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27 de nov. de 2012

O que o seu sobrenome diz sobre você?

Não existem registros claros de quando os cognomes, sobrenomes ou nomes de família passaram a ser adotados. Existem alguns registros que essa era uma prática utilizada na Antiguidade na época da expansão do poderio romano. Esse povo possuía um sistema próprio de distinguir as pessoas. Porém, com a queda do Império Romano em 476 d.C. este sistema virtualmente deixou de existir. Com isso, na Idade Média (476-1453) somente o nome de batismo era utilizado para designar, distinguir e caracterizar as pessoas.

 
Os primeiros registros do uso de sobrenomes familiares como conhecemos hoje, entretanto, foram encontrados por volta do século VIII. Na Inglaterra, por exemplo, só passaram a ser usados depois de sua conquista pelos normandos, no ano de 1066. Mas foi só no ano de 1563 que o Concílio de Trento concretizou a adoção de sobrenomes, ao estabelecer nas igrejas os registros batismais. A regra previa que o nome de batismo teria de ser um nome cristão, de santo ou santa; e um sobrenome, ou nome de família.



No Brasil, a história dos sobrenomes é ainda mais turva. Historiadores afirmam que nos primeiros dois séculos depois do Descobrimento, o Brasil recebeu boa parte dos judeus portugueses e também do espanhóis, que foram expulsos do seu país em 1492. Os chamados cristãos-novos ou “marranos” (apelido pejorativo da época) foram convertidos ao cristianismo à força, por decreto de Dom Manuel I, em 1497. Acredita-se que um em cada três portugueses que imigraram para a colônia era cristão-novo. Como eles foram perseguidos no Brasil por 285 anos pela Inquisição portuguesa, quem demonstrasse apego à antiga religião poderia ser condenado à morte na fogueira dos “autos de fé”, as cerimônias de penitência aos infiéis.

 

O dilema dos cristãos-novos brasileiros nos primeiros séculos do país, então, era expor ou não o sobrenome da família fora de casa, sob risco de ser identificado pela Inquisição e acusado do crime inafiançável de “judaísmo”. O medo fez com que a genealogia dos descendentes de judeus portugueses e espanhóis no Brasil se perdesse com a adoção de sobrenomes inventados. Existe um mito de que os marranos tinham sobrenomes baseados exclusivamente em nomes de plantas, árvores, frutas, animais e acidentes geográficos, mas existem evidências que eles também adotaram os mesmos sobrenomes usados por cristãos-velhos. O que se sabe é que muitos irmãos e esposos chegavam a adotar sobrenomes diferentes na mesma família só para confundir os inquisidores. E graças a mestiçagem brasileira, a grande maioria dos cristãos-novos se misturou depois de uma ou duas gerações com outras culturas e raças.

Historiadores identificaram ao longo dos anos da Inquisição Portuguesa mais de 14 mil sobrenomes oriundos de judeus da Península Ibérica no Brasil.  Apesar de não ter existido nenhum sobrenome exclusivo de cristãos-novos, os mais comuns foram Rodrigues, Nunes, Henriques, Mendes, Correia, Lopes, Costa, Cardoso, Fonseca, Paredes, Álvares, Miranda, Fernandes, Azeredo, Valle, Barros, Ximenes, Furtado e Silva. Aliás, tudo leva a crer que esse último é o sobrenome mais comum do país. É sabido que o sobrenome "Silva" foi dado a milhares de escravos trazidos para o Brasil durante o período colonial e, com isso, começou a se espalhar pelo país e não parou mais. Completam o ranking dos nomes de família mais populares no Brasil "Santos", "Oliveira", "Souza" e "Lima", todos de origem portuguesa e/ou adotados por marranos. Em geral, não existe parentesco entre pessoas que levam esses sobrenomes.

À exceção dos casos acima, que perderam sua identidade devido a fatores externos, muitos outros cognomes possuem, sim, uma história, um vínculo forte com suas origens. Esse é o caso do sobrenome “Cavalcanti” (ou Cavalcante). O clã dos Cavalcantis teve origem nos idos de 1560 quando um jovem nobre florentino se casou com uma mameluca pernambucana. Até hoje, é provável que as pessoas com esse sobrenome pertençam a esse clã e fazem parte da maior família do país.

Vários outros sobrenomes de origem ibérica podem ser classificados como sendo um patronímico, ou seja, tiveram sua origem no nome próprio do fundador deste tronco familiar, como por exemplo Nunes, que é patronímico do nome Nuno. O mesmo ocorre com Gonçalves, cuja origem é “Gonçalo” (português) e Martinez com origem em “Martin” (espanhol). Situação semelhante acontece em alguns sobrenomes ingleses quando estes terminam em "son", que significa "filho". Assim um nome como John Richardson significa "João, filho de Ricardo" (John, Richard's son).

Mas o que tudo isso tem a ver com networking? Tudo! É pelo nome de família que conseguimos identificar rapidamente as conexões que uma pessoa desconhecida tem com outra que já pertence à sua rede de contatos. Como já foi explicado através do post “Por que os judeus trabalham tão bem seu networking?”(ler texto completo pelo link http://network4sales.blogspot.com.br/2011/10/por-que-os-judeus-trabalham-tao-bem-seu.html), um dos principais dos judeus trabalharem tão bem o networking é a importância dada ao sobrenome. Ele é muito mais que um mero complemento do nome. O sobrenome para um judeu tem a mesma importância de uma marca para uma empresa. Associada ao sobrenome está toda a tradição de uma família por gerações. Um sobrenome está vinculado às conquistas e aos triunfos que os membros dessa família obtiveram na sua história.
 
