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3 de fev. de 2016

O que você vai fazer quando acabar o emprego? Já pensou em colaborar?

Parabéns! Você está um dia mais perto do fim do seu emprego.  Não estou falando que você ficará desempregado e precisará se recolocar em uma nova empresa. A realidade é mais dura do que isso! O emprego vai acabar... e não estamos muito longe desse dia! O trabalhador com carteira assinada será uma raridade em muitos lugares do mundo.

Mas não há motivo para pânico! Quer dizer, você pode sim se desesperar se não estiver preparado para colaborar! Caso ainda não tenha percebido, já estamos vivendo a “Era da Colaboração”!

Se você não percebeu isso ainda, pode estar se tornando um profissional obsoleto. Pergunte para alguns adolescentes quantos sonham em construir carreira promissora em uma corporação. Você vai se surpreender ao saber que os sonhos desses jovens não foram inspirados no carreirismo dos seus pais. Pelo contrário, pais que sempre reclamaram da vida corporativa e nunca estavam em casa são as maiores inspirações para que os filhos não sigam os seus passos.

Essas “crianças” que acabaram de sair das suas fraldas, entretanto, já aprenderam de forma intuitiva que elas podem fazer o que quiserem, quando quiserem, com quem quiserem... em qualquer parte do mundo. Isso se chama colaboração!

A colaboração acadêmica existe há centenas de anos. Cientistas e pesquisadores compartilhavam suas experiências e estudos através do globo muito antes da invenção da telecomunicação. A internet, aliás, foi criada principalmente para a interação acadêmica entre universidades e centros de pesquisa em todo o mundo.

Para as pessoas que já nasceram na era digital, porém, a internet é muito mais que uma rede mundial de computadores. Ela é um meio de estreitar relacionamentos entre pessoas que talvez jamais se encontrem face a face na vida, mas que podem, surpreendentemente, desenvolver alguma ação revolucionária em conjunto.

Você que ainda não entendeu como isso pode ocorrer, vou usar um exemplo prático. Na semana passada, aconteceu em São Paulo a nona edição da Campus Party Brasil 2016, ou simplesmente #cpbr9 para os “íntimos”. Você certamente viu algo na mídia sobre essa “feira geek”, como a imprensa gosta de rotular. Tem ainda quem a chame de “o maior encontro de tecnologia do País”. Isso é um pouco melhor, mas ainda longe do que realmente acontece nesses encontros.

A Campus Party, que já acontece em oito países, é na realidade um encontro colaborativo. A tecnologia é apenas o pano de fundo, já que é através das telas dos seus computadores turbinados e dispositivos móveis repletos de aplicativos que a maioria das interações acontece. Mas a internet de altíssima velocidade de 40 GB/s serve, de fato, para aproximar mentes brilhantes de várias partes do mundo. Mais de 400 mil participantes, chamados de Campuseros, acompanham esse evento pelas redes sociais. Alguns deles, vindos de 17 países e de todos os Estados brasileiros, literalmente acamparam por seis dias no Centro de Exposições do Anhembi e lá marcaram para se encontrar pessoalmente com as pessoas que elas vêm colaborando à distância durante todo o ano.

Esse encontro contou com a participação de 12 mil inscritos e mais de 80 mil visitantes de várias partes do planeta. Além disso, 2,5 milhões de fãs acompanharam o evento por streaming, ou seja, vídeo em tempo real pela internet. O interesse de tanta gente tem uma razão. É nessa “festa geek” que todas as peças de um negócio promissor podem se juntar em um mesmo tabuleiro. Nesse jogo, por exemplo, uma estudante secundarista de Pecém/CE apresenta sua ideia inovadora para um programador de Blumenau/SC que se junta com um empreendedor de Niterói/RJ e consegue o aporte de capital de um fundo de investidores (crowd funding) de várias partes do mundo. Esse time inusitado e com capacidade complementares colaboram entre si e pode ser responsável pela próxima revolução social mundial.

Note que nenhuma das peças desse jogo tem um emprego ou está em busca de um. Muito provavelmente jamais terão e nem sentirão falta de um carimbo na Carteira. O trabalho que essas pessoas desenvolverão ao longo de sua vida profissional terá como objetivo principal transformar para melhor o mundo onde vivemos. Ganhar dinheiro com isso é consequência e mérito pela execução brilhante de toda a equipe.

Esses jovens sabem lidar muito melhor que você com os erros, perdas e frustrações. Das centenas de ideias que eles possam ter na vida, apenas uma dezena sairá do papel porque encontraram uma equipe multifuncional adequada, mas pouquíssimas se tornarão um negócio. Mesmo assim, eles continuarão sonhando, buscando novas parcerias, testando novos modelos e empreendendo por muitos e muitos anos.

O fato é que as empresas já perceberam que manter funcionários no seu quadro é caro, complicado e pouco estimula a criatividade e competitividade dos seus empreendimentos. Aos poucos elas começam a dispensar seus dinossauros de 30 anos de idade e contratando grupos de jovens com competências complementares, que são remunerados por entrega. O resultado é um produto ou serviço de ponta, com alta qualidade, prazo de entrega curto e baixo custo. Então, não precisa ser um gênio para saber que essas corporações renovarão seus estoques de pessoas muito em breve.


E você, está preparado para viver sem um emprego? Sabe como se adaptar a “Era da Colaboração”?  O primeiro passo é saber trabalhar seu networking! É a sua rede de contatos o ponto de partida para você entrar nesse jogo. Aprenda a colaborar e jamais tenha que procurar um emprego novamente na sua vida! 

26 de jul. de 2014

Qual foi o verdadeiro legado deixado pela Copa das Copas no Brasil?


Há 7 anos, quando o Brasil foi anunciado pela Federação Internacional de Futebol (FIFA) o país-sede da Copa do Mundo, os mais otimistas exaltavam os benefícios que um dos maiores eventos esportivos do mundo traria para o País. Aeroportos super modernos, sistemas viários eficientes, impacto positivo na economia com a chegada de turistas de todas as partes do planeta eram apenas algumas das esperanças dos brasileiros. Passadas algumas semanas do final da Copa das Copas, o qual foi realmente o legado para as pessoas que receberam tão bem os turistas? É sabido que nossos aeroportos foram remendados às pressas. As obras de mobilidade urbana ficaram inacabadas em todas as cidades, sem falar nos orçamentos estourados por conta de superfaturamentos e escândalos de corrupções. A economia quase parou nos meses de Junho e Julho. Empresas deixaram de investir no Brasil e a população, receosa do que está por vir, deixou de gastar.
Se quase nada do que se esperava foi concretizado, podemos afirmar que esse megaevento esportivo não deixou nada de bom para o povo brasileiro? Será que tudo não passou de um desperdício enorme de recursos públicos, que serviram apenas para entreter os poucos bem-afortunados que tiveram condições financeiras de prestigiar as partidas nos estádios colossais construídos especialmente para o Mundial? Felizmente, nem tudo foi negativo. Além dos estádios, que o Governo promete ter retorno do investimento com outros eventos não-esportivos, a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 deixou algo totalmente intangível, mas de enorme valor – uma troca intensa de culturas entre visitantes e visitados. Mais de 600 mil pessoas de 186 países desembarcaram no Brasil em busca de experiências inesquecíveis ao longo de pouco mais de um mês de campeonato.
Vou usar a minha Cidade Natal como exemplo de interação com os turistas. A cidade de Santos-SP, já acostumada a receber estrangeiros nos seus famosos cruzeiros marítimos, recebeu as Seleções do México e da Costa Rica, enquanto a vizinha Guarujá hospedou a Bósnia-Herzegovina. Além de torcedores vindos desses 3 países, as cidades do litoral paulista também receberam turistas de outras partes do mundo, que encontraram nessa região boa mobilidade para viajar pelo Brasil. Imagine como foi rica a troca de experiências entre esses milhares de visitantes com a população local. Muitos habitantes dessa região jamais teriam a oportunidade de conhecer “in loco” a cultura de outros Países. Entretanto, com essa convivência prolongada, eles puderam conhecer melhor os costumes e hábitos desses visitantes sem ter que sair de casa.
Esse laço cultural fica ainda mais forte com o uso globalizado das redes sociais. Uma amizade que começou na praia pode durar por anos com a sensação de proximidade criada pelo mundo virtual. Visitantes e visitados continuarão trocando experiências, não apenas culturais, mas sociais pelas comunidades virtuais. Milhares de conexões interpessoais inusitadas criadas em torno dessa Copa formaram novas redes de relacionamentos improváveis que não seriam possíveis sem um evento desse porte em nosso País. Essas redes também formaram ambientes de colaboração pessoais e profissionais que desconhecem fronteiras e nem barreiras de idioma. Uma relação pessoal que começou em uma cidade que nem era sede da Copa pode se transformar em muito mais que uma simples amizade. A proximidade entre profissionais que não se conheceriam sem a interferência desse evento esportivo pode se transformar em uma parceria de negócios muito promissora.
Por tudo isso é que podemos afirmar que um dos maiores legados deixados pela Copa das Copas não pode ser visto, visitado ou medido. O networking entre nações não pode ser tirado de você e é uma riqueza adquirida sem que você tenha pago nada por ela (pelo menos, não diretamente). Por isso, se você foi um dos felizardos que experimentou essa saborosa mistura cultural, não deixe essa oportunidade morrer. Se conecte e faça um bom uso do networking da Copa!
 

