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3 de fev. de 2016

O que você vai fazer quando acabar o emprego? Já pensou em colaborar?

Parabéns! Você está um dia mais perto do fim do seu emprego.  Não estou falando que você ficará desempregado e precisará se recolocar em uma nova empresa. A realidade é mais dura do que isso! O emprego vai acabar... e não estamos muito longe desse dia! O trabalhador com carteira assinada será uma raridade em muitos lugares do mundo.

Mas não há motivo para pânico! Quer dizer, você pode sim se desesperar se não estiver preparado para colaborar! Caso ainda não tenha percebido, já estamos vivendo a “Era da Colaboração”!

Se você não percebeu isso ainda, pode estar se tornando um profissional obsoleto. Pergunte para alguns adolescentes quantos sonham em construir carreira promissora em uma corporação. Você vai se surpreender ao saber que os sonhos desses jovens não foram inspirados no carreirismo dos seus pais. Pelo contrário, pais que sempre reclamaram da vida corporativa e nunca estavam em casa são as maiores inspirações para que os filhos não sigam os seus passos.

Essas “crianças” que acabaram de sair das suas fraldas, entretanto, já aprenderam de forma intuitiva que elas podem fazer o que quiserem, quando quiserem, com quem quiserem... em qualquer parte do mundo. Isso se chama colaboração!

A colaboração acadêmica existe há centenas de anos. Cientistas e pesquisadores compartilhavam suas experiências e estudos através do globo muito antes da invenção da telecomunicação. A internet, aliás, foi criada principalmente para a interação acadêmica entre universidades e centros de pesquisa em todo o mundo.

Para as pessoas que já nasceram na era digital, porém, a internet é muito mais que uma rede mundial de computadores. Ela é um meio de estreitar relacionamentos entre pessoas que talvez jamais se encontrem face a face na vida, mas que podem, surpreendentemente, desenvolver alguma ação revolucionária em conjunto.

Você que ainda não entendeu como isso pode ocorrer, vou usar um exemplo prático. Na semana passada, aconteceu em São Paulo a nona edição da Campus Party Brasil 2016, ou simplesmente #cpbr9 para os “íntimos”. Você certamente viu algo na mídia sobre essa “feira geek”, como a imprensa gosta de rotular. Tem ainda quem a chame de “o maior encontro de tecnologia do País”. Isso é um pouco melhor, mas ainda longe do que realmente acontece nesses encontros.

A Campus Party, que já acontece em oito países, é na realidade um encontro colaborativo. A tecnologia é apenas o pano de fundo, já que é através das telas dos seus computadores turbinados e dispositivos móveis repletos de aplicativos que a maioria das interações acontece. Mas a internet de altíssima velocidade de 40 GB/s serve, de fato, para aproximar mentes brilhantes de várias partes do mundo. Mais de 400 mil participantes, chamados de Campuseros, acompanham esse evento pelas redes sociais. Alguns deles, vindos de 17 países e de todos os Estados brasileiros, literalmente acamparam por seis dias no Centro de Exposições do Anhembi e lá marcaram para se encontrar pessoalmente com as pessoas que elas vêm colaborando à distância durante todo o ano.

Esse encontro contou com a participação de 12 mil inscritos e mais de 80 mil visitantes de várias partes do planeta. Além disso, 2,5 milhões de fãs acompanharam o evento por streaming, ou seja, vídeo em tempo real pela internet. O interesse de tanta gente tem uma razão. É nessa “festa geek” que todas as peças de um negócio promissor podem se juntar em um mesmo tabuleiro. Nesse jogo, por exemplo, uma estudante secundarista de Pecém/CE apresenta sua ideia inovadora para um programador de Blumenau/SC que se junta com um empreendedor de Niterói/RJ e consegue o aporte de capital de um fundo de investidores (crowd funding) de várias partes do mundo. Esse time inusitado e com capacidade complementares colaboram entre si e pode ser responsável pela próxima revolução social mundial.

Note que nenhuma das peças desse jogo tem um emprego ou está em busca de um. Muito provavelmente jamais terão e nem sentirão falta de um carimbo na Carteira. O trabalho que essas pessoas desenvolverão ao longo de sua vida profissional terá como objetivo principal transformar para melhor o mundo onde vivemos. Ganhar dinheiro com isso é consequência e mérito pela execução brilhante de toda a equipe.

Esses jovens sabem lidar muito melhor que você com os erros, perdas e frustrações. Das centenas de ideias que eles possam ter na vida, apenas uma dezena sairá do papel porque encontraram uma equipe multifuncional adequada, mas pouquíssimas se tornarão um negócio. Mesmo assim, eles continuarão sonhando, buscando novas parcerias, testando novos modelos e empreendendo por muitos e muitos anos.

O fato é que as empresas já perceberam que manter funcionários no seu quadro é caro, complicado e pouco estimula a criatividade e competitividade dos seus empreendimentos. Aos poucos elas começam a dispensar seus dinossauros de 30 anos de idade e contratando grupos de jovens com competências complementares, que são remunerados por entrega. O resultado é um produto ou serviço de ponta, com alta qualidade, prazo de entrega curto e baixo custo. Então, não precisa ser um gênio para saber que essas corporações renovarão seus estoques de pessoas muito em breve.


E você, está preparado para viver sem um emprego? Sabe como se adaptar a “Era da Colaboração”?  O primeiro passo é saber trabalhar seu networking! É a sua rede de contatos o ponto de partida para você entrar nesse jogo. Aprenda a colaborar e jamais tenha que procurar um emprego novamente na sua vida! 

4 de out. de 2013

Quem vale a pena fazer parte do seu network?

Um dos segredos do sucesso de chefs renomados é a escolha de ingredientes que compõe um prato. Somente selecionando muito bem cada ingrediente é possível garantir que o resultado sairá conforme planejado na elaboração da receita. Já em networking isso não funciona. Um dos maiores erros que uma pessoa pode cometer é selecionar quem fará parte da sua rede de relacionamentos. 

Um erro ainda mais grave é achar que apenas os indivíduos em destaque, seja social ou profissional, são os que valem a pena fazer parte do seus círculos de amizades. No âmbito profissional, isso significa manter no seu network apenas altos executivos e empresários de sucesso. Isso pode até parecer bonito na teoria. É o mesmo que ter um álbum todo preenchido com as melhores figurinhas, ou melhor dizendo, com os maiores "figurões". Entretanto, essa coleção não traz resultados nada efetivos na prática. 

Conheço vários histórias de pessoas que contaram com a ajuda de quem elas menos esperavam nas suas maiores conquistas ou nas horas mais difíceis. Um dos exemplos aconteceu comigo mesmo. Quando eu estava nos últimos anos da faculdade, procurava uma vaga de estagiário, de preferência em uma multinacional. Mas como eu poderia conseguir uma vaga tão privilegiada, que só se encontrava nas poderosas corporações localizadas na Grande São Paulo, se eu estudava em uma faculdade que não era de primeira linha e era localizada há quilômetros de distância, em Santos? Foi aí que o networking entrou na minha vida pela primeira vez.

Um dia, comentando sobre os meus planos com a minha Tia Ana, ela se lembrou que conhecia um alto executivo que trabalhava na matriz da multinacional Siemens na Alemanha. O mais curioso é como eles se conheceram. Foi através de uma amiga em comum que jogava cartas semanalmente com ela em Peruíbe, ainda mais longe da capital paulistana. No encontro seguinte, minha tia entregou o meu CV para o executivo alemão, que o encaminhou endossado para a diretoria local. Em poucas semanas fui chamado para estagiar na subsidiária brasileira da empresa, onde fui efetivado anos depois.

