícito das campanhas eleitorais para reeleição do governador e dos seus candidatos aliados. Quando uma jornalista descobre o networking do crime por trás do “Sistema”, Fraga e Nascimento trabalham juntos para desmascarar todos os envolvidos.

Se você ainda não assistiu, vale a pena conferir como essas redes de relacionamento se intercalam e se confundem. Para quem já curtiu Tropa de Elite 2, sabe até onde essa rede de poder já chegou. Isso nos faz pensar muito!

28 de set. de 2010

Será mesmo que todas as pessoas no mundo estão distantes por no máximo 6 apertos de mão?

Você já deve ter ouvido falar na Teoria dos Seis Graus de Separação ou de Distância. Ela diz que todas as pessoas no mundo estão separadas por apenas seis graus ou, mais concretamente, por até seis apertos de mão. Como toda teoria, sua constatação é sempre questionável. Você acredita que está conectado a qualquer pessoa no mundo, por mais ilustre ou poderosa que ela seja? Se essa teoria fosse verdadeira, porque essas pessoas parecem estar tão mais distantes? Conheça melhor o que está por trás desse estudo e tire suas próprias conclusões.

Tudo começou em 1929 com o conto “Láncszemek” (Correntes) do escritor hungaro Frigyes Karinthy. O que era apenas uma ficção no início foi demonstrada pela primeira vez em 1967 pelo professor de Harvard, Stanley Milgran. No seu estudo, Milgran escolheu uma estudante na cidade de Sharon, Massachusetts e um corretor em Boston. Ele enviou 160 cartas para pessoas aleatórias nas cidades de Wichita no Kansas e Omaha em Nebraska. A carta tinha o nome, a foto e algumas informações sobre um dos dois destinatários. De todas as cartas enviadas, 42 chegaram ao destinatário. A média observada entre a origem e o destino foi de 5,5 pessoas, ou seja, eles estavam separados por 6 graus de relacionamento. Vários outros estudos já foram conduzidos até hoje e o resultado foi sempre o mesmo – seis graus de separação. Esse termo, entretanto, só ficou famoso em 1991 em uma peça de John Guare na Broadway, que depois virou filme.

Mas será que o mundo é tão pequeno assim? Vamos estudar o exemplo da minha tia Ana. Ela tem 65 anos, é advogada aposentada, mora em Peruíbe/SP e joga tranca algumas vezes por semana com um grupo pequeno de amigos. Vamos considerar que minha tia Ana tenha ao todo 50 amigos, e que essa seja a média de amizades da população mundial. Os amigos da minha tia Ana, seguindo essa média, também têm 50 amigos. Ou seja, no grau 2, a tia Ana conhece 2.500 pessoas. No grau 3, são outros 50 amigos de 2.500 pessoas, totalizando 125.000 amigos. Outros 50 amizades no grau 4 e chegamos a 6 milhões e 250 mil pessoas. Os amigos no grau 5 já somam 312,5 milhões de pessoas. E finalmente, com 6 graus de separação, são 15 bilhões e 625 milhões de amigos. Se o Planeta Terra tem atualmente 6,8 bilhões de pessoas, concluimos que minha tia Ana conhece todo mundo (duas vezes) com seis apertos de mão!!!

É claro que muitos desses 50 amigos são comuns entre si. Mesmo assim, ter 50 amigos é muito pouco para a realidade de muitos de nós. Mas todas as pessoas no mundo estão mesmo tão próximas de nós, porque não as alcançamos? É uma simples questão de interesse e força de vontade. Se você realmente quiser ter contato pessoal com alguém, isso é possível e mais fácil do que se imagina.

Vou citar o caso que meu colega Homero Ventura compartilhou comigo. Como todo Beatlemaníaco, Homero sempre sonhou em conhecer o Paul McCartney. Analisando a sua rede de contatos, ele descobriu que estava a 5 graus de distância do artista. Um grande amigo de Homero (grau 4) tem uma prima (grau 3) que se casou com o empresário (grau 2) de Paul McCartney (grau 1). Ele teve a cara de pau suficiente para pedir ao amigo o telefone dela, e conseguiu marcar um jantar com ela e o marido na casa deles em Londres. A amizade feita com o empresário de Paul nesse encontro o deixou a apenas dois graus de distância do seu ídolo. Infelizmente o jantar não rendeu o esperado encontro, mas pelo menos o Homero só precisa de apenas mais um aperto de mão até Paul.