15 de nov. de 2011

Qual é a distância entre você e qualquer um dos 7 bilhões de habitantes da Terra?

Pelos dados históricos e estatísticos da ONU – Organização das Nações Unidas – 97% dos bebês nascem, hoje em dia, em países em desenvolvimento. A Índia concentra cerca de 21% de todos os nascimentos, o triplo da China e 10 vezes a quantidade do Brasil. Por isso, as projeções da ONU apontam que o habitante número 7 bilhões nasceu na província de Uttar Pradesh, ao Norte da Índia. Com pais analfabetos, o bebê "7 bi" é um menino nascido no último dia 31/10 às 11:51 horas no horário de Brasília.

Apesar de toda divulgação desse importante evento, não faz muito tempo que o menino Adnan Mević, habitante de número 6 bilhões chegou ao mundo, no dia 12 de Outubro de 1999 em Sarajevo, Bósnia. Entretanto, o que mais chama a atenção na chegada do bebê "7 bi" é que esse foi o período mais curto para a população mundial somar mais um bilhão de pessoas. Foram apenas 12 anos! A partir de hoje, esse período deve voltar a se alongar por causa da diminuição da taxa de fecundidade, que nunca foi tão baixa. Para se ter uma ideia, a humanidade levou milhares de anos para atingir o seu primeiro bilhão de habitantes.

Estima-se que o bebê "1 bi" nasceu em 1804, no mesmo ano que Napoleão Bonaparte coroou a si próprio como o primeiro imperador da França na Catedral de Notre-Dame em Paris. Naquela época, toda América Latina tinha apenas 24 milhões de pessoas, quase a população atual da Grande São Paulo. O mais impressionante é que em 30 anos, além de São Paulo, o número de cidades com mais de 10 milhões de habitantes saltou de 4 para 21, entre elas Tóquio (Japão) com 37 milhões, Nova Délhi (Índia) com 22 milhões e Xangai (China) com 16,6 milhões de habitantes.

Com essa grande concentração de pessoas em megalópoles, a distância entre indivíduos reduz drasticamente. Dá para imaginar que os 19,4 milhões de moradores da cidade de Nova York (EUA) estejam a poucos passos de distância entre si. Mas seria possível medir com exatidão qual é a distância entre os nova-iorquinos? Na realidade sim. E a resposta não deve ser maior que 6 apertos de mão entre todos eles. Foi daí que surgiu a Teoria dos Seis Graus de Separação. Para demonstrar essa teoria em 1967, o professor de Harvard, Stanley Milgran desenvolveu uma metodologia que pode ser aplicada até hoje.  

O professor Milgran escolheu aleatoriamente dois personagens comuns nos Estados Unidos. Uma estudante na cidade de Sharon e um corretor em Boston, ambos no Estado de Massachusetts, EUA. A partir daí, ele mandou cartas para pessoas também aleatórias em outras duas cidades dos Estados Unidos, Wichita no Kansas e Omaha em Nebraska. As cartas continham o nome, a foto e algumas informações sobre um dos personagens. Das 160 cartas enviadas, 42 chegaram aos destinatários. A média entre a origem e o destino foi de 5,5 pessoas, ou seja, eles estavam separados entre si por 6 passos.  A teoria foi testada diversas vezes até hoje e os resultados sempre ficaram próximo a 6 graus de separação.

O curioso é que, antes mesmo de virar alvo de pesquisas científicas, o escritor húngaro Frigyes Karinthy, escreveu o conto “Láncszemek” (Correntes) em 1929, onde já falava que todas as pessoas do mundo estavam a 6 passos de distância entre elas. O termo "Seis Graus de Separação", entretanto, só ficou famoso em 1991 quando John Guare escreveu uma peça de teatro para a Broadway, e transformou o roteiro posteriormente em um filme com o mesmo nome.

Se a teoria dos Seis Graus de Separação realmente for verdadeira, você está no máximo à seis apertos de mãos de qualquer um dos 7 bilhões de habitantes da Terra. Felizmente, não é todo mundo que vale a pena conhecer! Afinal, pelo axioma de Cole - "a soma de inteligência presente no planeta mantém-se constante; a população, no entanto, continua crescendo!"

4 de out. de 2011

CONVITE PARA A PALESTRA "NETWORKING APLICADO A VENDAS"

Estimado(a) colega,

Gostaria de convidá-lo(a) para mais uma palestra gratuita que apresentarei na Business School São Paulo (BSP) na Rua Jaceru, 247 - 8º andar, próximo ao Shopping Morumbi. O evento será na terça-feira, dia 18/10, às 20:15 horas, logo após a apresentação dos cursos oferecidos pela escola.

Essa será a quarta vez que realizo a palestra "Networking Aplicado a Vendas" na BSP. Conto com sua presença para repetir o sucesso das anteriores.


Nessa palestra você vai entender que em vendas, construir e manter sua rede de contatos é vital para o seu sucesso. Mas como encontrar os contatos corretos? Como estabelecer um relacionamento que transforme seu cliente em parceiro, potencializando suas vendas? Você descobrirá que seu cliente está mais perto do que imagina e que mantê-lo em sua rede de contatos traz tantos benefícios para você quanto para ele.
Favor confirmar a presença pelo site www.bsp.edu.br/eventos ou pelos telefones acima.

Até lá,

Luiz Sales

8 de ago. de 2011

Se a ocasião faz o ladrão, o que é preciso para fazer a corrupção?