Ao longo da minha vida aprendi que o valor das pessoas está no que elas representam para você e não no benefício que elas podem trazer. Gostaria de exemplificar usando alguns outros amigos. Uma grande amiga de hoje foi minha professora de inglês há quase 20 anos atrás. Outro amigo conheci como cliente em potencial. Mesmo nunca tendo fechado nenhum negócio, nosso relacionamento pessoal permanece até hoje. Outro grande amigo, com quem tive uma banda, tinha uma tapeçaria ao lado do escritório onde eu trabalhava.


Uma ex-professora? Um cliente pra quem nunca vendi? Um tapeceiro? Você pode pensar que não tem o que eles possam contribuir para o meu networking. Mas são justamente esses tipos de pessoas que me orgulho de incluir e manter ativos na minha rede de relacionamentos, porque sei que com eles posso contar sempre e poderão me ajudar mais que quaisquer "figurões"!

20 de mai. de 2013

Sabia que o networking é uma atividade apaixonante?


Todos os dias você tem oportunidade de conhecer inúmeras pessoas novas, pode ser em situações rotineiras ou em eventos sociais; pode ser ao acaso ou de forma planejada; pode ser em um elevador ou em uma reunião de negócios. O problema é que, desafortunadamente, desse imenso mundo de oportunidades que passa todo dia por nós, somente algumas poucas pessoas entrarão na sua rede de relacionamentos.

Você já aprendeu aqui no Network-4-Sales que expandir sua rede secundária é até mais importante do que ter uma rede primária funcionando. Sua rede primária, aquela composta por pessoas que você já conhece, tem um potencial limitado para o seu networking. Em outras palavras, você já sabe até que ponto ela poderá auxiliá-lo a conseguir o que precisa. Já a sua rede secundária, composta pelos amigos dos seus amigos e novas pessoas, tem um potencial inimaginável. Cada novo membro que você adiciona à sua rede agrega muito valor à sua vida pois traz com ela novas experiências, características únicas e uma rede de contatos inexplorada por você.

Mas porque não conseguimos manter relações duradouras com mais gente que passa por nossas vidas? E pior, porque não conseguimos que esses novos contatos se mantenham ativos com o tempo e com isso não conseguimos nos beneficiar com esse networking? A resposta é a Paixão (ou a falta dela).

Quando você conhece uma nova pessoa que te atrai, seu desejo, quase instintivo, é de estreitar e prolongar essa relação. As pessoas que não te dispertam interesse no primeiro encontro acabam ficando pelo caminho e nunca farão parte da sua rede de relacionamentos. À medida que você conhece melhor aquela pessoa e descobre que tem uma paixão em comum, você certamente buscará um meio para manter o contato com ela. E se não consegue manter o contato, você fica irriquieto, passa a investigar, pesquisar, explorar, buscar quaisquer pistas que te levem a tal pessoa.

Então eu pergunto - se você é capaz de tantas proezas para encontrar uma paixão, por que não tem a mesma determinação com todas as demais pessoas que passam pela sua vida? Se você soubesse, já no primeiro encontro, que aqueles indivíduos pudessem fazer a diferença no seu networking, você não teria com eles o mesmo comportamento de uma pessoa apaixonada? E é aí que está o erro! Praticamente todas as pessoas que você “descartou” poderiam ser chaves que abririam inúmeras oportunidades tanto pessoais quanto profissionais para você em algum momento da sua vida.

Para não deixar que você continue perdendo oportunidades como essas, gostaria de compartilhar dicas valiosas para você crescer a sua rede secundária em eventos e outros encontros sociais de forma planejada e organizada. Assim, você conseguira tornar seu networking uma tarefa efetiva, mas também divertida:

  • Defina objetivos atingíveis – Ser responsável pelo que você não controla é muito estressante. Então, antes de sair para um evento, defina objetivos que você controle, como por exemplo “Vou falar sobre o meu projeto com no mínimo 4 pessoas” ou “Vou conversar com 5 ou mais pessoas que eu não conheço”;
  • Tenha um discurso de elevador – O que você falaria para o Presidente da sua empresa se o encontrasse no elevador e tivesse 30 segundos de atenção dele? Se você não se preparou para esse momento, dificilmente terá algo bem estruturado em mente. Para nunca mais ser pego desprevinido, você deve ter na ponta da língua um “discurso de elevador”, ou seja, um resumo de até 30 segundos daquele negócio que você está trabalhando ou do produto que está tentando vender;
  • Esteja sempre pronto para se vender – Nunca vamos a eventos para trabalhar, mas as oportunidades aparecem quando menos se espera. Seu objetivo não é convencer a estranhos a contratar você, e sim despertar neles aquela “fagulha de paixão” que faça com que eles queiram te conhecer melhor em uma oportunidade futura;
  • Tenha sempre um cartão em mãos – Você não precisa ser um executivo para ter um cartão de visitas. Mesmo que você seja um estudante ou esteja desempregado no momento, é muito importante ter um cartão com seus dados de contato. Esse pequeno pedaço de papel tem a mesma função de um folheto de um produto que você gostou e pretender comprá-lo futuramente. Então, se depois de um “discurso de elevador” ou de venda pessoal bem-sucedida, entregue o seu cartão para que o seu cliente em potencial saiba onde encontrá-lo;
  • Ajude para ser ajudado – A melhor maneira de entrar no radar de um novo contato é mostrando o seu valor para ele. E a melhor forma de fazer isso é ajudando esse indivíduo a encontrar uma oportunidade através de alguém da sua rede de relacionamentos. Qualquer ajuda, por mais simples que possa parecer, já basta, pode ser a indicação de um médico, uma recomendação de uma agência de viagens ou uma sugestão de um restaurante;
  • Faça follow-up na sequência – Nem sempre aquela pessoa que você conheceu no evento tem a mesma atenção que você e acaba se esquecendo de fazer um novo contato, mesmo que ela tenha se interessado muito por você. Para não deixar que o contato inicial esfrie, convide-a para participar de uma rede social ou até para um café outro dia.


Por último e mais importante para que você seja bem-sucedido na ampliação da sua rede secundária é ter paixão autêntica por cada pessoa e pelo que ela pode agregar de valor à sua rede de relacionamentos. Apaixone-se pelo networking! Só assim você vai cultivar suas relações de forma consistente e duradoura.

5 de out. de 2012

Sabia que o principal critério para a escolha do vereador é o network?

NOTA: Esse texto NÃO promove nenhum candidato e nem tem o objetivo de direcionar votos.


Há 6 meses você soube aqui pelo blog Network-4-Sales qual é o motor que move a política e os políticos (http://network4sales.blogspot.com.br/2012/04/voce-sabe-qual-e-o-motor-que-move.html). Agora, faltando poucos dias para a eleição municipal, é importante ressaltar a importância que o network tem nesse processo democrático.

No próximo domingo, dia 07/10, quase 140 milhões de eleitores terão o importante papel de eleger nossos representantes nos poderes Executivo e Legislativo.  Só para vereador, no Brasil, são aproximadamente meio milhão de candidatos que disputam uma cadeira nas 5.500 câmaras municipais desse país. São 57 mil vagas a vereador para defender os interesses da população; tais como  fiscalizar os gastos da prefeitura, desenvolver leis e projetos que atendam as necessidades da população.

Talvez você não saiba, mas as cidades com mais de 8 milhões de habitantes poderão ter até 55 vagas para esse emprego dos sonhos. É uma profissão tão interessante que só na cidade de São Paulo, 53 dos 55 vereadores atuais tentarão a reeleição no pleito desse final de semana. Para bancar todas as mordomias que esse representante do povo tem, todos nós gastamos com um único parlamentar municipal até R$ 360 mil em apenas um ano. 

Agora que você já sabe que esse emprego é tão bom, que a concorrência por uma dessas cadeiras é tão alta, e que esses políticos dependem do seu voto para chegar lá; você não acha importante pensar bem para quem você vai dar esse empregão no parlamento municipal? Quais são os critérios que você vai utilizar para escolher o seu candidato à vereador? Se você não sabe por onde começar, aqui está o principal critério – o Network!