Curioso com o resultado do primeiro caso, Homero também descobriu pela sua rede de relacionamentos que outra personalidade também está a dois graus de distância dele. O seu primo foi diretor de redação de um grande jornal de São Paulo e se tornou amigo pessoal do ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton na primeira visita dele ao Brasil. Se você pensar a quantidade de outros ilustres e famosos ligados a Clinton, pode-se dizer que Homero está a 3 apertos de mão de grandes personalidades mundiais, tal como Barack Obama e Hilary Clinton.

Então eu posso concluir que, por conhecer o Homero, estou a apenas 3 graus de separação de Paul McCartney e de Bill Clinton. Mas já estive muito mais longe. Afinal só conheci o Homero pelo relacionamento profissional dele com a minha esposa. Dá para concluir então que você consegue encurtar distâncias a medida que aumenta sua rede de contatos, sejam pessoais ou profissionais.

Depois de conhecer melhor a Teoria dos Seis Graus de Separação, você concorda que todas as pessoas no mundo estão distantes por apenas 6 apertos de mão? Se sim, deve ter algum caso parecido ao do Homero. Você sabe a quantos graus está dos seus ídolos? Se você conseguiu chegar até eles, foi tão difícil assim estabelecer esse contato? Convido você a contar sua experiência de networking aqui. Compartilhe seu caso conosco!

21 de set. de 2010

Qual é a distância entre você e qualquer outro profissional que atua no seu mercado?

Todo e qualquer mercado profissional é composto por pessoas que não estão tão distantes entre si quanto imaginam. Por maior que um segmento empresarial possa parecer, a quantidade de profissionais que atuam nele é bastante reduzida. Escolha qualquer mercado – o de tecnologia, o do agronegócio, o petroquímico, o da política, o meio artístico. Seja qual for o mercado em que você atua, pode ter certeza que os demais profissionais nele presente estão a poucos apertos de mão de você.

Vamos explorar o futebol brasileiro como exemplo. Qual é a distância entre o Pelé, maior jogador de todos os tempos, e o atacante Leandro Amaral, que já atuou nos principais clubes paulistas e cariocas e joga atualmente no Flamengo? Eles estão separados por apenas uma pessoa, Carlos Alberto Parreira. Preparador físico na Copa de 1970, Parreira trabalhou com os craques que conquistaram o tri-campeonato mundial para a Seleção Brasileira de futebol. Depois de quase 40 anos de profissão, Parreira comandou o Fluminense no ano passado, que tinha Leandro Amaral no ataque.

Se você analisar o currículo profissional de Carlos Alberto Parreira, dá para imaginar a quantidade imensa de profissionais desse esporte com quem ele tem contato direto. Além de preparador físico da seleção brasileira nas Copas de 1970 e 1974, dirigiu em Mundiais as seleções do Kuwait, dos Emirados Árabes, do Brasil e da Arábia Saudita. Em 2003, reassumiu a seleção brasileira. Trabalhando bem próximo à Parreira, por mais de 4 décadas, está Mário Jorge Lobo Zagallo. Como jogador, Zagallo disputou duas Copas do Mundo e como treinador, foi o único a dirigir o Brasil em três Copas. Também foi coordenador da seleção em 1994 e em 2006. Pela bagagem que esses dois profissionais tem nesse mercado, podemos afirmar então que todos as pessoas que trabalham com futebol profissional no Brasil não estão muito distantes entre si.