Se você mora em uma grande cidade, já aprendeu algumas lições sobre como diminuir os riscos de ser roubado. Se esse não é seu caso, aqui vão algumas dicas. Não deixe em cima da mesa do bar objetos de valor, tais como celular, carteira ou câmera. Não coloque sua bolsa ou mochila no banco do passageiro, principalmente enquanto estiver em um congestionamento. Quando estiver no aeroporto ou em um hotel, fique atento à sua bagagem. No banco, evite contar e guardar o dinheiro sacado na frente dos outros clientes.

Aprendemos essas lições por experiência própria ou com pessoas que tiveram a infelicidade de se tornarem vítimas. Por isso, é muito melhor evitar a ocasião que facilita a vida dos ladrões. Eles sempre preferem agir na surpresa e atacar aquelas vítimas menos precavidas. Não é à toa que os turistas são as principais presas desses criminosos. Como vimos nos exemplos acima, a ocasião faz mesmo o ladrão. Mas o que teremos se, junto com a ocasião, houver poder, ou mais especificamente o desequilíbrio de poder? Nesse caso teremos a extorsão.

Aqui estão algumas situações típicas de ocasião somada a poder. Você é parado por um policial na estrada ou recebe a visita de um fiscal na sua empresa. A probabilidade deles encontrarem algo errado é enorme, principalmente porque esses profissionais tem o “dedo pobre”, ou seja, são treinados para tocar justamente naquele ponto que está irregular. Quando eles encontram a ocasião, eles passam a exercer o poder. Essa mistura inflamável resulta em uma multa exorbitante ou em um acerto de contas informal, também chamado de extorsão.

E o que temos quando somamos o networking à essa equação? Ai temos a corrupção! Basta analisar qualquer um dos escândalos que aparecem todos os dias nos noticiários, principalmente aqueles envolvendo políticos. Eles possuem sempre a mesma fórmula: ocasião + poder + networking = corrupção. Para que alguém seja corrompido, é imprescindível que exista o corrupto. Mas essas duas partes não se encontram por acaso. É preciso que exista uma rede de relacionamento que os interligue. Todo esse networking acaba sendo beneficiado quando algum “esquema” é colocado em prática.

Para entender como a equação da corrupção funciona na prática, vamos a alguns exemplos hipotéticos, meramente ilustrativos. Vamos supor que o Ministro dos Transportes não tem nenhum relacionamento com o proprietário da empreiteira que será contratada para construir uma estrada que ligará nada à lugar-nenhum. Entre os dois existem diversas pessoas. Do lado da contratante podem estar o Diretor do DNIT (Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes) e seus assessores. Do lado da contratada estão os executivos da empreiteira, além de seus fornecedores de insumos e de mão-de-obra. Não é preciso que todas as pessoas nessa estrutura sejam corruptas. Só é necessário encontrar as pessoas certas (não no sentido de pessoas direitas, honestas) que façam as duas pontas se encontrarem. 

Nos próximos anos o Brasil estará sediando os principais eventos esportivos do mundo. Para essas ocasiões serão necessários bilhões de reais de investimentos em obras públicas de infraestrutura, tais como ampliação de aeroportos, recuperação de rodovias, construção de ferrovias, como o trem-bala. As instituições, sejam públicas ou privadas, envolvidas com essas obras possuem o poder para realizar a contratação, coordenação, aprovação, implementação ou administração desses empreendimentos farônicos. Para que a corrupção surja basta que o networking dos envolvidos funcione com eficiência nos bastidores escuros do nosso País.

Como cidadão, todos nós temos o dever de fiscalizar àqueles que estão no Poder e a obrigação de denunciar, de tornar público, qualquer rede de relacionamento corrupta. Tirando essas duas incógnitas da equação da corrupção, resta apenas a ocasião, que só fará o ladrão. E se gritar “pega ladrão... não fica um, meu irmão!”

4 de mar. de 2011

O que congestionamentos podem nos ensinar sobre networking?

Não, eu não estou louco. Até uma coisa tão ruim como um congestionamento monstro em São Paulo, por exemplo, traz em si uma lição sobre networking. E não estou falando de você aproveitar o tempo perdido no trânsito para colocar o papo em dia com os amigos. Apesar que essa certamente é uma maneira de aproveitar bem as horas improdutivas dentro do carro. Na realidade o ensinamento não está no congestionamento em si, mas no que causa essa paralisação no trânsito.

Toda e qualquer malha viária, sejam rodovias, rotas aéreas ou simplesmente as ruas e avenidas de uma cidade, formam uma rede totalmente interligada, onde as vias são os elos e os cruzamentos são os nós. Alguns desses nós, chamados de hubs, tem maior importância por conectarem duas ou mais avenidas importantes. Em uma metrópole complexa com a cidade de São Paulo, entender bem essas interligações é fundamental para evitar congestionamentos. Quando você está parado no trânsito, pode até parecer que não existe uma engenharia por trás para evitar que isso ocorra. Entretanto, ela existe sim e é muito bem coordenada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-SP).

Apesar disso, são os fatores externos os principais responsáveis pelos congestionamentos, que inclusive já virou o principal cartão postal da cidade. Entre esses fatores estão desde uma manifestação popular, um caminhão quebrado, um acidente com um motoboy ou até um buraco na rua. Quando um desses eventos ocorrem em um hub, ou seja em um cruzamento importante, as consequências são logo percebidas em vários pontos da cidade. No mapa da cidade abaixo estão marcados alguns dos centros nervosos, ou hubs, da capital.


Um semáforo queimado no final da Av. Paulista, por exemplo, compromete o fluxo de veículos não só nesta via como também na Av. Rebouças, na Rua da Consolação, na Av. Dr. Arnaldo e na Av. Pacaembú. Como cada uma delas vai em uma direção da cidade, em poucos instantes tudo está comprometido. Em um outro caso, uma chuva forte suficiente para alagar o hub da Avenida 23 de Maio causa um efeito dominó em outros tantos. Foi isso que aconteceu recentemente na sua interligação com elos importantes, como a Av. Brasil, o túnel Ayrton Senna, a Av. Rubem Berta, a Av. Ibirapuera e a Av Sena Madureira.
 

Na teoria do networking os cruzamentos são seus contatos e, consequentemente, os hubs são aquelas “figurinhas carimbadas” que todos no mercado já ouviram falar. As ruas e avenidas são os laços que interligam vocês, são os graus de relacionamento. Então, se eu sou um hub representado pelo cruzamento da Av. Rebouças com a Av. Faria Lima e você é a ligação da Av. dos Bandeirantes com a Marginal Pinheiros, nós estamos muito próximos. Nesse caso a Marginal, via que nos une, é o ambiente onde nos conhecemos (trabalho, escola, futebol). Mas se você é o hub da Av. do Estado com a Av. D. Pedro I no Cambuci, mesmo sendo muito importante, aparentemente não está ligado comigo. Mesmo assim, ambos podemos sofrer interferência de um incidente que ocorra com nosso amigo em comum, o cruzamento da Radial Leste com a 23 de Maio.

Mas não são apenas os incidentes nesses cruzamentos que provocam os congestionamentos. O excesso de veículos nas vias primárias e secundárias são, na realidade, a principal causa. Transpondo esse cenário para a teoria do networking, é o mesmo que você e um amigo marcarem um encontro na platéia de um show de rock já em andamento. Mesmo que vocês marquem um ponto de encontro e eventualmente estejam próximos um do outro, o grande número de espectadores amontoados provavelmente não permiterá que vocês se encontrem.

Pense nisso enquanto estiver parado no trânsito tentando sair da cidade nessa sexta-feira de Carnaval. Você terá muuuuito tempo para refletir sobre networking e até consiga um tempo para ligar para um amigo e colocar o papo em dia. :-D

17 de fev. de 2011

O que você ganha em compartilhar conhecimento?