Uma das principais funções desses políticos é a de ser o intermediário entre o poder Executivo e o povo. O primeiro é representado pela figura do prefeito. Já o povo é representado pelas entidades de classe, associações, comunidades, organizações não-governamentais, entre outros grupos de pessoas que defendem os interesses de uma coletividade. Você, enquanto cidadão, mesmo sem se dar conta, está inserido em pelo menos um desses grupos.

Esse é, portanto, o primeiro network que você deve identificar antes de decidir em quem votar. Afinal, a força que esses grupos têm para eleger um vereador é o que fará com que esse funcionário público zele pelos interesses coletivos de quem o nomeou. Pensando em termos práticos, se você mora em uma comunidade e espera por melhorias viárias ou de saneamento, você precisa saber quais candidatos olharão para essa comunidade depois de eleitos.

Só que uma andorinha só não faz verão! Votando sozinho, você não conseguirá cobrar essas melhorias do seu vereador. Entretanto, se você estiver alinhado com a decisão de um grupo de pessoas que estará apoiando tal candidato, todos terão representatividade política. Cabe a você, então, descobrir quem são as pessoas da rede de relacionamento da sua região, bairro, vizinhança ou condomínio. Uma vez identificado esse network, você deve entender o que levou esse grupo a apoiar esse ou aquele candidato.

O segundo e mais importante network a ser considerado em uma eleição é a rede de relacionamento do próprio candidato. Quem está patrocinando a campanha dele? A quem ele deve fidelidade partidária? Você deve tomar cuidado especialmente com aqueles candidatos  famosos, caricatos ou engraçados. Pelo seu carisma, recebem votos como o reconhecimento pela sua carreira fora da política ou mesmo como forma de protesto dos eleitores. Esse tipo de candidato é conhecido como “coelho-eleitoral”, pois traz na sua cola outros políticos sem o mesmo gás.

Como você leu aqui no blog Network-4-Sales, esse foi o caso do palhaço Tiririca, que foi um dos Deputados Federais mais votados na última eleição para a Câmara Federal  (http://network4sales.blogspot.com.br/2010/10/o-que-esta-por-tras-do-fenomeno.html). Votando no “coelho-eleitoral” de uma determinada legenda ou grupo partidário, você poderá eleger outros vereadores em que você jamais votaria. Isso ocorre por causa do chamado coeficiente eleitoral, onde se reúne todos os votos dos vereadores de cada partido e faz-se uma divisão de vagas para cada legenda.

Fica a dica! Nesse domingo, pense primeiro no network e depois no network. Primeiro o do grupo que o representa e depois naquele que apoia o seu candidato. Por isso, pesquise, estude e pondere. Esse emprego vale por 4 anos e custa muito, não só no bolso como no futuro de todos nós. Vote consciente!

28 de ago. de 2012

Perdeu o emprego? Será tarde para começar a trabalhar o networking?

Demitido? Sorte sua! Esse é o título do livro que a jornalista Chantal Brissac escreveu em co-autoria com Silvia Lenzi quando passou pela dor de ser demitida. Elas comentam nessa publicação sobre uma pesquisa realizada por médicos norte-americanos Thomas Holmes e Richard Rahe, que aponta que o despreparo diante do inevitável que faz a demissão ser a terceira maior dor da vida de uma pessoa, superada apenas pela perda de um filho, do cônjuge ou dos pais.

Mas será que ao ser demitido, a preocupação com a sobrevivência é a que mais dói? Infelizmente não! O que mais atormenta os desempregados é o sentimento de rejeição ou de humilhação por não estar produzindo. Como o ocorrido é encarado pela sociedade, ainda mais no Brasil, como fracasso, o impacto da demissão fica ainda é dramático, especialmente do ponto de vista emocional. A auto-estima e a segurança costumam despencar, enquanto surgem a revolta, a culpa e a tristeza. Às vezes, a depressão se instala e a pessoa leva anos para se levantar. O que fazer com esses sentimentos que atrapalham a vida? Esse livro ajuda o leitor a encontrar forças para transformar tais emoções negativas em estímulos para crescer.

E o maior estímulo nesse momento de transformação vem da família e dos amigos. A ajuda dessas pessoas próximas não é apenas motivacional. É principalmente pelo networking. Várias pesquisas de recursos humanos apontam que as indicações e recomendações de amigos respondem por aproximadamente um quarto das recolocações profissionais, quase tanto quanto o uso de headhunters. Tanto isso é verdade que muitas empresas de headhunting estão "terceirizando" o recrutamento à quem possa indicar bons profissionais para os seus clientes. Essas empresas criaram, inclusive, programas de incentivo, que pagam prêmios a quem indicou (o famoso QI) tal candidato caso ele venha a ser contratado no final do processo.

Se está mais que provado que o networking é a melhor maneira de se recolocar no mercado de trabalho, então basta distribuir currículos aos seus contatos para encontrar um novo emprego, certo? Errado! Como foi explicado no texto "Afinal, o que é networking?" (http://network4sales.blogspot.com.br/2012/05/afinal-o-que-significa-networking.html), a rede de relacionamento só trabalha a seu favor se for com transparência, reciprocidade e gratidão! Logo, se você nunca se preocupou em cultivar suas relações, essa rede não dará os frutos quando for acionada.

Se coloque no lugar daquele colega que há anos não ouve falar de você. Certo dia ele recebe um email falando: "Estou em busca de novos desafios e gostaria da sua ajuda para me indicar para novas oportunidades". O que você, no lugar desse seu colega, faria com tal email??? (Seja educado!) A maioria nem se dá ao trabalho de responder à mensagem. E essa falta de resposta derruba ainda mais a auto-estima de quem está procurando ajuda. Por fim, o sentimento de rejeição faz você se perguntar: "Será tarde para começar a trabalhar o networking?"

Anime-se! Nunca é tarde para começar! Mas a abordagem tem que ser totalmente diferente. Procurar seus amigos somente quando você precisa de ajuda te faz parecer uma pessoa interesseira. Aproveite o seu tempo livre para se reconectar com as pessoas que realmente foram importantes para você, tanto pessoal quanto profissionalmente. Elas certamente se preocupam contigo e se empenharão em ajudá-lo nessa fase de transição. Cuidado para não cair na armadilha de priorizar os colegas que potencialmente têm mais conexões profissionais. Se o seu grau de relacionamento com elas for fraco, você só terá perdido o seu tempo e ficará ainda mais desanimado.

Esse blog está recheado de dicas de como proceder nessa hora. Comece pelo post “Será que o networking pode mesmo ajudá-lo a conseguir um emprego?” 
(http://network4sales.blogspot.com.br/2010/11/sera-que-o-networking-pode-mesmo-ajuda.html). E aproveite que está no computador para atualizar seu perfil no LinkedIn. Ele é sua vitrine virtual para o mercado de trabalho. Saiba como tirar o melhor proveito dessa rede no post “Como transformar o LinkedIn em uma poderosa ferramenta de networking?” 
(http://network4sales.blogspot.com.br/2012/03/como-transformar-o-linkedin-em-uma.html)

Desejo muito boa sorte na sua procura. Acredite na sua capacidade. Acredite no seu networking!

29 de mai. de 2012

Afinal, o que significa Networking?

Eu sei que essa é uma pergunta que deveria ter sido respondida na primeira linha do primeiro post deste blog. Se fosse em um livro, certamente esse seria o primeiro capítulo. Mas nunca é tarde para explicar aos nossos fiéis leitores o conceito do termo que é o tema central deste blog. A explicação também é importante para quem está começando a pesquisar o tema agora. Então, vamos considerar esse texto como sendo a “cereja do bolo” de comemoração pelo blog Network-4-Sales ter alcançado os 7.000 acessos!

Nada melhor para entender o significado de um termo "Networking" do que fazer a desconstrução da palavra, que em inglês é composta pela junção das palavras "Net" e "Working". Portanto, o significado na tradução ao pé da letra é "Rede Trabalhando". Como o termo está ligado ao relacionamento entre pessoas, sua definição mais completa seria "rede de relacionamento trabalhando".