Por isso, dê muita importância para o seu sobrenome. Ele diz muito sobre você e lhe conecta, para bem ou para o mal, com todos os outros membros da sua família.

31 de out. de 2011

Por que os judeus trabalham tão bem seu networking?

Se você já teve a oportunidade, como eu, de trabalhar com judeus, sabe quantos negócios são feitos entre os membros da comunidade judaica, uma das mais influentes e bem sucedidas em todo o mundo há décadas. No Brasil, temos inúmeros exemplos de grandes empresários que seguem a religião, filosofia e modo de vida do povo judeu. Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, e Silvio Santos (Senor Abravanel), fundador do Grupo que leva o seu nome, e que comanda o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) são ícones desse grupo. Mas o que nos chama mais a atenção é como a comunidade judaica trabalha de forma tão eficaz o seu networking! Para entender melhor como isso acontece, temos que analisar vários fatores. 

Um dos principais é a importância dada ao sobrenome. Ele é muito mais que um mero complemento do nome. O sobrenome para um judeu tem a mesma importância de uma marca para uma empresa. Associada ao sobrenome está toda a tradição de uma família por gerações. Um sobrenome, via de regra, está vinculado às conquistas e aos triunfos que os membros dessa família obtiveram na sua história. Se o patriarca, por exemplo, cria uma empresa do zero e a transforma em um grande grupo empresarial administrado por seus herdeiros, o sobrenome dessa família ficará associado para sempre com o nome desta empresa. Assim sendo, o crescimento contínuo desta empresa está relacionado diretamente à competência dessa família na gestão dos negócios.

Outro fator muito importante para o sucesso dos judeus é a perpetuação da família como entidade. Os homens têm a obrigação de dar continuidade a linhagem casando-se preferencialmente com mulheres da comunidade. A união entre judeus pode até parecer casamento arranjado, já que muitas vezes eles ocorrem entre famílias ricas e poderosas. Mas aí é que entra outro fator muito importante para o sucesso do networking entre os judeus – a concentração. Os integrantes dessa comunidade usualmente frequentam os mesmos lugares. Além disso, eles também vivem em bairros altamente povoados pelas famílias judias, como por exemplo o bairro de Higienópolis em São Paulo.

Agrupando todos os fatores acima, temos um fenômeno do networking que chamamos de “micromundo”. Nele, todas as pessoas estão interligadas por poucos graus de distância e são facilmente identificadas. Para ilustrar melhor como o micromundo judaico funciona, vamos utilizar um exemplo fictício.

David é o dono de uma rede de comércio varejista que pertence à família Goldenstein há 60 anos. Lilly, sua filha de 16 anos estuda no mesmo colégio que Isaac, neto do patriarca da família Rabinoff, que comanda um dos maiores conglomerados alimentícios do país. Todos moram no mesmo bairro em São Paulo e, por isso, frequentam a mesma sinagoga e o mesmo clube nos finais de semana. Nesse micromundo, a distância entre as famílias Goldenstein e Rabinoff é de apenas um grau de separação. Com tanta proximidade e com interesses comerciais complementares, é inevitável que ambos venham a se conectar. Essa conexão pode acontecer apenas comercialmente, com a empresa de alimentos fechando um contrato de fornecimento para a rede varejista. Entretanto, para garantir a continuidade e o sucesso dessa parceria comercial, o Sr. David Goldenstein pode incentivar que sua filha Lilly venha a se casar com Isaac no futuro breve.

Uma particularidade interessante desse micromundo é que os sobrenomes, como já dissemos, tem uma representatividade muito forte. Portanto, é muito fácil identificar os parceiros em potencial só de ouvir falar o sobrenome. Vamos ilustrar isso colocando mais uma pessoa no nosso exemplo anterior. O Sr. Moises Milsky, produtor de laticineos no Sul é cunhado de David Goldenstein. Entretanto, ele não vive próximo e nem frequenta os mesmos lugares. Mas em uma visita à David, conheceu Isaac Rabinoff, o futuro marido de sua sobrinha Lilly. Imediatamente, Moises demonstra interesse em se aproximar da família do moço com o objetivo de fornecer seus produtos. E é dessa forma que muitos outros negócios se tornam realidade entre os membros da comunidade judaica.

Mas quando se vive em um micromundo, disputas e interesses conflitantes poderiam prejudicar as relações. Pior, essas brigas poderiam ser amplificadas já que todos os habitantes desse “mundinho” estão muito próximos entre si. E é aqui que entra o último fator que garante o sucesso do networking dentro da comunidade judaica – o perdão! É ele o agente aglutinador de um povo que já sofreu muito com a intolerância e com o preconceito. É tão importante, que o Dia do Perdão, ou “Yom Kippur” em Hebraico, é considerado o mais santo do calendário judaico. É nesse dia que os judeus têm a chance de se desculparem pelos maus atos e de pedir perdão à pessoa contra a qual cometeu alguma injustiça. Se o pedido for de fato sincero todo mal que foi cometido anteriormente é anulado.

Além de nos ensinar muito sobre networking, os judeus nos deixam uma lição muito importante: “Perdoe o que você não pode esquecer! Esqueça aquilo que você não consegue perdoar!”.