Na semana passada apresentei mais uma vez a palestra gratuita “Networking Aplicado a Vendas” na Business School São Paulo. Fiquei muito contente com o interesse pelo assunto. De acordo com a BSP, instituição de ensino que organizou a palestra, mais de 170 pessoas se inscreveram para o evento. Mesmo que muitos não tenham conseguido participar, tive um enorme prazer em apresentar minha palestra para várias pessoas desconhecidas e alguns amigos.

Mas se a palestra foi gratuita e, consequentemente, eu não recebi nada para apresentá-la, o que eu ganhei em compartilhar meus conhecimentos? Muito mais do que você imagina. E acredite, muito desse benefício está relacionado ao networking.

Em primeiro lugar está a satisfação de disseminar conhecimento. Se você trabalha com educação, entende bem o que estou falando. A maioria dos professores que você já teve na vida não estavam em sala de aula apenas pelo salário e sim pela motivação, pela satisfação pessoal e profissional em se sentir útil, em transformar seus alunos em pessoas melhores com os conhecimentos transmitidos em sala.

Aliás, quando você se dispõe a dar uma aula, palestra ou curso, você se obriga a estudar ainda mais e se aprofundar sobre o tema apresentado. Mesmo sabendo muito, você sempre aprende algo novo com a interação com seus alunos. Essa troca de conhecimento é extremamente enriquecedora.

Tão importante quanto a satisfação está a oportunidade de conhecer novas pessoas. O networking em sala de aula traz resultados inimagináveis. O contato com novas pessoas expande sua rede de relacionamento em várias direções. Você tem a oportunidade de fazer novos colegas que têm os mesmos interesses que você. Pode também conhecer um profissional que atua em um mercado que você nunca esteve e com isso consegue aprender sobre novos assuntos que você não domina, além de abrir uma porta para entrar nesse segmento eventualmente.

Outro networking possível é com o meio acadêmico. Você passa a tratar de igual para igual com aqueles profissionais que você sempre admirou. Esses mestres são verdadeiros hubs de contatos. Eles possuem uma rede de relacionamento muito extensa e diversificada, seja pelo exercício da função acadêmica, seja pela longa vivência profissional. Portanto, se manter próximo a esses professores é muito interessante para encurtar espaços a outros contatos importantes para você.

Por último, mas não menos importante, compartilhar conhecimento te possibilita estar sempre em contato com seus amigos. Eles sempre terão notícias suas através de um convite para a próxima palestra ou sempre que houver uma atualização no seu blog, como o que estou fazendo nesse momento. Estar no radar de todas as pessoas da sua rede de relacionamento é vital para que você seja lembrado quando alguma oportunidade surgir. Afinal, a cultura popular nos ensina que "a planta melhor regada é aquela que está mais próxima da torneira".

31 de jan. de 2011

Palestra "Networking Aplicado a Vendas"

Se você tem acompanhado e curte os artigos do blog Network-4-Sales, vai gostar de participar da palestra gratuita "Networking Aplicado a Vendas", que eu apresentarei mais uma vez na Business School São Paulo (BSP) no dia 10/02, quinta-feira da próxima semana, a partir das 20 horas.

Essa palestra o ajudará a entender que, em vendas, construir e manter sua rede de contatos é vital para o seu sucesso. Mas como encontrar os contatos corretos? Como estabelecer um relacionamento que transforme seu cliente em parceiro, potencializando suas vendas? Você irá descobrir que seu cliente está mais perto do que você imagina e que mantê-lo na sua rede de contatos traz tantos benefícios para você quanto para ele.

Seguem mais informações sobre o evento:
BSP – Campus Paulista
Avenida Paulista, 2.000 – 12º andar
Data: 10 de Fevereiro de 2011, quinta-feira
Horário: 20:00 horas
Duração: 90 minutos
Custo: GRATUITO

Inscrições pelo site: http://www.bsp.edu.br/eventos

Espero vocês lá!

Luiz Sales









23 de jan. de 2011

O que é preciso para ser Ministro de Estado no Brasil?

Uma das primeiras atribuições de Dilma Rousseff no seu primeiro dia útil na Presidência da República foi empossar os 37 Ministros de Estado que formam o Poder Executivo e que a ajudarão a governar o Brasil nos próximos quatro anos. Ocupar um desses ministérios é uma das funções mais importantes do país.


Como acontece quando procuramos emprego, para conseguir uma boa posição precisamos apresentar um bom currículo educacional, qualificação técnica e experiência comprovada. É de se esperar então que os profissionais escolhidos para os cargos de Ministros de Estado sejam os mais preparados para ocupar suas pastas, certo? Infelizmente não! Então, o que é preciso para ser Ministro no Brasil? A resposta, via de regra, é o networking!

Prova de que o networking é o critério mais utilizado nas nomeações é a quantidade de Ministros filiados aos partidos que compõem a base aliada do Governo. Dos 37 ministros, 17 são filiados ao PT, 6 ao PMDB e 2 ao PSB. Os aliados nanicos PP, PDT, PR e PCdoB ficaram com uma pasta cada um. É sabido que as alianças partidárias, os conchavos políticos, são feitos antes das eleições com a contrapartida de nomeações futuras em diversos níveis do Poder Executivo.

Vamos citar alguns exemplos evidentes de networking nas nomeações para chefiar os ministérios de Dilma. O novo Ministro da Casa Civil Antônio Palocci (PT) é um antigo conhecido no cenário político brasileiro. Ele foi Ministro da Fazenda do governo Lula e deixou a pasta por causa do escândalo do "Mensalão". Palocci volta ao governo no mesmo posto ocupado por Dilma antes de ser eleita Presidente. Ele foi um dos coordenadores da campanha e sempre esteve próximo de Lula e do PT mesmo depois do seu afastamento.

Outro político que participou ativamente da campanha de Dilma foi o secretário-geral do PT José Eduardo Cardozo. Advogado e Deputado Federal por dois mandatos, Cardozo foi nomeado para ser o Ministro da Justiça. O novo Ministro de Ciência e Tecnologia também não tem as qualificações ideais para ocupar essa pasta. Aloizio Mercadante (PT) é economista e ganhou o cargo como prêmio de consolação depois de ser derrotado nas eleições para o governo paulista em 2010.  

Competência também não é um dos critérios utilizados na escolha de Ministros de Estado. Fernando Haddad (PT), que assumiu o Ministério da Educação em 2005 foi mantido no posto mesmo após dois episódios de má gestão relacionados ao Enem. O programa Prouni (Universidade Para Todos) perdeu credibilidade e milhares de estudantes foram prejudicados com esses eventos.

Mesmo chegando ao poder através do networking, existem casos de Ministros não técnicos que mostram competência a frente de suas pastas em gestões anteriores. Esses são os casos de Guido Mantega (PT), que foi mantido no cargo de Ministro da Fazenda que ocupa há cinco anos. Sob sua gestão, a economia brasileira cresceu de forma consistente. O Ministro dos Esportes Orlando Silva (PCdoB) também foi mantido na pasta e traz no seu currículo a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, e a conquista dos direitos para sediar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil e os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

Como toda regra tem exceção, pelo menos quatro Ministros possuem sim qualificação para ocupar esses cargos importantes. Esse é o caso do novo Presidente do Banco Central, Ministro Alexandre Tombini, que é funcionário dessa instituição desde 1995, onde trabalhou na formulação do regime de metas de inflação. A Ministra da Cultura Ana de Hollanda é irmã do compositor Chico Buarque de Hollanda e foi diretora do centro de música da Funarte. Izabella Teixeira, nova Ministra do Meio Ambiente, é bióloga com doutorado em Planejamento Ambiental e funcionária de carreira do Ibama desde 1984. O Ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota foi embaixador do Brasil em Washington, e por isso tem boas relações com autoridades norte-americanas.