Mas essa rede estaria trabalhando para quem? Com qual propósito? É justamente nesse ponto que muitas pessoas confundem o verdadeiro objetivo do networking. Elas associam a prática do networking a vantagens pessoais em detrimento do prejuízo alheio. E, em sendo assim, os praticantes do networking seriam pessoas interesseiras, que só se aproximam das outras para tirar algum benefício do relacionamento.

Infelizmente, alguns poucos maus exemplos serviram para denegrir a imagem deste termo. Quem nunca conheceu um “espertalhão” que se beneficia da sua rede de contatos para prejudicar os outros? Já falamos sobre o “networking do mal” diversas vezes aqui nesse espaço, como em um dos textos de maior audiência deste blog - “Será que existe o crime perfeito?” http://network4sales.blogspot.com.br/2011/03/sera-que-existe-o-crime-perfeito-como.html

Há também quem confunda a prática do networking com comensalismo, que em biologia é a interação entre organismos de espécies diferentes que se caracteriza por ser benéfica para uma espécie sem causar prejuízo para a outra. Os exemplos mais conhecidos são o da rêmora com o tubarão e o da hiena com o leão. Conheço uma pessoa que só se relacionava com pessoas da “high society” local. Apesar dela não ter o mesmo status social, ou seja, ser de uma espécie diferente, esse comensal se aproveitava de suas conexões para tirar vantagens pessoais. Como uma rêmora, ele se agarrava ao corpo dos “tubarões da alta classe” para ser transportado por eles enquanto se alimentava dos restos de alimentação deles.

Ainda usando as interações biológicas como exemplo, a que melhor se assimila ao networking é o mutualismo, também chamado de protocooperação. Nessa relação as duas espécies são beneficiadas e podem viver independentemente ou trocar de parceiro, como é o caso das aves que catam parasitas na pele de gado ou de outros animais selvagens. Em termos práticos, isso significa que a prática do networking pode ocorrer mesmo entre indivíduos totalmente distintos e que vivem suas vidas independente da relação que mantém com você.

Agora que já deixamos claro que o “Networking” não tem conotação negativa, vamos à definição mais detalhada para esse termo: "Rede de relacionamento trabalhando a seu favor".  Também é importante esclarecer que esse favor pode ser de qualquer tamanho ou complexidade. Você pode precisar apenas de uma indicação de uma empregada doméstica ou encontrar um bom emprego. Pode ser um dica de hotel para a sua próxima viagem ou uma consultoria profissional gratuita.

A melhor maneira de fazer essa rede trabalhar a seu favor é deixar que todos saibam o que você precisa. Se sua necessidade não estiver muito clara para os seus amigos, pode parecer que você tem uma agenda oculta e que eles estão sendo usados só para que você se dê bem. Da mesma forma que a transparência é importante para que sua rede trabalhe a seu favor, a reciprocidade também é vital para o perfeito funcionamento do seu networking. Se os seus amigos dedicam tempo e algum esforço para buscar uma solução para o seu problema, você também precisa se entregar quando eles batem à sua porta. Só se interessar pelos problemas dos outros não basta. É preciso mostrar interesse genuíno pela necessidade do próximo.

Por último, mas não menos importante está a gratidão. Quanto se trata de networking, você nunca deve esperar, muito menos cobrar qualquer recompensa pela sua ajuda. Faça o bem sem esperar nada em troca. Ajude pelo simples prazer de ver seus amigos felizes em poder contar contigo quando eles precisam. Você pode ter certeza que essa pessoa não medirá esforços para retribuir o favor.

Com tudo isso, já temos a melhor resposta para a pergunta-título deste texto. Networking significa “Rede de relacionamento trabalhando a seu favor com transparência, reciprocidade e gratidão!” Tenha essa definição sempre em mente e será muito bem sucedido na prazerosa tarefa de trabalhar o seu networking!

23 de abr. de 2012

Qual é sua turma? Por que isso é importante para o seu networking?

A partir da adolescência começamos a moldar nossa identidade pelas turmas, tribos e grupos que participamos.  As influências que nossos amigos exercem em nossa personalidade é o que, muitas vezes, definem nossas preferências, que vão desde o estilo de música até a nossa profissão no futuro. Temos a tendência de seguir os passos daqueles amigos mais próximos ou daqueles que nos servem de modelo.

Mas quando chegamos à fase adulta e já traçamos nosso destino, as turmas passam a ter outro papel importante - o de nos aproximar de pessoas com os mesmos gostos, mas que vivem em mundos completamente distintos. As turmas, portanto, tem a função de aumentar nossa rede de relacionamentos em direções surpreendentemente facinantes. Ainda mais surpreendentes são os resultados que você pode obter exercitando o networking com os membros desses grupos de amigos.

Caso você nunca tenha pensado em participar desses grupos de interesse, o primeiro passo para você encontrar qual é a sua turma é identificar algum tema que te dê prazer e depois procurar os grupos que discutem o assunto, de preferência em encontros periódicos. Vamos explorar a seguir alguns dos inúmeros exemplos de "turmas" para guiá-lo nesse universo e, assim, expandir sua rede e enriquecer seu networking:

- Esportes recreativos: a "pelada" de quarta-feira à noite com o pessoal da firma até serve para estreitar o relacionamento com os seus colegas de trabalho, mas não para expandir o seu networking. Prefira esportes menos populares, tais como escalada, rally, arco-e-flecha ou mergulho. Quanto menos praticantes, mais próximos eles são uns dos outros.  
- Atividades artísticas: se engana quem pensa que todo artista é uma pessoa alienada que vive em um universo paralelo e que, por isso, não pode adicionar nenhum valor ao seu networking. Se posso servir como exemplo, por vários anos eu participei de grupos de teatro, de coral e até de banda de rock. E posso te garantir que existem profissionais super competentes e pessoas incríveis frequentando essas turmas.
- Atividades sociais: quem pratica ou já praticou trabalho voluntário alguma vez na vida, sabe que essa turma não é formada apenas por jovens idealistas e aposentados querendo preencher o tempo. Muitas Organizações Não-Governamentais (ONG's) e outras entidades desenvolvem trabalhos sociais fantásticos. E as pessoas envolvidas nesses projetos possuem histórias de vida tão enriquecedoras, que tê-las em sua rede de relacionamento seria uma honra para você.
- Grupos de estudos: você não precisa querer se tornar um chef para fazer um curso de gastronomia. Você também não precisa ser um profissional para se especializar em fotografia. Não deve ser considerado um nerd só porque curte astronomia ou ufologia. Existem muitas pessoas interessantíssimas que estudam essas ciências como hobby e se reúnem para discutir suas descobertas. E é quando essas turmas se encontram que você percebe o quão valiosos são esses contatos para seu networking. 
- Colecionadores: a coleção pode até ser de itens sem tanto valor monetário, tais como selos ou gibis. Mas os amantes de filatelia ou de HQ (histórias em quadrinhos) participam de círculos de amizade super-ativos. Os fãs mais apaixonados por HQ, por exemplo, chegam a se caracterizar com as fantasias dos seus personagens favoritos, chamados de “Cosplay”. Esses fãs caracterizados participam de encontros e concursos até em outros países. Para quem olha de fora, parecem adultos que esqueceram de crescer, mas esses encontros são lugares ótimos para aumentar sua rede de relacionamento de forma inigualável.
- Clubes de antigomobilismo: é um grupo mais seleto de colecionadores pelo fato dos "brinquedos" serem bem mais caros. Para entrar nesse clube, você só precisa ser proprietário de um veículo antigo, seja carro ou moto. Pode ser um veículo tão acessível quanto uma motoneta Vespa ou tão excêntrico quanto uma Ferrari. Pode ser tão raro quanto um Ford T ou tão popular quanto um fusca. Para quem duvida que o networking nesses clubes é rico, saiba que entre os membros desses clubes estão grandes executivos e empresários muito bem-sucedidos.