O mesmo podemos afirmar do mercado da teledramaturgia brasileiro. Nessa semana foi comemorado os 60 anos da TV no Brasil. Uma festa realizada no sábado passado em São Paulo reuniu grandes nomes do meio artístico. Entre eles, o grande ator, diretor e dublador Lima Duarte, que trabalha nessa indústria desde o início. E qual seria a distância desse ícone das telenovelas para o canastrão Márcio Garcia. Essa é fácil. Eles estão diretamente ligados. Márcio interpretou Bahuan na novela global Caminho das Índias em 2009, que era filho de Shankar, personagem de Lima Duarte. Então também podemos afirmar que, virtualmente, todos os profissionais da teledramaturgia estão ligados entre si por apenas poucos apertos de mão. Claro que sim!

No Brasil não temos um banco de dados tão completo e organizado como nos Estados Unidos. O site The Internet Movie Database (www.imdb.com) guarda o histórico de todos os filmes já rodados naquele país e os atores que neles atuaram. Com essas informações, é possível conhecer com exatidão qual é a distância que separa qualquer profissional de Hollywood. Por exemplo, qual seria a ligação do mestre do suspense Alfred Hitchcock e o ator Kevin Bacon? Hitchcock trabalhou em “Show Business at War” em 1943 com Orson Welles. Este atuou no filme “A Safe Place” de 1971 com Jack Nicholson, que contracenou com Kevin Bacon em “A Few Good Men” em 1992.

Kevin Bacon, por sinal, é o melhor exemplo de como todos estão ligados entre si no mundo chamado Hollywood. Em uma brincadeira, três estudantes do Estado Americano da Pennsylvania em 1994 tentaram provar que o ator Kevin Bacon era o centro do universo hollywoodiano. Utilizando o banco de dados do IMDB, eles conseguiram provar que mais de um milhão de atores, de qualquer estilo de filmes e de todos os tempos, estavam de alguma forma ligados a esse ator inexpressivo. Essa brincadeira ganhou projeção nacional e logo virou um site chamado de Oráculo de Bacon (http://oracleofbacon.org). Nesse site você consegue simular todas as ligações possíveis e até as inimagináveis.

Foi então criado o conceito do Número Bacon, que é a média com que cada profissional do cinema se ligava a este ator. O número de Kevin Bacon é 2,970. Isso significa que, na média, ele pode chegar a qualquer um dos mais de um milhão de atores com no máximo três contatos. O Número Bacon demonstra fatos curiosos. Mel Blanc, cujo nome é totalmente desconhecido do grande público, tem muito mais atuações que Bacon. Ele era a voz dos mais conhecidos personagens de desenho animado, tais como Pernalonga, Pica-pau, Patolino, Gaguinho, Tom & Jerry, Barney Rubble, Capitão Caverna, Taz, Hardy, etc. Mel tem o número 3,208, ou seja, está quase a mesma distância de Bacon dentro desse universo. Jenna Jameson, considerada a “Rainha do Pornô” e que já ganhou mais de 20 prêmios da indústria pornográfica, tem o número médio 3,291. Curiosamente, tanto Mel Blanc como Jenna Jameson estão ligados a Kevin Bacon por apenas um amigo em comum.

Vamos aplicar os exemplos de Mel e Jenna a outro mercado, como o de tecnologia. Esse é um mercado imenso, que inclui fabricantes, prestadores/operadoras de serviços, distribuidores, revendedores, seja de hardwares ou de softwares, etc. Aí temos diversas áreas, tais como Tecnologia da Informação, Telefonia Móvel ou Fixa. Supondo então que Kevin Bacon fosse um diretor de TI em um banco, Mel Blanc fosse um técnico de campo de um fabricante de centrais telefônicas e Jenna Jameson uma gerente de uma operadora de telefonia celular. É muito provável que eles estejam distantes entre si através de alguns poucos contatos. Você duvida? É só se lembrar quantas “coincidências” você já encontrou no seu mercado. Amigos em comum que você nem imaginava que eles se conheciam.

A má notícia para você é que qualquer deslize na sua carreira será de conhecimento de todos naquele mercado. Por outro lado bom, se você é um profissional competente, seus méritos também abrirão muitas portas. Exercite seu networking e esteja bem conectado aos principais profissionais do mercado!