Qualificados ou não, merecedores ou não, ser Ministro de Estado é um emprego importante e muito bem pago. Eles recebem o teto salarial do Executivo (R$ 26.723,13) e ainda têm todas as despesas bancadas pelo governo, tais como moradia, alimentação, transporte, serviços médicos, segurança, escritórios regionais, etc. Além disso, os Ministros podem aumentar a remuneração mensal com a participação em conselhos de empresas estatais. Quando chefiava a Casa Civil, por exemplo, Dilma Rousseff dobrava o seu salário por participar dos conselhos da Petrobrás e da BR Distribuidora.

Então, se um dia você quiser uma “boquinha” dessas, é bom começar a trabalhar seu networking hoje mesmo!

13 de dez. de 2010

Você sabe como exercitar seu networking nas festas de confraternização?

Finalmente o ano está terminando! O fôlego está quase no final e todos precisam de uma pausa para recuperar as energias e encarar mais um ano cheio de desafios. Mas antes do merecido descanso você tem ainda que encarar aquela sequência de festas de confraternização – seja um almoço com clientes, um happy-hour com os colegas da faculdade, amigo secreto com a galera da empresa, entre outras tantas celebrações de final de ano.

Para muitas pessoas, o mês de Dezembro é sinômino de festa. Mas, na realidade, esse mês deveria ser sinônimo de networking! Afinal de contas, o que todas essas festas têm em comum é a oportunidade que você tem de exercitar seu networking. São nesses eventos que você tem a chance de dar um upgrade na sua rede de relacionamentos. Mas antes que você saia atirando para todos os lados, saiba como aproveitar melhor cada tipo de celebração:
  • Almoço: se você for o organizador do evento, saiba escolher o local. Evite ao máximo churrascaria rodízio. Quem já teve essa experiência, sabe que aquele papo interessante é interrompido a cada 15 segundos pelo garçon. Prefira organizar eventos com poucas pessoas e em restaurantes com boa infra-estrutura. A combinação inversa é desastrosa! Em uma ocasião, eu e cerca de 30 colegas de trabalho fomos ao restaurante mais requintado de uma cidadezinha no interior. O problema é que esse estabelecimento nunca tinha atendido um grupo tão grande. Enquanto alguns colegas ainda estavam comendo a entrada (croquete frito por fora e congelado por dentro), outros já estavam na sobremesa. Se isso acontecesse em um almoço com clientes, sua chance de fazer um bom networking seria nula. Outra situação desfavorável é acomodar o grupo em um mesa quilométrica. O encontro acaba virando um sem-fim de conversas paralelas entre grupos que já se conhecem bem. Ou seja, o objetivo de promover uma festa de integração vai por água abaixo. Sem falar nas brigas ao final do almoço para dividir a conta. Se o grupo for grande, prefira uma festa de confraternização.

  • Happy-hour: é a melhor alternativa para encontros informais de grupos pequenos. Excelente para rever amigos(as) de longa data. O melhor é que você mesmo pode organizar quantos e quando quiser. Que tal marcar um com os amigos do inglês, outro com o pessoal da academia, mais um com a galera do clube e mais outro com a turma que se formou contigo no colégio? É garantia de bom divertimento. Ao contrário, evite marcar um happy-hour com seu chefe ou com aquelas pessoas que você não suporta. Esses eventos são regados de bebidas alcoólicas e, por isso, o final do encontro não é tão feliz quanto sugere o nome. Também evite marcar um happy-hour com clientes. O ambiente normalmente é barulhento e ficar gritando com seu cliente não é uma boa prática. Além do que, falar de trabalho em lugares tão cheios nunca é recomendado. Nesse caso, prefira um evento privado.

  • Amigo secreto: também conhecido como amigo oculto, esse tipo de evento ganhou variações ao longo do tempo. No inimigo secreto, por exemplo, o sorteado recebe um presente depreciativo. Se o seu objetivo é fazer networking, fuja desses encontros. O mais provável é que você presencie um festival de “queimação de filme”. Em contra-partida, as festas de amigo secreto bem organizadas são ótimas para se aproximar daqueles colegas que você não teve muito contato durante o ano. Não fique apenas com aquele grupinho de sempre. Aproveite para conhecer novas pessoas e falar de qualquer assunto que não seja trabalho.

  • Evento privado: é muito comum em grandes empresas para reunir clientes especiais. Pode ser um jantar na casa de um executivo, uma degustação de vinhos, ou um curso de culinária em um espaço gourmet. Esses eventos tem o networking como objetivo principal e nem por isso são enfadonhos. Não é uma boa ideia promover eventos privados relacionados a esportes. Uma “pelada” contra o time do seu cliente pode machucar muito mais os relacionamentos do que as canelas dos adversários.

  • Festa de confraternização: também é comum em grandes empresas. Esse tipo de evento é uma verdadeira bomba-relógio, pois coloca no mesmo local pessoas de diversos níveis organizacionais da empresa e com culturas muito distintas. Essa mistura é potencializada com muita comida, bebida, esporte e lazer. O que começa como uma festa civilizada, com conversas agradáveis e muita diversão, termina inevitavelmente em baixaria. Se você quiser exercitar seu networking nesses encontros, chegue cedo e procure conversar preferencialmente com as pessoas com quem você não tem contato no dia-a-dia. É muito legal jogar tênis de mesa com a diretora de RH ou bater uma bola com o supervisor da produção. Essas atividades derrubam barreiras invisíveis e te ajudarão muito profissionalmente.
Independente da festa que você vai participar, tão importante quanto saber o que fazer é saber quando sair. Como ensinou o filósofo alemão Friedrich Nietzsche: “Em indivíduos, a insanidade é rara; mas em grupos, ela é a regra”. Então, saia enquanto a celebração não se transforma em papelão!

12 de nov. de 2010

Será que o networking pode mesmo ajudá-lo a conseguir um emprego?

Se algum dia você precisou procurar emprego e teve a brilhante ideia de disparar currículos por email para todos os seus contatos, certamente vai responder essa pergunta com um NÃO bem grande. O resultado deve ter sido decepcionante. Provavelmente, quase ninguém se deu ao trabalho de ao menos telefonar para oferecer ajuda. Mas como isso é possível se todos dizem que o networking é uma das melhores maneiras de se conseguir um novo emprego?

De fato, existem várias pesquisas feitas por empresas de Recursos Humanos que afirmam que as chances de contratação de um profissional são bem maiores quando este é recomendado por um funcionário que já trabalha na empresa ou indicado por alguém que tem excelente relacionamento com quem está contratando. Então, quem está certo – a prática (da sua experiência) ou a teoria (das pesquisas)? Ambos estão corretos. A questão é como fazer esse networking trabalhar a seu favor.

Um dos maiores erros das pessoas é pensar que o networking é a arte de colecionar contatos pessoais e/ou profissionais. É muito comum encontrar quem pense assim, afinal, desde criança nos acostumamos a colecionar coisas, tais como figurinhas, selos, revistas, etc. Então as redes sociais se tornaram repositórios de colegas, um álbum de figurinhas com as fotos dos seus melhores amigos. E é aí que mora o perigo! As redes sociais servem para aproximar quem está distante (e como diz um amigo, servem também para afastar quem está próximo). O fato é que adicionar um amigo, por exemplo, no Facebook ou passar a seguí-lo no Twitter não muda em nada a relação que vocês já tinham.
Você, como qualquer outra pessoa, gosta de se sentir querido(a), admira as pessoas que se importam contigo, que demonstram algum interesse pelo que você faz ou por quem você é, independente de títulos ou posses que você tenha. Essa amizade incondicional é recíproca! 