 Além dos inúmeros exemplos de “turmas” acima, você ainda pode ampliar sua rede de contatos em academias, Associações de Classe, tais como o Rotary ou o Lions, ou ainda em Grêmios Recreativos, encontros religiosos ou reuniões de partidos políticos. Seja qual for o grupo ao qual você pertence, todos têm algo em comum - a paixão que seus integrantes têm pelo tema. Esse laço afetivo fortalece o relacionamento dessas pessoas de tal forma, que elas consideram seus colegas de grupo quase como um membro da família. E quanto mais restrita for a turma, mais forte é o grau de amizade. Portanto, são pessoas que você poderá contar futuramente para ajudá-lo tanto em projetos pessoais quanto profissionais.

Ficou claro o benefício para o seu networking de ter pessoas tão diferentes e com laços tão estreitos na sua rede de relacionamento? Então, vai aí a última dica: "Vai procurar a sua turma!!!"

22 de mar. de 2012

Você ficou revoltado com as denúncias de corrupção na Saúde Carioca?

As denúncias de corrupção feitas pela TV Globo no último domingo revoltaram a população. O que mais chocou a opinião pública foram as imagens de câmeras escondidas flagrando os fornecedores de vários tipos de serviços oferecendo propina de forma escancarada para o jornalista que fazia o papel de gestor de compras do Hospital de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A naturalidade com que os corruptores agiam deixou muita gente indignada com o que acontece nos bastidores da saúde pública carioca.

Se você também se surpreendeu e se revoltou com as revelações divulgadas pela Globo, saiba que isso não é nem a ponta do iceberg. Esse tipo de prática nociva não acontece somente no Rio de Janeiro, também não está restrito apenas à área da Saúde, muito menos é praticada somente por fornecedores de serviços, e ainda mais surpreendente, não é uma exclusividade do setor público desse País. (Saiba mais no texto "É possível medir o grau de amizade entre vendedores e compradores?" em http://network4sales.blogspot.com.br/2011/07/e-possivel-medir-o-grau-de-amizade.html)  

Toda relação comercial é um jogo de interesses. De um lado o comprador é estimulado pelo benefício que ele pode trazer para sua empresa e do outro o vendedor é estimulado pelo atingimento das metas definidas pelo seu empregador. Quando um desses dois lados está despido de ética, joga a isca para o outro lado, mostrando que o benefício pessoal é maior que o risco. Quem morde a isca acaba se associando definitivamente à rede de profissionais inescrupulosos – o “networking do interesse”.

É importante ressaltar que o “networking do interesse” não é formado apenas pelo comprador e vendedor. Ele é muito maior e bem estruturado do que se imagina. Quem compra pode estar respaldado pelo seu supervisor ou por um “patrocionador”. Quem vende normalmente está alinhado com seus superiores e, em alguns casos, também está mancomunado com seus concorrentes, que são usados para oferecer preços superiores nos processos licitatórios. Esses esquemas são tão bem arquitetados entre os integrantes do “networking do interesse”, que são muito difíceis de serem descobertos. E caso isso aconteça, como pelo Fantástico, os esquemas são facilmente desmontados de forma que apenas os elos mais fracos sejam punidos.

O fato é que qualquer pessoa que já tenha atuado nesse meio conhece muito bem como funcionam os esquemas de combinação de preços e de direcionamento técnico de propostas visando superfaturamento e, consequentemente, os ganhos ilícitos para os envolvidos. No caso de empresas privadas, o “networking do interesse” pode funcionar de outras diversas maneiras. Em uma delas, por exemplo, um comprador abre uma empresa “laranja” para fornecer insumos para sua área. Como esse comprador tem acesso aos preços e às limitações dos concorrentes, ele consegue facilmente justificar o fornecimento pela empresa “laranja”. Do lado de vendas, as companhias contratam representantes autônomos para fazer o trabalho “sujo” de corromper os clientes. Assim esses contratantes se desvinculam do “networking do interesse” caso os esquemas sejam revelados.

E aí você se pergunta, o que fazer então para que essas práticas não se perpetuem? Uma das medidas que o Governo já está tomando é aumentar os riscos em relação aos benefícios do corrupto. Isto é, criar uma lei para punir quem oferece propina. Outra medida seria criar um cadastro único de fornecedores “ficha suja” para que essas empresas saiam definitivamente do mercado quando suas falcatruas forem descobertas.

Entretanto, o mais importante para desarticular de uma vez por todas o “networking do interesse” está na formação do indivíduo, na base familiar, na educação e nos exemplos que os jovens recebem daqueles que os cercam. Somente quando a Ética for um valor incorporado ao caráter desses futuros profissionais é que deixaremos de assistir cenas deploráveis como as que vieram à tona essa semana. Faça a sua parte! Seja o exemplo!

27 de abr. de 2011

Você imagina como a tecnologia poderá aproximar as pessoas daqui a 20 anos?


Muito se discute sobre os efeitos das redes sociais e sobre o impacto da tecnologia no modo de vida das pessoas na atualidade. A tecnologia desenvolvida para aproximar as pessoas através de comunidades virtuais vem definitivamente mudando a maneira como nos relacionamos. Há apenas 20 anos, nossos amigos eram apenas aqueles com quem nos encontrávamos pessoalmente com certa regularidade. Eventualmente telefonávamos para as pessoas mais próximas para colocar o papo em dia. Os mais tradicionais ainda trocavam cartas para ter notícias daqueles mais distantes.

Hoje em dia basta acessar o perfil dos seus amigos de infância no Facebook para ficar atualizado, ver as fotos dos filhos, saber que lugares eles frequentam, para onde viajaram, etc. Se estiver conectado com os colegas de faculdade pelas redes profissionais, como o LinkedIn, vai saber por quais empresas eles passaram e que cursos fizeram desde quando vocês se formaram. O melhor ainda é que essas redes sociais permitem a comunicação, muitas vezes em tempo real, com esses colegas de longa data. Toda essa tecnologia tem ajudado muito a nos aproximar daqueles que gostamos. Mas, se você parar para pensar, elas pouco têm contribuído para nos conectar com aqueles que ainda não conhecemos e que compartilham de muitos pontos em comum conosco.

Certamente isso vai mudar com o tempo, à medida que a tecnologia for evoluindo e novas ferramentas forem sendo desenvolvidas. Mas como será que a tecnologia poderá aproximar as pessoas no futuro? Se a forma como nos relacionamos mudou tanto em 20 anos, como será que vamos interagir em mais duas décadas? A maioria dos analistas do mercado de tecnologia afirmam ser uma tendência natural as redes sociais migrarem cada vez mais para os dispositivos móveis, tais como smartphones e tablets. Mas daqui a 20 anos esses aparelhos já serão peças de museu, assim como as redes sociais, tão badaladas nos dias de hoje. Para que você tenha uma visão mais real sobre a evolução desse universo tecnológico, convido você para uma viagem para o ano de 2031. Relaxe e aproveite o clima de reflexão!

A última década foi marcada por muitas transformações. Depois de muitos problemas de vazamento de dados pessoais e informações sensitivas pelas comunidades virtuais entre os anos de 2015 e 2020, os líderes das maiores potências mundiais se uniram e aprovaram a criação do Conselho de Comunicação Virtual (CCV) comandado pela Organização das Nações Unidas. Uma das prioridades da CCV foi tirar o controle de todas as redes sociais das mãos de empresas privadas e iniciar o desenvolvimento da sua própria comunidade virtual. Para isso, foi preciso unificar todos os perfis ou logins já existentes. Em 2025 surgiu um banco de dados universal chamado MUD, acrônimo de Mobile Universal Database. Como o próprio nome já diz, é um banco de dados universal móvel. Ou seja, o seu número no MUD está associado ao seu dispositivo móvel. Pelo projeto coordenado pela ONU, todo cidadão no mundo recebe um número de identidade global registrado no MUD ao atingir a minoridade virtual, aos 5 anos de idade.

Em 2027, a ONU orgulhosamente apresentou para o mundo a nova rede social desenvolvida pelo Conselho de Comunicação Virtual - a CORN, sigla em inglês para Centralized Organization for Relationship Network, ou em português Organização Centralizada para Redes de Relacionamento. A CCV estabelece que uma criança pode acessar a CORN, bem como qualquer outro conteúdo na Internet, com seu número MUD através do seu dispositivo móvel. Entretanto, a CCS controla que tipo de conteúdo será acessado até que completem a maioridade virtual, ou seja, aos 11 anos de idade.

Em meados de 2028 finalmente a ONU apresentou o vencedor do concurso que definiu o novo padrão mundial de dispositivos móveis. Um grupo formado pelos cinco maiores fabricantes dessa categoria desenvolveu um gadget eletrônico pequeno como um broche, bonito e leve como uma jóia, portátil como um relógio, e com mais recursos e mais poderoso que um computador. O nome escolhido para esse novo dispositivo foi PIG, outro acrônimo em inglês para Personal Identification Gadget. O PIG é conectado à Internet 5.0 de altíssima velocidade e sem fio, disponível em qualquer parte do planeta. O acesso é feito pelas redes das três operadoras globais de comunicação móvel por um custo irrisório, subsidiado pelos criadores do PIG. O novo dispositivo passou a ser produzido em massa no final de 2029 em vários países da África Central, novo polo industrial e logístico mundial.

No início de 2030 a figura finalmente está completa! Todo indivíduo na face da Terra com mais de 5 anos de idade possui o seu dispositivo móvel PIG com um número de identificação universal MUD e assim poderá acessar o CORN de qualquer lugar a qualquer hora. Mas como esse novo ambiente está influenciando a forma como nos conectamos? Como essas novas tecnologias têm mudado a forma como nos relacionamos? Vamos começar do começo.

Quando uma criança completa 5 anos de idade, os padrinhos organizam uma grande celebração e presenteiam seu afilhado com o seu primeiro PIG. O dispositivo vem carregado com todo o histórico daquela criança, desde as notas da escola até as informações do DNA. O aparelho também traz toda a árvore geneológica até a sua terceira geração e com todos os dados desses familiares, onde eles nasceram, viveram, estiveram e, principalmente, com quem se relacionaram durante toda a sua vida. Então, todos os parentes que estão carregados naquele PIG já estão automaticamente conectados a essa criança pela comunidade virtual CORN. Graças à tecnologia do PIG e à integração com o CORN, todos passos são acompanhados de perto por seus pais, padrinhos e quem mais esses permitirem o acesso ao MUD daquela criança.

Já na fase adulta, à medida que você vai fazendo novos contatos, seus números MUD são adicionados à rede CORN com apenas um toque no PIG. E a cada nova adição, o banco de dados do MUD já carrega o PIG com todas as preferências e histórico dessa pessoa. Com isso, é possível saber, já na hora da conexão, quantos e quais pontos vocês dois têm em comum. Mas um dos melhores recursos do PIG é chamado de Captive, que é a captura ativa do MUD de todas as pessoas que estão até 100 metros ao seu redor. Com esse recurso ativado, as preferências das pessoas nas proximidades são capturadas automaticamente.

Para você entender melhor o funcionamento, vou contar o que aconteceu comigo mês passado, em Março de 2031. Fui na festa de casamento do meu sobrinho em Florianópolis/SC. O meu PIG mostrou o grau de relacionamento de todos convidados e quem são os nossos amigos em comum. Como a velocidade de processamento do PIG é bem elevada e ele está conectado em tempo integral ao MUD, o meu gadget também mostrou os interesses em comum de todos os presentes. Além disso, o PIG armazenou os perfis do CORN de todos que entraram no meu campo de cobertura. Na semana passada, encontrei uma dessas pessoas na sala de espera do aeroporto em São Paulo e ontem em uma reunião de negócios em Recife/PE. Na hora que chegamos perto, o PIG me avisou que estivemos juntos naquela festa e me passou os pontos de interesse ou de contatos em comum para facilitar nossa aproximação.

Gostaram da viagem? Vamos voltar aos dias de hoje. Elevando exponencialmente a realidade aqui apresentada, é fácil concluir que o mundo daqui a duas décadas será ainda mais conectado e que estaremos muito mais próximos uns dos outros, seja em que parte do planeta estejamos. Não seria demais?!?! Eu, como entusiasta do networking e amante de tecnologia, ficaria muito feliz com esse novo mundo virtual. Tão feliz como um porco deitado na lama comendo um milho delicioso (ou em inglês, "As happy as a PIG laid down on the MUD eating a delicious CORN")!

14 de mar. de 2011

Será que existe o crime perfeito? Como isso é possível dentro do networking do crime?

Procure no dicionário a definição da palavra "crime". Resumidamente, em termos jurídicos, é toda conduta, ação ou omissão típica, ilícita e culpável praticada por um ser humano. Os tipos penais mais comumente noticiados, e por isso mais conhecidos, são os crimes contra o patrimônio (furto, roubo, latrocínio, receptação, extorsão e sequestro); crimes econômicos (estelionato, lavagem de dinheiro e fraude); crimes contra a vida (homicídio, auxílio a suicídio ou aborto); e crimes contra a dignidade sexual (estupro, corrupção de menores e assédio sexual).

A lista com os tipos de crimes é bem ampla, assim como são as penas contra os indivíduos que os comentem. Mas será mesmo que existe o tal crime perfeito? A letra da música "Pra ser sincero" da banda gaúcha Engenheiros do Hawaii nos dá a resposta: "Nós dois temos os mesmos defeitos / Sabemos tudo a nosso respeito / Somos suspeitos de um crime perfeito / Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos".

Por definição, o crime perfeito é aquele cometido com tal planejamento e habilidade, que nenhuma evidência é deixada e o culpado não pode ser encontrado. Também pode ser aquele não detectado depois de cometido ou ainda, quando não deixa suspeitas que justifiquem uma investigação. Estudiosos sobre criminalidade afirmam que um crime perfeito não fica insolúvel por causa da falta de recursos ou da incompetência da polícia, mas sim pela habilidade do criminoso.

De fato, o crime perfeito existe! Mas, em geral, ele é cometido por uma pessoa, sem comparsas. O caso mais clássico é o de Jack, o Estripador; assassino em série que nunca  foi identificado. Seus ataques ocorreram em Londres no ano de 1888 e suas vítimas eram prostitutas, que tinham a garganta cortada e o corpo mutilado, com a remoção de órgãos internos. Outros casos emblemáticos entraram para a história justamente pelo criminoso conseguir escapar impune.

Mas quando o ato envolve mais de um criminoso, é praticamente impossível que ele chegue à perfeição. O networking do crime é desorganizado e desestruturado. Os integrantes de uma organização criminosa são movidos por interesses distintos e por isso não conseguem manter um plano em segredo quando são pressionados, coagidos ou se vêm prejudicados por um dos participantes. Vamos a alguns exemplos.

Em um homicídio, o mandante tem como interesse a vingança, mas o executor é movido pelo dinheiro. Por mais bem planejado, os cúmplices precisam de álibis para deixarem de ser suspeitos. Então, os dois inicialmente envolvidos agora são quatro compartilhando da mesma mentira, todos de "rabo preso". Basta um pequeno desentendimento entre qualquer um deles para que toda a verdade venha à tona e o verdadeiro culpado seja revelado.