Portanto, da mesma forma que você não gosta de ser usado, seus amigos também não vão gostar de serem acessados somente quando você precisa deles. O networking por interesse é a pior ferramenta que você pode utilizar quando está buscando um emprego. Seu amigo não só vai se recusar a recomendá-lo para uma oportunidade de trabalho, como pode se distanciar de você, pois passará a te rotular como uma pessoa interesseira.

E como fazer para o tiro não sair pela culatra? Aqui vão algumas dicas que funcionam de verdade: 
  • Faça o bem sem olhar a quem – saiba que você pode precisar de ajuda quando menos espera. Então, comece hoje mesmo a ajudar seus amigos quando eles precisarem. Quando receber um telefonema de um amigo solicitando um favor ou um email com um pedido de ajuda, aja como diz o ditado. Faça o bem sem olhar a quem! Em outras palavras, sempre que possível, ajude-o sem esperar nada em troca. E não use isso como moeda de troca no futuro. Pode ter certeza que sua boa ação será lembrada e recompensada.
  • Mantenha-se próximo – não espere que seus amigos entrem em contato com você. A distância entre vocês é a exatamente a mesma, então tome a iniciativa e faça contato. Você não precisa ter nenhum motivo específico para se reaproximar, mas se precisa de uma razão para tomar a iniciativa, fique atento às datas e ocasiões especiais para o seu amigo, como por exemplo a data do aniversário dele ou comemoração de bodas do casal. 
  • Esteja sempre no radar – um dos principais benefícios dos aplicativos de colaboração online é a troca de informações em tempo real. Por isso, use e abuse dessas ferramentas, seja por redes sociais como o Facebook, por redes profissionais como o LinkedIn ou ainda por comunicadores instantâneos como o Live Messenger. Esses aplicativos são excelentes para convidar para um evento, divulgar uma notícia, dar uma dica, comentar um status, manifestar seu ponto de vista, compartilhar uma foto, etc. Em resumo, se faça presente! Dessa maneira, todos lembrarão de você quando precisar de ajuda.
  • Esteja bem informado – saber tudo sobre o que passa na sua área de atuação é vital para encontrar um novo emprego. Mas isso não se limita apenas a conhecer os resultados das empresas que atuam nesse mercado. Também é importante saber quem está trabalhando onde. Um antigo colega de trabalho pode estar justamente ocupando uma posição chave naquela empresa que você aplicou para uma vaga.
  • Saiba do útil ao fútil – essa dica está relacionada com as três dicas anteriores. Estar bem informado não significa saber apenas o que é útil para sua carreira. Isso inclui o fútil, a cultura inútil, as novidades do luxo e as curiosidades do lixo. Você pode compartilhar esses tipos de informação na sua rede social e dessa forma entrar no radar dos seus amigos. Se isso for interessante para algum deles, você já terá conseguido retomar o contato e assim se manter próximo desse amigo.
  • Tenha auto-estima – estar desempregado é um status e não uma doença infecto-contagiosa que será transmitida aos seus amigos se você contar. Então, não se sinta acuado ou deprimido. Converse abertamente com o maior número de pessoas sobre a sua situação. A ajuda poderá vir de onde você menos espera. Por isso, ter auto-estima elevada nesse momento é fundamental para transmitir energia positiva para seus amigos. Eles se sentirão mais entusiasmados em ajudá-lo.
Lembre-se que essas são apenas algumas dicas que podem ajudá-lo a encontrar um novo emprego através do networking. Mas isso tudo só funciona mesmo se o conteúdo valer a pena. Ninguém, por mais amigo que seja, jamais vai recomendá-lo para a empresa que trabalha ou indicá-lo a outro amigo se você não for um profissional comprovadamente competente. Também de nada adianta ter um belo currículo se isso não corresponde à realidade.

Em outras palavras, o networkingNÃO vai ajudá-lo a conseguir um emprego se você  “por fora for bela viola, mas por dentro for pão bolorento”!

12 de out. de 2010

Você consegue contar quantos amigos você tem? Com quantos você pode contar?

Se você nasceu depois de 1980 deve ter respondido que SIM, você consegue contar quantos amigos você tem. É simples! Basta somar todos os seus contatos que você tem no Facebook, Orkut, Twitter, MySpace, entre outras centenas de redes sociais existentes. Seguindo essa fórmula, é fácil somar 200, 300, ou até 500 amigos na sua rede de relacionamentos.

Mas se você, assim como eu, não pertence a geração Y, vai ter dificuldade para contar a quantidade de amigos que tem. Depois de puxar pela memória todas as pessoas que passaram pela sua vida e as que realmente fizeram a diferença e também, depois de rever o conceito verdadeiro de amizade, é capaz que responda que você não tem mais do que 5 amigos. Mas como explicar que os mais jovens têm muito mais amizades do que aqueles que já tiveram muito mais relacionamentos nessa vida?

A explicação para a diferença entre esses dois grupos está na segunda pergunta. Com quantos amigos você pode contar? Ter 500 amigos no Facebook não significa nada quando você realmente precisa de um amigo de verdade. Experimente divulgar para a sua rede de 500 amigos que você foi demitido e precisa de ajuda para se recolocar. O máximo que vai receber são duas ou três mensagens de solidariedade ou frases motivacionais. Dificilmente um deles vai te ligar, pedir seu currículo e finalmente encaminhar seu CV para as outras centenas de amigos dele.

Como as pessoas mais velhas já passaram por essa dolorosa experiência, muito antes do surgimento do fenômeno das redes sociais, elas sabem com quem podem contar e também sabem que dá para contar o número de amigos na palma das mãos. Mas é claro que quem nunca passou por isso acha que a realidade atual é outra. Os seus “seguidores” te idolatram. Você é o cara mais legal e popular que eles conhecem. Você está seguro de que quase todos os seus amigos estarão lá para o que der e vier. Afinal, uma mão lava a outra. Puro engano!

Infelizmente as redes sociais nos fazem acreditar que estamos cercados de amigos. Afinal de contas eles estão ali, a apenas um clique de distância. Você acompanha de perto e diariamente os passos deles. Sabem do que eles gostam, que lugares frequentam, que time torcem, quais são suas ideologias políticas e opções sexuais. No passado nós não tínhamos tanto acesso à informações como agora, por isso não podíamos contar com esses amigos como podemos hoje. Puro engano 2!

Muita gente se questiona se as redes sociais vieram para ficar. Os que acreditam que sim já quebraram alguns paradigmas e se entregaram a essas comunidades virtuais para aproximar as pessoas. Algumas instituições de ensino nos Estados Unidos, por exemplo, já aposentaram o tradicional álbum de formatura, que trazia apenas a foto e o nome completo do formando, e o substituiram por uma página no Facebook. Algumas empresas já criaram redes sociais internas, onde funcionários podem se conhecer melhor através de perfis e posts dos colegas de trabalho. De quebra, essas redes também tornou obsoleto o uso do email.

As redes sociais estão tão presentes no cotidiano dos jovens que eles, quando se conhecem, não trocam mais números de telefone ou endereços de email. É mais comum você escutar: “Vou te seguir no Twitter” ou “Vou te add no Facebook”. Certamente essas expressões foram muito usadas no SWU Music and Arts Festival – o mega-evento realizado em uma arena de 200 mil metros quadrados na cidade de Itú, no interior de São Paulo. Além de shows de mais de 70 bandas em três dias, o público de mais de 150 mil pessoas pode participar do Fórum Sustentável, onde especialistas, pensadores, políticos, empresários e representantes de ONGs discutiram vários temas relacionados a sustentabilidade.

Interesses em comum pela música e/ou pela sustentabilidade aproximaram essas pessoas. Milhares de novas amizades foram feitas. Daqui a algum tempo você conseguirá contar quantos amigos você fez no SWU. A pergunta que fica é: “Com quantos você poderá realmente contar?!?!”

15 de set. de 2010

Você lembra como a crise americana afetou o seu bolso aqui? Ela ainda está aí!

Hoje faz exatamente dois anos do início da maior crise econômica mundial desde a Grande Depressão nos Anos 30. Foi em uma segunda-feira, no dia 15 de setembro de 2008, que o Lehman Brothers – o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos – entrou com o maior pedido de falência da história. Esse marco desencadeou a queda da primeira peça de um dominó gigante, que continua caindo até hoje e afetando economias em todo o mundo. E como vivemos em um mundo conectado, isso também afetou o seu bolso por aqui.

Mas se engana quem pensa que essa crise começou nesse dia. Esse dominó começou a cair cerca de dois anos antes, quando a bolha imobiliária norte-americana começou a inflar. Para que você entenda como uma ação que aconteceu a milhares de quilometros daqui afeta o seu dia-a-dia, reproduzo abaixo trechos de um texto de Weslei Dourado publicado no portal Administradores na época que a crise estourou. Ele conta a estória de Paul, um cidadão-modelo americano e como ele ajudou a criar a crise.

Paul comprou um apartamento, no começo dos anos 90, por 300.000 dólares financiado em 30 anos. Em 2006 o apartamento do Paul passou a valer 1,1 milhão de dólares. Aí, um banco perguntou pro Paul se ele não queria uma grana emprestada, algo como 800.000 dólares, dando seu apartamento como garantia. Ele aceitou o empréstimo, fez uma nova hipoteca e pegou os 800.000 dólares. Vendo que imóveis não paravam de se valorizar, Paul comprou 3 casas em construção, dando metade como entrada. Com a outra metade comprou um carro novo pra ele, deu um carro para cada filho e com o resto do dinheiro equipou toda a casa com as maravilhas tecnológicas. Tudo financiado, tudo a crédito. A esposa do Paul, sentindo-se rica, sentou o dedo no cartão de crédito.

Em agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis estavam caindo. As casas que o Paul tinha dado entrada e estavam em construção caíram vertiginosamente de preço. O negócio era refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras casas e revender com lucro. Parecia fácil. Só que todo mundo teve a mesma idéia ao mesmo tempo. Então, as taxas que o Paul pagava começaram a subir e ele percebeu que seu investimento em imóveis se transformara num desastre. Milhões tiveram a mesma idéia.

As casas que o Paul comprou para revender ficaram prontas e ele tinha que pagar uma grande parcela. Só que Paul achava que já teria revendido as 3 casas. Mas como a oferta de casas nesse momento era maior que a procura, ou não havia compradores ou os que havia só pagariam um preço muito menor que o Paul havia pago. Paul então deixou de pagar aos bancos as hipotecas da casa que ele morava e das 3 casas que ele havia comprado como investimento. Os bancos ficaram sem receber de milhões de dólares de especuladores imobiliários iguais a ele. Paul não conseguiu renegociar a dívida com os bancos e entregou as 3 casas que comprou como investimento, perdendo tudo. As casas devolvidas não tinham compradores e por isso os bancos ficaram descapitalizados.

Milhões de Pauls deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito baseado nos preços dos imóveis. Mas os bancos já haviam transformado esses empréstimos em títulos negociáveis por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas também em bancos europeus e asiáticos. Com a inadimplência dos Pauls esses títulos começaram a valer pó. Os bancos pararam de emprestar por medo de não receber. Os Pauls pararam de consumir porque não tinham crédito. Mesmo quem não devia dinheiro não conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado. O medo de perder o emprego fez a economia travar. Recessão é sentimento, é medo. Mesmo quem pode, pára de consumir.

E em um mundo globalizado, a queda no consumo na maior economia do mundo afeta diretamente a cadeia produtiva em todos os países que dependem dela. O Brasil foi um dos países que conseguiu se recuperar mais rapidamente dos efeitos dessa crise, mas não sem deixar marcas profundas por aqui. O impacto foi sentido primeiro nos bolsos de investidores, mesmo de um simples assalariado que investia seu dinheiro na bolsa. A desconfiança se espalhou pelo mercado. Os empréstimos por aqui tmabém sumiram. O comércio desaqueceu e a indústria começou a demitir. Os calotes aumentaram.

A receita adotada pelo governo funcionou rapidamente e tem feito a máquina funcionando bem até hoje. A injeção de dinheiro na base da pirâmide fez com que as classes D e E subissem de patamar. Com isso, passaram a consumir mais. As indústrias produzem mais e por isso precisam de mais empregados. Mais pessoas pagando impostos, colocam mais dinheiro nos cofres públicos, que voltam à base da pirâmide para que eles continuem gastando. Os bancos ficam confiantes com o modelo e emprestam mais dinheiro para girar a roda ainda mais forte. Mas como todo modelo econômico, o perigo mora ao lado. Todas as partes que fazem essa roda girar estão intimamente ligadas a outras rodas ao redor do mundo. Se uma se romper, todas voltam a desacelerar ou parar completamente, impactando no seu bolso uma vez mais.

Nesse mundo conectado em que vivemos temos que estar atentos a todos os eventos, em qualquer parte do mundo, mesmo aqueles que parecem que nunca afetarão nosso dia-a-dia.

8 de set. de 2010

As pessoas da sua rede de relacionamento sabem o que você faz?

A menos que você seja um agente secreto ou um criminoso foragido, é muito importante contar para todos da sua rede de relacionamento o que você, faz, quer, precisa, procura, pensa, e assim por diante. Acredite, grandes oportunidades aparecem de onde você menos espera, sejam pessoais ou profissionais.

Uma amiga te indica para uma vaga só porque ele ficou sabendo em uma conversa rápida que você estava procurando outro emprego. Um primo comenta sobre um vizinho que está doando uns filhotes porque ele soube que você está querendo um cachorrinho para seus filhos. Um colega do trabalho soube que você está saindo de férias e te oferece milhas pela metade do preço para você viajar com a família.

Como me ensinou uma amiga – “A oportunidade é um bichinho peludo na frente e pelado atrás. Se você não o agarrar quando ele vem, não vai conseguir quando ele passar”. E esses “bichinhos” só vem na sua direção quando todos os seus contatos, pessoais e profissionais, têm pelo menos uma ideia de como podem te ajudar. Obviamente, as redes sociais são as melhores ferramentas para contar aos seus contatos o que você está pensando, precisando, etc. Não é a toa que empresas estão se organizando e utilizando fortemente essas ferramentas para atingir públicos bem qualificados.

Por mais efetivas que as ferramentas virtuais sejam, nada melhor que o contato pessoal para atualizar sua rede de relacionamento. Um bate-papo em uma festa, uma conversa ao pé do ouvido em um congresso, um almoço de negócios, uma pizza em casa – todas são ótimas ocasiões para colocar o assunto em dia. Cedo ou tarde, essas pessoas podem esbarrar justamente naquele “bichinho” que você tanto procura. E como amigos, eles o levarão até o seu encontro. Simples assim, sem esperar nada em troca!