Um dos casos recentes ainda sem solução é o de Eliza Samudio, que era amante do ex-goleiro do Flamengo, Bruno. Com o desaparecimento de Eliza, não demorou para a polícia chegar ao atleta.  Quando estava grávida, ela teria sido agredida e ameaçada de morte por ele e a teria forçado ao abordo. Mesmo usando amigos e familiares como álibis, a polícia conseguiu juntar provas que indicavam a participação do goleiro no crime. A ausência do corpo da vítima está atrasando a solução do caso, mas não impedirá que os culpados sejam punidos.

Pode-se afirmar, então, que os crimes que não ficam impunes são justamente aqueles que envolvem mais de uma pessoa. Esse é o caso de extorsão mediante sequestro, ou seja, aquele que visa obter vantagem como condição do resgate. Também é o caso de fraude contra o sistema financeiro. Os autores do chamado crime do colarinho branco, por exemplo, se utilizam de métodos muito sofisticados e de transações complexas para dificultar a descoberta e investigação pela polícia. Mesmo assim, eles serão descobertos quando um dos envolvidos não obtiver o ganho financeiro esperado.

O delator, informalmente conhecido como cagueta ou X9, é a principal arma da polícia contra qualquer tipo de crime. Só se essa figura não existisse dentro do networking do mal, é que prevaleceria o crime perfeito!

17 de fev. de 2011

O que você ganha em compartilhar conhecimento?

Na semana passada apresentei mais uma vez a palestra gratuita “Networking Aplicado a Vendas” na Business School São Paulo. Fiquei muito contente com o interesse pelo assunto. De acordo com a BSP, instituição de ensino que organizou a palestra, mais de 170 pessoas se inscreveram para o evento. Mesmo que muitos não tenham conseguido participar, tive um enorme prazer em apresentar minha palestra para várias pessoas desconhecidas e alguns amigos.

Mas se a palestra foi gratuita e, consequentemente, eu não recebi nada para apresentá-la, o que eu ganhei em compartilhar meus conhecimentos? Muito mais do que você imagina. E acredite, muito desse benefício está relacionado ao networking.

Em primeiro lugar está a satisfação de disseminar conhecimento. Se você trabalha com educação, entende bem o que estou falando. A maioria dos professores que você já teve na vida não estavam em sala de aula apenas pelo salário e sim pela motivação, pela satisfação pessoal e profissional em se sentir útil, em transformar seus alunos em pessoas melhores com os conhecimentos transmitidos em sala.

Aliás, quando você se dispõe a dar uma aula, palestra ou curso, você se obriga a estudar ainda mais e se aprofundar sobre o tema apresentado. Mesmo sabendo muito, você sempre aprende algo novo com a interação com seus alunos. Essa troca de conhecimento é extremamente enriquecedora.

Tão importante quanto a satisfação está a oportunidade de conhecer novas pessoas. O networking em sala de aula traz resultados inimagináveis. O contato com novas pessoas expande sua rede de relacionamento em várias direções. Você tem a oportunidade de fazer novos colegas que têm os mesmos interesses que você. Pode também conhecer um profissional que atua em um mercado que você nunca esteve e com isso consegue aprender sobre novos assuntos que você não domina, além de abrir uma porta para entrar nesse segmento eventualmente.

Outro networking possível é com o meio acadêmico. Você passa a tratar de igual para igual com aqueles profissionais que você sempre admirou. Esses mestres são verdadeiros hubs de contatos. Eles possuem uma rede de relacionamento muito extensa e diversificada, seja pelo exercício da função acadêmica, seja pela longa vivência profissional. Portanto, se manter próximo a esses professores é muito interessante para encurtar espaços a outros contatos importantes para você.

Por último, mas não menos importante, compartilhar conhecimento te possibilita estar sempre em contato com seus amigos. Eles sempre terão notícias suas através de um convite para a próxima palestra ou sempre que houver uma atualização no seu blog, como o que estou fazendo nesse momento. Estar no radar de todas as pessoas da sua rede de relacionamento é vital para que você seja lembrado quando alguma oportunidade surgir. Afinal, a cultura popular nos ensina que "a planta melhor regada é aquela que está mais próxima da torneira".

12 de nov. de 2010

Será que o networking pode mesmo ajudá-lo a conseguir um emprego?

Se algum dia você precisou procurar emprego e teve a brilhante ideia de disparar currículos por email para todos os seus contatos, certamente vai responder essa pergunta com um NÃO bem grande. O resultado deve ter sido decepcionante. Provavelmente, quase ninguém se deu ao trabalho de ao menos telefonar para oferecer ajuda. Mas como isso é possível se todos dizem que o networking é uma das melhores maneiras de se conseguir um novo emprego?

De fato, existem várias pesquisas feitas por empresas de Recursos Humanos que afirmam que as chances de contratação de um profissional são bem maiores quando este é recomendado por um funcionário que já trabalha na empresa ou indicado por alguém que tem excelente relacionamento com quem está contratando. Então, quem está certo – a prática (da sua experiência) ou a teoria (das pesquisas)? Ambos estão corretos. A questão é como fazer esse networking trabalhar a seu favor.

Um dos maiores erros das pessoas é pensar que o networking é a arte de colecionar contatos pessoais e/ou profissionais. É muito comum encontrar quem pense assim, afinal, desde criança nos acostumamos a colecionar coisas, tais como figurinhas, selos, revistas, etc. Então as redes sociais se tornaram repositórios de colegas, um álbum de figurinhas com as fotos dos seus melhores amigos. E é aí que mora o perigo! As redes sociais servem para aproximar quem está distante (e como diz um amigo, servem também para afastar quem está próximo). O fato é que adicionar um amigo, por exemplo, no Facebook ou passar a seguí-lo no Twitter não muda em nada a relação que vocês já tinham.
Você, como qualquer outra pessoa, gosta de se sentir querido(a), admira as pessoas que se importam contigo, que demonstram algum interesse pelo que você faz ou por quem você é, independente de títulos ou posses que você tenha. Essa amizade incondicional é recíproca! 

Portanto, da mesma forma que você não gosta de ser usado, seus amigos também não vão gostar de serem acessados somente quando você precisa deles. O networking por interesse é a pior ferramenta que você pode utilizar quando está buscando um emprego. Seu amigo não só vai se recusar a recomendá-lo para uma oportunidade de trabalho, como pode se distanciar de você, pois passará a te rotular como uma pessoa interesseira.

E como fazer para o tiro não sair pela culatra? Aqui vão algumas dicas que funcionam de verdade: 
  • Faça o bem sem olhar a quem – saiba que você pode precisar de ajuda quando menos espera. Então, comece hoje mesmo a ajudar seus amigos quando eles precisarem. Quando receber um telefonema de um amigo solicitando um favor ou um email com um pedido de ajuda, aja como diz o ditado. Faça o bem sem olhar a quem! Em outras palavras, sempre que possível, ajude-o sem esperar nada em troca. E não use isso como moeda de troca no futuro. Pode ter certeza que sua boa ação será lembrada e recompensada.
  • Mantenha-se próximo – não espere que seus amigos entrem em contato com você. A distância entre vocês é a exatamente a mesma, então tome a iniciativa e faça contato. Você não precisa ter nenhum motivo específico para se reaproximar, mas se precisa de uma razão para tomar a iniciativa, fique atento às datas e ocasiões especiais para o seu amigo, como por exemplo a data do aniversário dele ou comemoração de bodas do casal. 
  • Esteja sempre no radar – um dos principais benefícios dos aplicativos de colaboração online é a troca de informações em tempo real. Por isso, use e abuse dessas ferramentas, seja por redes sociais como o Facebook, por redes profissionais como o LinkedIn ou ainda por comunicadores instantâneos como o Live Messenger. Esses aplicativos são excelentes para convidar para um evento, divulgar uma notícia, dar uma dica, comentar um status, manifestar seu ponto de vista, compartilhar uma foto, etc. Em resumo, se faça presente! Dessa maneira, todos lembrarão de você quando precisar de ajuda.
  • Esteja bem informado – saber tudo sobre o que passa na sua área de atuação é vital para encontrar um novo emprego. Mas isso não se limita apenas a conhecer os resultados das empresas que atuam nesse mercado. Também é importante saber quem está trabalhando onde. Um antigo colega de trabalho pode estar justamente ocupando uma posição chave naquela empresa que você aplicou para uma vaga.
  • Saiba do útil ao fútil – essa dica está relacionada com as três dicas anteriores. Estar bem informado não significa saber apenas o que é útil para sua carreira. Isso inclui o fútil, a cultura inútil, as novidades do luxo e as curiosidades do lixo. Você pode compartilhar esses tipos de informação na sua rede social e dessa forma entrar no radar dos seus amigos. Se isso for interessante para algum deles, você já terá conseguido retomar o contato e assim se manter próximo desse amigo.
  • Tenha auto-estima – estar desempregado é um status e não uma doença infecto-contagiosa que será transmitida aos seus amigos se você contar. Então, não se sinta acuado ou deprimido. Converse abertamente com o maior número de pessoas sobre a sua situação. A ajuda poderá vir de onde você menos espera. Por isso, ter auto-estima elevada nesse momento é fundamental para transmitir energia positiva para seus amigos. Eles se sentirão mais entusiasmados em ajudá-lo.
Lembre-se que essas são apenas algumas dicas que podem ajudá-lo a encontrar um novo emprego através do networking. Mas isso tudo só funciona mesmo se o conteúdo valer a pena. Ninguém, por mais amigo que seja, jamais vai recomendá-lo para a empresa que trabalha ou indicá-lo a outro amigo se você não for um profissional comprovadamente competente. Também de nada adianta ter um belo currículo se isso não corresponde à realidade.