Para você não pensar que eu sigo a filosofia do “faça o que eu digo, não o que eu faço”, gostaria de exemplificar o que fazer em dois eventos que terei nessa semana. Uma delas será a festa de aniversário de 70 anos do meu pai. O outro evento é o show da minha banda, que acontece só uma vez por ano. Justamente por isso recebe o distinto título de “O Show do Ano”. Os dois acontecimentos tem perfis bastante diferentes e por isso a melhor forma de abordagem e divulgação dos seus feitos e necessidades devem ser também distintos. Vamos aos exemplos.

A minha família é bem grande, como a de muitas pessoas. Meus parentes costumam dizer que são em festas como essas ou em velórios que toda família tem a rara oportunidade de se reunir por algumas horas. Também como em muitas famílias, temos parentes mais próximos e que vivem realidades semelhantes às nossas e temos aqueles bem distantes, que parecem viver em um outro mundo, e que por isso, nem valeria a pena se aproximar durante a festa. Lembre-se que qualquer um deles tem a mesma probabilidade de encontrar o tal “bichinho” que você procura. Portanto, manter um bom relacionamento com todos é muito importante.

Nas rodas com os parentes mais próximos, você se sente à vontade de falar da sua vida, tipo os seus planos de férias. Também fala abertamente dos desafios do seu trabalho e daquele projeto que você está trabalhando e está buscando um parceiro estratégico. Quem sabe o marido da sua prima não trabalha justamente com isso. Com aquele parente mais distante, você pode comentar como você se aproximou dos primos quando eles entraram na sua rede no Facebook. Você então pode convidá-lo a fazer parte da sua rede e terá mais chances de divulgar o que você pensa ou precisa.

Já no “Show do Ano” as possibilidades não estão no evento em si e sim no convite. Quando você convida todos os seus amigos para prestigiar um evento desse tipo, pode ter as mais diversas reações. No meu caso, aqueles que não sabiam que eu toco em uma banda, passam a me conhecer melhor e muitas vezes entram em contato para saber mais sobre esse hobby. Isso dá abertura para vocês se atualizarem.

Aqueles que sabem da banda e gostam de rock normalmente entram em contato para confirmar a presença ou ao menos para dar um apoio. São nessas ocasiões que você também tem como divulgar outros pontos interessantes. E também existem aqueles que conhecem a banda e não gostam de rock, por isso nunca irão ao show. Raramente essas pessoas vão entrar em contato. Mesmo assim, você voltou a entrar no radar, ou seja, elas lembraram que você existe. Quem sabe um deles não está buscando um profissional exatamente com o seu perfil justo no dia que recebeu o convite?

Claro que você não precisa ter uma banda de rock pode colocar isso em prática. Qualquer outro evento pode ser divulgado aos amigos, seja seu ou de alguém que você apoia. Pode ser a exposição das suas obras de arte, apresentação de dança da sua filha ou da peça de teatro que seu irmão vai atuar. Junto com a divulgação desse evento, vem a oportunidade de contar para todo mundo qual é a cara do “bichinho” que você está procurando.

16 de ago. de 2010

Você conhece o seu vizinho? E será que precisa?

Quando éramos crianças, parecia que não existia risco de brincar na rua. Jogávamos bola, taco; andávamos de bicicleta e de skate. Praticávamos esportes e éramos muito felizes e mais próximos dos nossos amigos. Por consequência, nossos pais também eram mais próximos dos pais dos nossos amigos. Todos os vizinhos se conheciam bem, se ajudavam muito.

Hoje em dia, com o estilo de vida da classe média ou acima, brincar na rua já não é tão seguro. As crianças só brincam no playground com supervisão de adultos. Com isso, praticar esportes virou uma atividade social que as crianças só fazem em academias ou clubes, afastando-as dos vizinhos. E os pais, consequentemente, mal conhecem o vizinho da porta ao lado.

Mas como se aproximar desse vizinho? Quais são os interesses em comum? Tudo o que você sabe sobre ele é o que consegue ouvir pelas paredes finas que separam suas casas. Você sabe o time que ele torce pelos gritos em dia de jogo. Sabe que ele viaja muito por todas as vezes que cruza com ele no elevador com mala na mão. Depois de muito pensar, você simplesmente decide que não precisa conhecê-lo. Você já viveu tanto tempo sem saber quem ele é, pode ficar assim para sempre! Melhor, pode até passar a desprezá-lo, já que ele também nunca se mostrou muito interessado em conhecê-lo. Melhor assim, cada um na sua, cuidando da própria vida, certo?

Até que um dia você finalmente consegue marcar aquela reunião que está tentando a meses. Chega para a visita naquele cliente importante e descobre que o comprador, que pode fechar o pedido que você sonha, é o seu vizinho! Sua cara é uma mistura de surpresa, alegria e constrangimento. O seu vizinho não consegue disfarçar a decepção de ser atendido por alguém que o vem desprezando. E agora? Como reverter uma situação totalmente negativa em um pedido tão desejado? Um pedido de desculpas pode soar falso. Uma brincadeira, pode ser muito inapropriada.

Como não estamos falando sobre técnicas de vendas e sim sobre networking, melhor agir preventivamente para nunca ter que passar por uma situação tão embaraçosa. Conhecer seu vizinho não é importante só se você trabalha em vendas. Ele pode, por exemplo, te ajudar quando você não estiver em casa e vice-versa. Mas se você, sim, depende de relacionamentos interpessoais no seu trabalho, é muito importante conhecer as pessoas que vivem perto de você. E a melhor maneira de se aproximar dessas pessoas e através de atividades sociais e esportivas que acontecem na sua rua, vila, prédio, ou condomínio. Se elas ainda não existem, você pode tomar a iniciativa de organizá-las, nem que seja a festa de aniversário do seu filho.

Um dos maiores eventos esportivos entre vizinhos está acontecendo esse mês em Alphaville, na região metropolitana de São Paulo. A cada dois anos, o Alphaville Tênis Clube (ATC) na cidade de Barueri organiza a Olimpíada Inter-Alphas. Nesse ano o evento chega a sua décima edição, reunindo mais de 5.000 participantes; todos vizinhos em um dos quinze residenciais de Alphaville, Tamboré, Aldeia da Serra, entre outros condomínios da região. O evento conta com quase 1.000 jogos em 22 modalidades distintas. Além dos jogos, esses vizinhos ainda se mobilizam em uma ação social na Campanha do Alimento. Nela, todos são convocados a contribuir com uma quantidade de alimentos não-perecíveis. As equipes que colaboram ganham pontos na competição. Os mantimentos são encaminhados aos fundos sociais de solidariedade das prefeituras de Barueri e Santana de Parnaíba. Em 2008, na nona edição do Inter-Alphas, foram arrecadadas 15 toneladas de donativos.

Os condôminos se mobilizam para formar as equipes, promover os treinos, comparecer aos jogos e comemorar os resultados. O esporte une as pessoas em torno de um objetivo em comum! Nessas ocasiões, vizinhos que mal se falavam passam a se conhecer melhor e muitas amizades acabam se formando, sem falar nas oportunidades de negócios surgem de um bate-papo informal. Mesmo que seu vizinho não seja o comprador que vai fechar o pedido dos seus sonhos, pode ter certeza que ele poderá abrir muitas portas para você, não apenas profissionais.

A força da rede de contatos de um indivíduo não dá para ser medida, nem vista. Mas experimente exercitá-la e vai sentir sua intensidade!