Em outras palavras, o networkingNÃO vai ajudá-lo a conseguir um emprego se você  “por fora for bela viola, mas por dentro for pão bolorento”!

3 de nov. de 2010

Você conhece bem o seu colega de trabalho? Por que isso é importante para sua carreira?

A menos que você seja um dos 33 mineiros que ficaram soterrados por 69 dias a 700 metros de profundidade na mina San José em Copiapó no Chile, sua resposta tem que ser NÃO! Pode-se afirmar que você só conheceria bem seus colegas de trabalho, e quem faz parte da rede de relacionamento deles, se vivesse esse tempo todo em um ambiente de clausura, como nessa situação extrema ocorrida a alguns meses no deserto do Atacama.
Como esse não é o caso, é pouco provável que você conheça bem quais são os interesses pessoais e profissionais daquela pessoa que passa dias, meses e até vários anos ao seu lado no ambiente de trabalho. Existe uma maneira infalível de conhecer seu colega de trabalho. Como diz o ditado – “Quer conhecer bem uma pessoa, dê poder à ela!”.
Sem dúvida nenhuma, quando uma pessoa ganha poder dentro de uma organização, você consegue perceber de verdade quem é o indivíduo que se escondia por trás da máscara profissional. Ela não muda apenas sua forma de agir e de pensar, mas também pode mudar seu comportamento com os antigos colegas de trabalho. Mas não é apenas uma promoção que dá poderes para uma pessoa. O poder está principalmente nas alianças, no networking, ou falando na linguagem popular das empresas, nas “panelinhas”! Toda empresa, sem exceção, tem “panelinhas” sistematicamente organizadas. São clãs que se formam com o tempo, em silêncio, nos bastidores das empresas, seja por afinidade pessoal ou por interesse profissional em comum.
Mas porque é importante para você e para sua carreira conhecer o networking dos seus colegas de trabalho? É simples. Se você não conhece bem o seu colega de trabalho, não sabe ao certo em quais “panelinhas” esse indivíduo participa e, consequentemente, também não saberá quando e nem como ele ganhará poder dentro da organização.
Aqui estão alguns exemplos bastante comuns que eu já presenciei nesses quase 20 anos de vida corporativa.
  • Promoção – esse é o caso clássico de ganho instantâneo de poder. A empresa está crescendo, o chefe foi remanejado e surgiu aquela vaga tão sonhada por todos os subordinados. Depois de um processo seletivo interno, um deles é escolhido para assumir a chefia. Mas a felicidade está na cara apenas de alguns. São aqueles que fazem parte da “panelinha” do novo chefe. Só que o tiro pode sair pela culatra. Se a “panelinha” dos descontentes for maior e mais forte, a vida do novo chefe não será nada fácil. No caso mais emblemático que eu acompanhei, a maioria dos subordinados jogou contra o novo chefe até que ele foi demitido da empresa.  
  • Transferência interna – você é o cara novo no pedaço. Fez bem o seu trabalho em outra divisão da empresa e, como reconhecimento, foi transferido para um novo departamento. Só que você não sabe aonde está pisando. As “panelinhas” já estavam formadas e niguém sabe muita coisa ao seu respeito. Isso é ótimo por um lado, porque você pode adotar seu método de trabalho sem maiores problemas, mas é péssimo por outro. Afinal, você tomou o lugar que poderia ser ocupado por mérito por qualquer um dos seus novos subordinados. Eu já passei por isso e posso dizer que é muito mais difícil do que parece saber identificar e lidar com os interesses de cada uma das “panelinhas”.
  • Contratação externa – quando um novo profissional chega na empresa, sua vida é até mais difícil do que na situação anterior. Você também não sabe aonde está pisando e muito menos tem alguém de peso te dando cobertura. A situação que eu acompanhei foi ainda mais complicada. O novo diretor trabalhava antes como prestador de serviços terceirizado desse mesmo departamento. Ou seja, aqueles que “mandavam” nele, passaram a ser seus novos subordinados. Nesse caso, o repúdio foi enorme, mas a pessoa foi bastante inteligente e competente para mostrar que tinha capacidade de trabalhar bem com todos os clãs que já existiam na empresa.
  • Recontratação – você trabalha há algum tempo em uma organização, já tem seu espaço cativo, conhece bem todas as “panelinhas”, mas recebe uma proposta de trabalho tentadora e sai da empresa. Não é preciso dizer que várias pessoas jogarão todos os “podres” da sua área nas suas costas. Um certo dia você recebe uma proposta ainda melhor para voltar para a antiga casa, com uma posição ainda melhor. O problema é que a campanha negativa na sua ausência denigriu a sua imagem a ponto de te excluirem de todas as “panelinhas” que você dominava. Sua vida vai virar um inferno remunerado em horário comercial. O desfecho do caso que eu presenciei não foi dos melhores. O recontratado não suportou o ambiente negativo, como diria o Capitão Nascimento em Tropa de Elite, “pediu pra sair!”
  • Reorganização – é o clássico dos clássicos! A única coisa que não muda em uma empresa é a sede por mudanças, ou em termos administrativos, reorganizações. Sempre que isso acontece, o poder muda de mãos. E é nessa situação que as “panelinhas” ficam mais claras. Quando uma divisão é absorvida por outra, por exemplo, o chefe da divisão receptora preserva seus pupilos, mesmo que eles não sejam tão competentes que os da extinta. O destino dos “desabrigados organizacionais” normalmente é trágico. Ou se contentam com uma função inferior ou são convidados a se retirar da empresa.
  • Fusão ou Aquisição – você é o cara! Trabalha há muitos anos na empresa, conhece todo mundo e todos te adoram. Até que um dia é anunciada a compra ou a fusão da sua empresa por outra. Existem casos marcantes em que uma organização compra sua principal concorrente. As “panelinhas” são aniquiladas, mortas no ninho! Quando se trata de uma fusão, suas chances de sobrevivência são maiores. É só torcer para que alguém do seu clã seja promovido. Mas se ocorrer o inverso, pode começar a mandar currículo. O fim está próximo!
Esses são apenas alguns exemplos. Você deve conhecer outros tantos ou até os mesmos que eu citei. O fato é que, sem dúvida, o desenvolvimento da sua carreira depende muito do networking que você faz dentro da empresa... e ainda mais do networking que você não faz!